Cotidiano

Monstruosidade impune

Redação DM

Publicado em 30 de janeiro de 2018 às 01:07 | Atualizado há 1 ano

Um cão foi morto e esquar­tejado num abrigo para animais, em Trindade, Região Metropolitana de Goiânia, na última sexta-feira (26). Pedro Henrique Moreira, de 19 anos, foi preso no dia seguinte e, em depoimento, afirmou que é mo­rador do bairro Vila dos Sonhos, o mesmo em que os cachorros ficavam, e teria matado o animal por causa dos constantes lati­dos. Na manhã de ontem, dia 29, um grupo de cerca de 40 pessoas protestou em frente à Secretaria de Segurança Pública do Esta­do de Goiás, exigindo que o cul­pado seja preso pelo crime.

Advogada e protetora de ani­mais independente, Ana Lui­za Laureano, de 28 anos, con­tou que o animal foi encontrado por sua colega, a também cuida­dora Ana Maria Borges Rios, ain­da na sexta-feira (26). Segundo ela, cinco cachorros ficavam em uma casa de apoio na cidade, re­cebendo cuidados até que en­contrassem um adotante.

“Ela chegou para colocar co­mida e água, mas viu uma cena de horror. Muito sangue e as par­tes dele espalhadas, horrível. Ou­tro cachorro estava com um cor­te profundo no pescoço, mas foi socorrido, passou por cirurgia e já está melhorando”, relata a advo­gada. Ainda segundo ela, os ani­mais sobreviventes foram levados para outro lugar, para evitar que voltem a ser vítimas de situações parecidas. “Infelizmente por aqui está assim. São muitos animais abandonados e quem não gos­ta age dessa forma”, completou.

“A lei tem que ser cumprida, não dá para ele fazer o que fez e ficar livre”, cobrou Lúcia Peixo­to, voluntária de uma ONG que cuida de animais. O grupo levou cães de estimação para o protes­to cobrando maior rigor na pu­nição. “Queremos que ele pague pelo crime. Não pode só colher depoimento e deixar ir embo­ra. Nada foi feito. Ele zombou da nossa cara”, disse Lúcia.

 

Mais de 20 pitbulls encontrados com sinais de maus-tratos

 

Mais de 20 pit bulls foram en­contrados com feridas, famintos e em péssimas condições de higie­ne, em Goiânia. De acordo com a Polícia Civil, os cães são vítimas de maus-tratos e eram comercializa­dos entre R$ 50 e R$ 100. O dono, segundo a instituição, é um usuá­rio de drogas que já passa por um processo de maus-tratos a ani­mais. O delegado Luziano de Car­valho, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente (Dema), afirma que quer que os animais sejam ado­tados antes do término do julga­mento do processo. Na casa tam­bém mora uma idosa de 70 anos, mãe do proprietário.

“Tem ferimentos nos animais, eles brigam entre si e o espaço é pequeno, muito sujo. A alimenta­ção também está em falta, o que é um caso grave. O proprietário é dependente químico, a mãe é cadeirante e, inclusive, está com a saúde muito debilitada”. A casa fica no Setor Vila Nova, em Goiâ­nia. Os animais foram localizados pela polícia depois de uma de­núncia feita por um vizinho. Ele afirma que já presenciou os ani­mais sendo agredidos e já houve casos em que alguns já morreram. “Existem maus-tratos, cães sendo enterrados dentro de casa. Pedi­mos socorro às autoridades para tirar estes cães daqui o mais rápi­do possível”, desabafou.

O delegado disse que procura uma forma de retirar os animais da residência e que vai comuni­car a situação ao juiz, antes mes­mo do julgamento da ação que o proprietário responde. “Estou procurando um assistente so­cial, a Vigilância Sanitária, para que possamos salvar este ani­mais e, sobretudo, ajudar esta fa­mília, encaminhar o dono para um tratamento adequado, reti­rar esta idosa do risco que sofre”, conclui o delegado.

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