Cotidiano

Irrigação: cuidados para preservar a água

Redação DM

Publicado em 1 de maio de 2018 às 00:58 | Atualizado há 1 ano

Quando o tema é água, não há quem não tenha opinião formada sobre o assunto. Al­guns alertam que “é preciso cuidar para não acabar”, outros, mais alar­mistas, afirmam que “a água do mundo está acabando”, e há quem acredite que a água existe em abun­dância, mas é preciso garantir a ges­tão correta do uso, para que ela não falte para consumo humano – do­méstico, indústrias, produção de energia, agricultura e pecuária. De uma coisa ninguém discorda, sem água não há vida, e é por isso que a Associação dos Irrigantes do Esta­do de Goiás (Irrigo) defende uma discussão mais ampla e participa­tiva da sociedade sobre este assunto.

A Agência Nacional de Águas (ANA) no final do ano divulgou um estudo intitulado Atlas Irriga­ção: uso da água na agricultura ir­rigada, que traçou um raio X do se­tor no país. Os dados apontam que o Brasil está entre os dez países que mais irrigam no mundo, com uma área produtiva de 6,95 milhões de hectares (Mha) e um potencial de crescimento de 45% até 2030. Os lí­deres mundiais são a China e a Ín­dia, com cerca de 70 Mha cada, se­guidos dos Estados Unidos (26,7 Mha), do Paquistão (20,0 Mha) e do Irã (8,7 Mha).

SUSTENTABILIDADE

Com todo esse potencial de crescimento, a maior preocupa­ção da ANA é que essa expansão ocorra de forma sustentável, aten­dendo aos critérios de responsabi­lidade ambiental dos órgãos regu­ladores ligados ao setor ambiental. “O potencial se baseia em indicati­vos que apontam disponibilidade hídrica para sustentar essa expan­são e na capacidade de expansão em áreas já desmatadas que hoje são utilizadas para agricultura de sequeiro e pastagens”, afirma o es­pecialista em recursos hídricos e coordenador executivo do Atlas Ir­rigação, Thiago Fontenelle.

Segundo Fontenelle, o irrigan­te está entre os agricultores mais qualificados do país. “Esses pro­dutores rurais, além de fazer in­vestimentos em tecnologia para irrigação, também implementam na propriedade manejo adequa­do de solo e água, essenciais para a produção sustentável”, explica. Ele observa que não se pode des­considerar o fato de que a agricul­tura irrigada melhora as condições anteriores do solo, pois ela se ins­tala em áreas ou de pastagens ou da produção agrícola em sequeiro. “Normalmente, quando o irrigante se instala, ele não leva só irrigação, mas também melhor manejo, me­lhores insumos, assistência técni­ca e extensão. É um pacote que traz manejo e produção do solo muito melhores, gerando muito mais ri­queza”, argumenta Fontenelle.

ENTRAVES LEGAIS

Em contraponto, o setor de agri­cultura irrigada enfrenta alguns entraves legais para sua expansão no que se refere à documentação, às licenças, às outorgas e também à falta de organização dos irrigan­tes. Segundo Fontenelle, uma vez que os usuários estiverem ainda mais organizados, eles vão con­seguir dos estados posições mais claras e rápidas. Ele aponta outro impasse: a falta de um plano esta­dual de irrigação. “Goiás é um dos estados com a maior área irrigada do país e ainda não tem um plano estadual de irrigação”.

Como exemplo, cita o Estado do Rio Grande do Sul (RS), que desenvolveu um plano e, junto a ele, foram desenvolvidas ações de desburocratização da irrigação, como: licenciamento ambiental mais agilizado para construção de barramentos para irrigação, po­líticas de crédito, entraves buro­cráticos, tudo associado ao pro­cesso de planejamento do Plano Estadual de Irrigação do RS. “Es­ses instrumentos, não só da polí­tica de recursos hídricos, mas da política de irrigação, são muito im­portantes para o desenvolvimen­to da irrigação em Goiás”, afirma.

