Cotidiano

Mensagem de natal para fazer pessoas melhores

Redação DM

Publicado em 6 de janeiro de 2016 às 16:50 | Atualizado há 10 anos

A mensagem do Papa Francisco ainda em dezembro de 2014 permanece atual e chama a cristandade à reflexão de modo sério e urgente para o abandono da cultura de bens materiais e acumulação de riquezas. O discurso do Santo Padre foi proferido durante confraternização de natal dele com cardeais na Santa Sé e chamou a atenção pelo tom duro e direto com que ele exortou os príncipes da Igreja a uma retomada de postura.

O Sumo Pontífice criticou de modo incisivo os líderes católicos classificando como “síndrome do acúmulo de bens”, além de externar sua consideração sobre o que classifica de “15 doenças” que contaminam e comprometem o papel evangelizador da Igreja.

A forma impiedosa com que o Papa lembrou de posturas como “doença do lucro mundano”, “rivalidade” e “glória vã”, além de se referir à “covardia” e “terrorismo de fofocas” que os lideres da Igreja Católica estariam reféns serviu para chamar todos os católicos à reflexão.

A cultura da acumulação de riquezas e o abandono de práticas solidárias é uma constante no ser humano, principalmente em tempos de capitalismo que prega mais o “ter”, em detrimento do “ser”. Com essa visão o Papa faz sua pregação sempre atual em tempos de festa como as que finalizaram o ano de 2015: natal e ano novo.

As lembranças de que o cristianismo nasceu na pobreza e com a partilha solidária de todos os bens norteou os teólogos durante o último grande ciclo de debates da fé: o Concílio Vaticano II (1962-1965). Convocado pelo papa João XIII o Concílio traçou as bases para a Igreja contemporânea, como ecumenismo, retorno às origens e opção preferencial pelos pobres.

A Igreja ainda reafirmou essa postura no Encontro Episcopal de Mendelin, na Colômbia (1968) e Puebla, no México em 1979, mas o confronto entre progressistas e conservadores acirrou a disputa pelo poder de pregar a doutrina. A posição vanguardista dos teólogos foi calada pela força da Cúria Romana. Mas, a ascensão do Papa Francisco, um Jesuíta de formação, retornou a postura de que a Igreja deve preferir a pobreza e os pobres.

A partir dessa posição os discursos do Papa Francisco falam sempre sobre a necessidade da Igreja ser mais apostólica e menos temporal e que todos devemos combater a “esquizofrenia existencial”, além de aprendermos a repartir como irmãos.

As festas de natal são sempre um momento de confraternização entre as pessoas. Passado esse período de entorpecimento é imperioso que as posições sejam revistas e recolocadas em sintonia com princípios éticos, humanistas e cristãos, como prega o Papa Francisco.

A oportunidade que se abre nesse período vago entre o natal e a quaresma é uma chance de reflexão para como está a postura individual em relação à coletividade, principalmente com os menos favorecidos.


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