Cotidiano

Racionamento de água cada vez mais próximo

Redação DM

Publicado em 3 de agosto de 2018 às 01:01 | Atualizado há 1 ano

A queda drástica do volume de água no Rio Meia Pon­te, principal manancial responsável pelo abastecimento de água potável em Goiás, acen­deu a luz amarela nas diversas en­tidades que compõem o Comi­tê da Bacia Hidrográfica do Meia Ponte (CBH Meia Ponte), criado em 2012 para tratar de políticas de preservação do rio desde que a sua degradação começou a fi­car com níveis mais preocupan­tes. Em reunião que durou cerca de cinco horas o que mais se ou­viu é que a população tem que ser informada do que está acontecen­do, de que o sistema está no limi­te, que o racionamento de água é inevitável e que os órgãos respon­sáveis têm que ser transparentes quanto a situação preocupante de degeneração do Rio Meia ponte.

Um dos temas mais debatidos do documento na reunião com grande número de entidades rea­lizada ontem no auditório da Fe­deração das Indústrias de Goiás (FIEG) foi a implementação de um Plano de Racionamento de Uso de Água com consequente redução dos volumes diários para abaste­cimento humano que deve ser de­finido em documentos específicos dos órgãos reguladores no caso, a Saneago e a Agência Goiana de Re­gulação (AGR)

No mês de julho a vazão do Rio meia Ponte chegou a limites drás­ticos caindo cerca de 30%. O presi­dente do Comitê da Bacia Hidro­gráfica do Rio Meia Ponte, Fábio Camargo afirma que, diante da atual situação de queda no volu­me de água não há outra alterna­tiva a não ser o racionamento. “A conta não fecha. O natural é que você tenha pelo menos um volu­me no rio de 10 mil litros por se­gundo para o abastecimento. Des­tes, 2.500 l/s são para a população. 3.500 l/s são destinados a vazão ambiental. 700 l/s são destina­dos às indústrias. Mesmo com o corte de 50% de fornecimento de água já feito pela Saneago para as indústrias como medida de eco­nomia a conta não fecha, ou seja, pouco mais de 6.000l/s, muito dis­tante dos 10.000 l/s necessários para o abastecimento de água na Grande Goiânia, então tem que ter racionamento.

Fábio Camargo explica que o sistema do Ribeirão João Leite ain­da não está totalmente implantado e, quando for, também não vai al­terar em nada a crise hídrica vivi­da pelo sistema do Rio Meia pon­te, já que sistema João Leite está sendo criado para atingir outras áreas onde o sistema Meia Ponte não chega, áreas estas hoje que são abastecidas por outras alternativas como os poços artesianos. “Não se trata ainda de alarmar a população e a gente começar a fazer rodízio no abastecimento de água no Sis­tema do Rio Meia Ponte, mas de buscar alternativas para uma eco­nomia geral, em todos os setores, para que possamos continuar ten­do água tratada, mantendo vivo o rio”, afirma.

SANEAGO

Em nota a Saneago informa que “devido à solicitação da AGR, o plano está em fase de elabora­ção, com vários cenários previsíveis estimados. No entanto, o raciona­mento vai depender do compor­tamento do Rio Meia Ponte, espe­cialmente das retiradas de água pelas propriedades rurais a mon­tante da captação da Saneago”.

 

 



Não se trata ainda de alarmar a população e a gente começar a fazer rodízio no abastecimento de água no Sistema do Rio Meia Ponte, mas de buscar alternativas para uma economia geral, em todos os setores, para que possamos continuar tendo água tratada, mantendo vivo o rio”

Fábio Camargo, presidente do CBH Meia ponte

 

Outros municípios e mananciais com problemas no abastecimento

Córrego Lajeado, em Are­nópolis; Ribeirão Santana, em São Luís dos Montes Belos; os Córregos Bacalhau e Pedro Lu­dovico, na Cidade de Goiás; o Ribeirão Saia Velha, que abas­tece Valparaíso de Goiás e Cida­de Ocidental; o Rio Meia Ponte, que fornece água para parte das cidades de Goiânia, Goianira, Trindade e Aparecida de Goiâ­nia; o Ribeirão das Lajes, que abastece parte de Aparecida de Goiânia; e o Córrego Arrozal, que abastece parte da cidade de Trindade. Nesses locais, a vazão dos mananciais está diminuin­do gradativamente com o final das chuvas, mas ainda é sufi­ciente para abastecer o sistema.

Segundo a Saneago abas­tecimento onde há problemas está sendo mantido regular­mente com o uso de poços.

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