CRISE HÍDRICA

Outro entrave enfrentado pe­los agricultores é a crise hídrica vivenciada nos últimos anos. Em 2017, o problema agravou-se e os moradores dos centros urbanos ficaram dias e dias sem forneci­mento de água, e na zona rural não foi diferente. Produtores ru­rais viram rios e barragens secan­do, e a preocupação tomou conta de todos, mas, segundo o especia­lista em recursos hídricos da ANA, não há motivo para alarde.

“Ao se falar sobre crise hídrica é preciso compreender que existem ciclos hidrológicos. Hoje nós esta­mos enfrentando uma seca, daqui dois anos podemos estar enfren­tando enchentes, e isso são varia­ções normais”, explica Fontenelle. Segundo ele, o cálculo da capacida­de de expansão de área irrigada do Atlas Irrigação foi realizado conside­rando um clima médio, de acordo com cada região, e, por isso, a seca vivenciada este ano é considerada apenas um ciclo, que não deve in­terferir no crescimento da irrigação no país nos próximos anos.

MODELO PIONEIRO

Fontenelle chama a atenção para o modelo pioneiro utilizado em Cristalina – os barramentos uti­lizados para armazenagem de água das chuvas. “Os barramentos são importantes não só para a irriga­ção, mas também para outros usos, como abastecimento humano, que só se viabiliza em algumas regiões porque é feita a reserva de água em períodos de chuva”, afirma. Segun­do ele, esse modelo deve ser esti­mulado e otimizado.

A ANA, por exemplo, tem de­fendido o uso de barramentos co­letivos, que podem dar maior ga­rantia e mais segurança hídrica, e com menores impactos, ao invés de ter a construção de vários bar­ramentos pequenos”, diz. Fonte­nelle aponta para iniciativas como a da Irrigo, na busca pela organiza­ção dos usuários, como uma forma de melhorar a gestão dos recursos hídricos. “Esse modelo de organi­zação dos usuários da bacia, que tem acontecido em Cristalina, com muito ineditismo, precisa chegar a outras regiões. Desta forma, é pos­sível cobrar dos órgãos ambientais que ajudem os irrigantes a pensar em soluções de forma coletiva, de modo que beneficie o maior núme­ro de agricultores, reduzindo o má­ximo possível os impactos”, pontua.

OUTORGAS

Existe hoje uma diferenciação de critérios para liberação de outorgas em cada órgão regulador. Em Goiás, por exemplo, os critérios utilizados para outorgas em rios federais, emi­tidas pela ANA, não são os mesmos utilizados pela Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, In­fraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima), e mui­tas vezes essa falta de harmoniza­ção cria impasses e dúvidas entre os produtores. Para Fontenelle, é mui­to importante que os critérios utili­zados pelos órgãos reguladores es­taduais estejam em harmonia com os critérios utilizados pela ANA.

“A instância principal de dis­cussão dessa harmonização dos critérios de outorga é exatamen­te o Plano de Recursos Hídricos. Quando foi executado o Plano de Recursos Hídricos da Bacia do Pa­ranaíba, uma das diretrizes que consta no plano é justamente essa compatibilização dos critérios de outorga, e é uma questão impor­tante, só que cada Estado tem a sua jurisdição, e aí, mais uma vez, vem a importância da atuação do setor organizado, junto ao Comi­tê de Bacia, para que essas diretri­zes elencadas no plano sejam real­mente efetivadas”, pontua.

BACIA DO SÃO MARCOS

Fontenelle destaca a atuação da Irrigo junto ao Comitê da Bacia do São Marcos. “Muitas vezes por si­tuações específicas a outorga pre­cisa ter critérios compatibilizados. Então, é necessária essa atuação junto ao Comitê de Bacias para que essas ações se desenvolvam mais; por exemplo, a questão de priorida­de de uso na Bacia do Rio São Mar­cos para a irrigação, que foi obtida através da participação dos irrigan­tes junto ao Comitê”, afirma.

