Socióloga e ialorixá, morre Mãe Gisele Omindarewá, aos 92
Redação DM
Publicado em 23 de janeiro de 2016 às 03:05 | Atualizado há 11 anosRIO – Não fosse o constante entra e sai em sua casa, a socióloga Gisele Cossard, marroquina de cidadania francesa, poderia passar despercebida em Santa Cruz da Serra, Duque de Caxias. Tinha menos de 1,60m de altura e era profundamente identificada com o Brasil, onde pisou pela primeira vez em 1959. Deixou para trás um diploma de doutorado em sociologia pela Universidade de Sorbonne, em Paris, para se tornar uma das mais respeitadas ialorixás do país.
Batizada no candomblé como Mãe Gisele Omindarewá (“águas bonitas”), ela lembrou, no livro “Awô — Os mistérios dos orixás”, os caminhos que a levaram a abandonar a Europa, o marido — adido cultural da embaixada francesa no Brasil — e a bem-sucedida carreira acadêmica:
“Eu realmente me encontrei dentro do candomblé. Não sei como seria se não tivesse descoberto a religião, pois agora ela é o centro da minha vida. Nunca mais voltei à França, nem sinto saudades de lá, de jeito nenhum”.
A viagem sem volta de Gisele pelos mistérios do candomblé foi influenciada pelas experiências do amigo Pierre Verger, importante antropólogo francês que também se rendeu à religião africana.
Gisele morreu ontem, aos 92 anos, em Santa Cruz da Serra. Deixou dois filhos, uma neta e uma bisneta.