Presos suspeitos de desvio de remédios de alto custo
Redação DM
Publicado em 1 de fevereiro de 2018 às 01:09 | Atualizado há 8 anos
A Corregedoria Geral da Administração (CGA) do Estado de São Paulo e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, deflagraram ontem a Operação Medlecy II, que prendeu nove pessoas investigadas por desviar medicamento de alto custo para o tratamento de câncer, entre eles, um servidor público. Dois empresários foram presos em Goiás suspeitos de desviar remédios de alto custo de hospitais e repassá-los para empresas de São Paulo.
Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e sequestro de um carro de luxo. Um dos empresários tem 33 anos e foi detido em Goiânia. Já o outro preso tem 36 anos, mora em Aparecida de Goiânia, mas possui uma empresa em Senador Canedo, cidades localizadas na Região Metropolitana da capital. Ele também já foi funcionário de um hospital.
Durante a ação, os agentes de polícia apreenderam medicamentos de alto custo em uma empresa e em duas residências, além de R$ 8.450,00 em espécie, escondidos dentro de uma capa de terno dobrada em uma das residências. Houve também o sequestro judicial de um veículo de luxo.
De acordo com as investigações, os dois presos de forma preventiva seriam fornecedores de medicamentos de origem ilícita e abasteciam os demais membros da organização criminosa sediados na cidade de Bauru, em São Paulo, para onde enviavam os medicamentos via Correios. Eles foram delatados por outros membros do grupo presos durante a primeira fase da operação.
Ambos passarão por exames no Instituto Médico Legal (IML) e depois por interrogatório no Ministério Público de Goiás. Ainda hoje serão levados para a Casa de Prisão Provisória, onde ficarão à disposição da Justiça do Estado de São Paulo.
A Operação Medlecy II é desdobramento das investigações iniciadas em abril de 2015. De acordo com esta primeira investigação, os criminosos conseguiam medicamentos de alto custo de origem ilícita, como furto, roubo e desvio de órgão público, para, em seguida, promover a venda desses medicamentos a clínicas e hospitais.
Ao final da investigação, o Gaeco de Bauru ofereceu denúncia contra 15 pessoas residentes em Piratininga, Bauru, São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, além de Goiânia, em Goiás, por organização criminosa, crime contra a saúde pública e receptação dolosa qualificada.
Na época, junto com o oferecimento da denúncia, foram cumpridos 12 mandados de prisão preventiva e efetuadas buscas em 37 endereços, além do sequestro de bens. Deflagrada em 19 de maio de 2016, a ação recebeu o nome de Operação Medlecy, nome da empresa de fachada, criada para atuação do esquema. Os investigados da primeira operação encontram-se respondendo a processo crime perante a 3ª Vara Criminal de Bauru, sendo que oito continuam presos.
Após a primeira ação do Gaeco, novos elementos surgiram a partir do trabalho realizado pela Corregedoria Geral da Administração, que identificou que caixas dos medicamentos de alto custo recuperadas durante a operação, inicialmente tinham sido vendidas à Secretaria de Estado da Saúde para o tratamento de câncer. Pelos valores de aquisição, cada caixa custava cerca de R$ 8 mil.
Foi assim que a Corregedoria detectou que um dos investigados é um funcionário público do Estado de São Paulo e trabalha como motorista no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Investigações indicam que entre abril e maio de 2016, o servidor teria recebido R$ 125 mil em depósitos bancários.
As novas provas reunidas deram origem a esse outro procedimento investigatório, que culminou com a deflagração da Operação Medlecy II. O exame dos novos elementos de prova, em conjunto com as obtidas no curso da investigação anterior, permitiram a identificação de novos 11 membros ligados a mesma organização criminosa, sendo que dez deles ocupavam a função de fornecedor de medicamentos de origem ilícita.
A investigação aponta que o grupo criminoso, por meio das vendas desses medicamentos a clínicas e hospitais, obteve faturamento de cerca de R$ 16,5 milhões entre setembro de 2014 e maio de 2016.