“Cobrar menos daquele pro­dutor que faz uso do recurso de forma mais eficiente e punir quem tem muito desperdício, e utilizar o capital dessas cobran­ças no aprimoramento dos recur­sos hídricos na bacia, para que não seja só mais um custo para o produtor, mas um instrumen­to da PNRH que deve ser imple­mentado da melhor forma, atra­vés dos Comitês de Bacias – que são as instâncias que aprovam as cobranças e os valores”, explica.

No Atlas Irrigação são apre­sentados indicadores de poten­cial de expansão total e efetivo, além de uma projeção para 2030 indicando quanto do potencial pode ser aproveitado.

IRRIGAÇÃO: VILÃ OU MOCINHA?

A agricultura irrigada é a gran­de aliada do desenvolvimento de uma produção mais sustentável, e, do ponto de vista ambiental, é muito mais interessante ter o desenvolvi­mento de uma agricultura mais tec­nológica e estratégica, sendo uma alternativa para ter maior produ­ção, sem que, para isso, precise ha­ver mais desmatamentos, sem abrir novas fronteiras agrícolas, utilizan­do as mesmas áreas que já são hoje utilizadas pela agricultura.

Segundo informações da ANA, na maior parte das bacias irrigan­tes não existe conflito direto de uso humano e da agricultura, visto que as captações são feitas em regiões diferentes. “Na maior parte das re­giões das bacias em que acompa­nhamos a irrigação, não há confli­to com outros usos, porque não são instalados nos mesmos luga­res, não utilizam os mesmos ma­nanciais”, explica Fontenelle.

Segundo o especialista, a pró­pria legislação já define que, em situações de escassez, o abasteci­mento humano é prioritário; então, em bacias nas quais se tem situa­ções de crise e em que há irrigante, geralmente esses são os primeiros usuários a terem que diminuir ou desligar suas captações para priori­zar o abastecimento humano.

IRRIGAÇÃO EM GOIÁS

Segundo o Atlas Irrigação, Goiás tem potencial para aumen­tar sua área irrigada, que hoje é de 717.484 hectares, para 1.193.102 hectares até 2030. Segundo o di­retor técnico da Irrigo, Renato Caetano, para que Goiás alcan­ce esse crescimentos, é essen­cial que o setor tenha capricho com a produção agrícola. “Para uma produção sustentável é pre­ciso estar atento aos detalhes nas lavouras: manejo adequado de água e solo, monitoramento plu­viométrico e construção de bar­ragens para armazenamento da água das chuvas”, afirma.

Caetano destacou também o trabalho realizado pela Irrigo em defesa do irrigante, garantindo re­presentação dos produtores rurais juntos aos órgãos públicos e rea­lizando levantamento de infor­mações para estudo da agricultu­ra irrigada em Goiás. “Há muito o que se avançar, mas a Irrigo tem trabalhado incansavelmente para organização do setor agrícola de Goiás, para que, com dados em mãos, possamos traçar estratégias e ações para gestão dos recursos hídricos no estado”, conclui.

 

 

Ministro é convidado a abrir 73ª Expo-GO

O ministro Blai­ro Maggi foi convidado pelo presidente da Socie­dade Goiana de Peque­na e Agricultura (SGPA), Tasso José Jaime, a abrir a 73ª Exposição Agrope­cuária de Goiás. O con­vite ocorreu durante vi­sita, à semana passada, do dirigente da entida­de promotora da tradi­cional feira ao Ministério da Agricultura, em Bra­sília. Tasso Jaime estava acompanhado do deputado federal Roberto Balestra, da bancada goia­na, e do diretor de Planejamento da Emater-GO, Enéas Vieira Pinto.

