Tradição centenária reúne fiandeiras e celebra cultura em Hidrolândia
Redação Online
Publicado em 6 de novembro de 2025 às 14:05 | Atualizado há 7 meses
Mutirão das fiandeiras chega à 30ª edição no mesmo dia da Festa da Jabuticaba, reforçando identidade cultural e integração social no município
Meyrithania Michelly
O Centro de Convivência do Idoso (CCI) de Hidrolândia se transforma, todas as semanas, em um espaço onde história, memória e trabalho manual se encontram. É ali que mais de 100 idosos, em sua maioria mulheres, mantêm viva a tradição das fiandeiras, ofício centenário que atravessa gerações e se tornou marca cultural do município.
O projeto, mantido pela Prefeitura de Hidrolândia, tem coordenação de Kenia Leão e funciona com apoio direto do prefeito Zé Délio e da primeira-dama Carina Carvalho. Segundo Kenia, a iniciativa passou por uma reestruturação após anos de pouca atividade. “Quando assumi a administração do CCI, o grupo estava disperso, haviam poucas fiandeiras. O espaço era muito pequeno, mal cabiam os instrumentos. Graças ao prefeito Zé Délio e à primeira-dama Carina foi possível implementar o projeto em um local maior”, afirmou.
Mutirão e Festa da Jabuticaba
No dia 8 de novembro de 2025, Hidrolândia sediará o 30º Mutirão das Fiandeiras, evento que acontece simultaneamente à 4ª Festa da Jabuticaba, ambos com entrada gratuita a partir das 8h. A programação reunirá visitantes, artesãs, famílias e produtores locais, reforçando o papel do município como referência cultural no estado.
A primeira-dama Carina Carvalho, que acompanha de perto as atividades do CCI, destaca o impacto social do projeto. “A satisfação em ver os idosos sendo acolhidos não tem preço. Nós temos uma proximidade grande com cada um que está aqui. É um trabalho social que vai além. Zé Délio e eu fazemos questão de ouvir cada família e acolher como possível”, afirmou.

Reconhecimento e expansão
A ampliação do projeto deu visibilidade às fiandeiras, que passaram a receber convites e reconhecimento fora da cidade. Para Kenia, o avanço não é apenas cultural, mas político e social. “Zé Délio desempenha um papel crucial no projeto. Além de fortalecer a tradição, despertou o interesse de outros municípios. Antes, o grupo era pequeno e quase invisível. Hoje, é reconhecido em todo o estado”, disse.
O ofício em movimento
Aos poucos os idosos vão chegando e ocupando seus lugares à frente dos instrumentos de trabalho. Para os que não tem como ir, a van da prefeitura busca e leva. O método, passado de mãe para filha, mantém técnicas preservadas há décadas. É o caso de Isabel Santana, 78 anos, participante há oito anos. “Desde menina vejo minha mãe trabalhar como fiandeira, e foi ela que me ensinou todo o processo”, contou.
Cada etapa da produção segue um processo manual detalhado. Primeiro, é feita a retirada das sementes. Em seguida, outra equipe realiza a catação das impurezas. Depois, vem a fase de desfiar e peneirar o algodão, processo conhecido como “passar o algodão no godó”. Outro grupo fica encarregado de cardar, que nada mais é do que deixar o material bem fininho e alinhado. Feito isso, as fiandeiras partem para a fiação nas rodas, etapa que prepara o material para a tecelagem nos teares.

Tradição, afeto e futuro
Mais do que manter viva uma técnica artesanal, o projeto das fiandeiras cumpre papel social: combate o isolamento, gera renda, estimula memória afetiva e fortalece laços comunitários. A edição de 2025, que une o mutirão à Festa da Jabuticaba, outro símbolo local, reforça a identidade cultural de Hidrolândia, conhecida como “Capital Goiana da Jabuticaba”. O município transforma tradição em encontro, e encontro em história. E, como dizem as fiandeiras, enquanto houver algodão, haverá roda, e enquanto houver roda, a memória não se rompe.