Operação de 2021 origina apuração que afasta delegado, escrivão e policial em Goiás
Redação Online
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 11:09 | Atualizado há 1 hora
Três policiais são afastados após suspeitas de desvio de cargas apreendidas em Goiás | Foto: Reprodução
O delegado Alexandre Bruno, o escrivão Sílvio Pereira de Macedo e o policial civil Antônio Gomes de Assis Sobrinho foram afastados por 90 dias após uma investigação sobre o suposto desvio de cargas apreendidas. O caso teve origem em uma carga de vergalhões avaliada em R$ 1,4 milhão, apreendida durante a Operação Fogo Amigo, em 2021.
Segundo o Ministério Público de Goiás (MP-GO), o delegado autorizou o armazenamento de mercadorias e veículos apreendidos pela Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar) em galpões particulares. A investigação apontou que parte desses bens teria sido retirada dos depósitos e colocada à venda de forma irregular.
Os promotores sustentaram que o empresário Sílvio Dutra, conhecido como Carioca, exerceu função central na guarda e na movimentação das mercadorias. Conforme a apuração, valores obtidos com a comercialização dos produtos teriam sido repartidos entre o empresário e agentes públicos ligados à unidade policial.
A Polícia Civil realizou buscas em um dos galpões de Sílvio Dutra em 2023 e apreendeu o celular do empresário. Segundo o processo, mensagens encontradas no aparelho trataram de supostos desvios, roubos e furtos de cargas, além de negociações relacionadas às mercadorias armazenadas.
O processo também apresentou o relato de um parceiro do empresário, que mencionou a entrega de uma sacola com R$ 200 mil ao delegado. O dinheiro, conforme o depoimento incluído na investigação, teria relação com a compra de um imóvel em condomínio.
Além das suspeitas de desvio, o Ministério Público indicou possíveis tentativas de dificultar a apuração dos fatos e intimidar testemunhas. O processo reuniu relatos de pessoas que afirmaram ter recebido ameaças e apontou suspeitas de registros policiais e certidões com informações falsas.
Com as medidas cautelares, os três investigados ficaram impedidos de frequentar delegacias. Distintivos, carteiras funcionais e armas foram recolhidos, enquanto senhas, credenciais e acessos a sistemas de inteligência e bancos de dados da Polícia Civil de Goiás foram bloqueados.
Alexandre Bruno negou envolvimento no esquema e afirmou que colocou o sigilo fiscal à disposição da Corregedoria da Polícia Civil. Ele confirmou que conhecia Sílvio Dutra e explicou que depósitos particulares receberam cargas apreendidas porque a estrutura da delegacia não comportava todo o material.
Segundo Alexandre Bruno, a utilização dos espaços particulares ocorreu com conhecimento da necessidade de armazenamento e mediante procurações das vítimas responsáveis pelas cargas. O delegado também afirmou que solicitou à direção da Polícia Civil a contratação de galpões para solucionar a falta de espaço.
As defesas do escrivão e do policial civil afirmaram que os investigados tinham conhecimento das acusações, permaneciam tranquilos e confiavam na Justiça. O advogado de Sílvio Dutra informou que o empresário estava preso havia quase um ano e que apresentaria manifestação ao longo do processo.
A Polícia Civil informou que a Corregedoria instaurou procedimento para apurar as condutas relacionadas ao caso. A instituição também comunicou que as diligências permaneciam sob sigilo e que cumpriu as determinações cautelares estabelecidas pelo Poder Judiciário.