Maggi foi bastante atencioso, agradeceu o convite. Às voltas com a crise do frango, cujas exportações de vinte plantas foram interrompi­das pela União Européia, prometeu envidar esforços para estar presen­te em Goiânia. A Expo-Goiás está prevista para o período de 18 a 27 de maio, no Parque Agropecuário Dr. Pedro Ludovico Teixeira. Além de negócios com comercialização de animais, leilões, rodeios, pales­tras, há uma série de shows sertane­jos, apreciados pelo público goiano.

 

 

Feira prevê R$ 2,3 bi em novos negócios

Com a perspectiva de cresci­mento na safra de grãos no País, a Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), que começou ontem em Ribeirão Pre­to, São Paulo, prevê bater as vendas de 2017, amparadas em novidades tecnológicas que incluem helicóp­teros e máquinas e equipamentos para reduzir custos e ampliar a pro­dutividade no campo. A abertura da feira riopretana contou com a presença do presidente Michel Te­mer, governador de São Paulo, en­tre outras autoridades.

A 25ª edição da feira projeta atrair ao menos 150 mil visitan­tes até a próxima sexta-feira (4) e alcançar R$ 2,3 bilhões em ne­gócios concluídos ou iniciados no evento com as 800 marcas pre­sentes. Em 2017, foram R$ 2,2 bi­lhões em negócios, com 159 mil pessoas de 70 países.

Tradicionalmente, grandes marcas do setor fazem seus lan­çamentos na feira agrícola, que é considerada um termômetro do agronegócio brasileiro e respon­sável por ditar o ritmo dos investi­mentos ao longo do ano.

Além da previsão de grande safra no País, para o presidente da Agrishow, Francisco Matturro, os negócios podem ser favoreci­dos também pelo fato de bancos que estarão na feira anunciarem a isenção de uma taxa, que pode significar queda de 3% no custo das máquinas.

“É uma economia considerá­vel num cenário de juros em que­da”, disse.

NOVIDADES

De olho nos empresários do agronegócio brasileiro, a TAM Aviação Executiva apresentará na feira o helicóptero Bell 505 Jet Ran­ger X, com assentos que podem ser removidos para transportar até cinco pessoas e que possui portas mais largas, para facilitar acesso de passageiros e cargas.

O agronegócio responde por cerca de 40% das vendas da em­presa, diz o diretor comercial Ra­fael Mugnaini.

Além do ar, há lançamentos para a terra, como um controla­dor de irrigação por satélite, da Rivulis, empresa com matriz em Israel. O equipamento faz uma varredura da área plantada e envia ao produtor a situação de sua la­voura sobre a necessidade de mais ou menos água ou fertilizantes.

“No passado tínhamos sensores e estações que davam dados de cli­ma e estimavam a perda de água. Agora essa informação vem do es­paço, não necessitamos de dispo­sitivo na propriedade, portanto não há custo de aluguel ou de compra de produto”, disse Guilherme Sou­za, gerente nacional de vendas.

A Valtra apresentará uma pla­taforma maior, de 45 pés, dedica­da à colheita de grãos e que teria condições de produzir 10% a mais por dia ou 11 hectares (o equiva­lente a 15 campos de futebol pa­drão Fifa), diz Fabricio Müller, ge­rente de marketing de colheitadeira da Agco, para a Valtra.

Já a John Deere lançará na fei­ra o Operations Center, platafor­ma de gerenciamento de dados agronômicos com informações sobre a máquina, a produção e a agronomia. A partir de um cruza­mento de dados, o produtor sa­berá como reduzir custos com in­sumos e operação.

 

  • Local, previsão de negócios e público esperado

Agrishow

Ribeirão Preto

R$ 2,3 bi

159 mil pessoas

Tecnoshow

Rio Verde (GO)

R$ 2,5 bi

106 mil pessoas

Expointer

Esteio (RS)

R$ 2,03 bi

382 mil pessoas

 

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