Villa Mix impede a entrada de pessoas fora do padrão
Redação DM
Publicado em 28 de setembro de 2017 às 18:28 | Atualizado há 1 ano
Uma ex-funcionária da casa de festa noturna, Villa Mix, foi afastada após permitir a entrada de um homem negro na boate. A mulher relatou que recebia ordens da gerência para proibir a entrada de pessoas negras, e também das que aparentavam ter baixo poder aquisitivo ou que fossem feias.
A ex-funcionária da boate, que é uma mulher negra, anexou na denúncia um trecho da conversa que teve com seu gerente.

Ele manda a foto de um homem negro e pergunta: “Quero saber quem liberou”
Ela assume a responsabilidade e explica: “Denis esse cara estava junto com um cliente da niss e eu barrei, a niss pediu pra vc e ela disse que vc liberou. Eu falei que não era perfil… Não falei Niss?”
Ao que ele responde: “Eles pegaram mesa na pista”
O gerente reitera: “Ela disse que eu liberei como assim?”.
Em resposta, a autora da ação afirmou: “pergunta pra niss foi a última mesa que entrou”.
“Não liberei. Mas amanhã alinhamos isso”, reagiu.
No dia seguinte, a funcionária foi afastada da casa noturna, sem nenhuma justificativa.
Em declaração ao juiz a casa noturna negou as afirmações de racismo.
O juiz do caso declarou o seguinte na decisão: “Suas ordens eram para autorizar somente pessoas que se enquadravam no perfil autorizado pela empresa, excluindo os negros. Mesmo quando havia reserva, se a pessoa fosse de raça negra, não era autorizada a entrar, havendo imediata exclusão na lista de reservas. A empresa exercia rígida fiscalização quanto a isso, ressalvadas celebridades”.
A ex-funcionária irá receber indenização no valor de R$ 60 mil por danos morais.
Desde 2015 o Ministério Público de São Paulo investiga outras denúncias de discriminação da boate. Alguns ex-funcionários e frequentadores da casa, criaram uma página na rede social para falar das situações que já passaram no estabelecimento.
