Desativada 2

A garotinha da voz de fogo

Redação DM

Publicado em 9 de dezembro de 2015 às 17:47 | Atualizado há 1 ano

Cássia Eller morreu antes de completar 40 e hoje seria seu aniversário de 53 anos se ela não tivesse nos deixado. A causa de sua morte foi um infarto e consecutivas paradas cardíacas. A época a especulação é que Cássia sofreu a parada por conta de uma overdose, mas os exames apontaram que ela não havia usado drogas e que ela já tinha problemas cardíacos.

Quando Cássia morreu ela deixou um filho ainda criança, Francisco ou Chicão. No ano de 2001 o país inteiro acompanhava a briga pela guarda do garoto, entre a companheira de Cássia, Maria Eugênia Vieira e o pai da cantora, o sargento Altair Eller. A guarda ser concedida a um parceiro homossexual era uma coisa rara por aqueles tempos.

Maria Eugênia sempre havia sido uma das mães de Chicão, já o avô pouco tinha contato com ele até o óbito da filha. Ela afirma que o interesse do avô na guarda do neto, que na época tinha 8 anos, era de cunho financeiro, pois Cássia deixou um patrimônio milionário. Ao fim a guarda ficou com a esposa de Cássia, hoje Chicão tem 21 anos.

Atualmente Chicão além de ser semelhante fisicamente com Cássia, seguiu os passos de uma de suas mães e também se dedica a música. O nome de sua banda é 2×0 Vargem Alta, onde toca violão e canta. As músicas da  banda são autorais e seu som é de influência blues, folk e MPB e lançaram seu primeiro disco nesse ano.

Sobre o que pouca gente viu

A vida e carreira de Cássia estão registradas em dois livros e um documentário. Os livros são: Canção na voz do fogo, da autora Beatriz Helena Ramos Amaral, publicado no ano de 2002 e Apenas Uma Garotinha de Ana Cláudia Landi e Eduardo Belo publicado em 2005.

Já em questão de produção audiovisual sobre a vida da intérprete, Paulo Henrique Fontenelle fez um documentário lançado no começo desse ano. O filme mostra raridades sobre a obra e vida de Cássia. Fontenelle também realizou o filme “Lóki” sobre Arnaldo Baptista e relata que a ausência do personagem cria alguma dificuldade na construção do trabalho, mas ele topou o desafio.

A viúva, Maria Eugênia, abriu sua casa e coração para a construção do material. Sobre o documentário ela afirma sua satisfação “Na verdade, queria que houvesse uma homenagem à Cássia, que os outros pudessem conhecer a pessoa maravilhosa que ela foi. Não só a Cássia Eller artista, sapatão, que mostrava o peito no palco”.

Passeando pelo som

O sucesso da cantora chegou lá pelo fim dos anos 80, o ano em que sua carreira de fato decolou foi em 1989. Cantou por muitos bares de Brasília até chegar a fama. Apesar de ser carioca foi entre os calangos de Brasília que começou a surgir no mundo da música. Seu primeiro contrato foi com a gravadora PolyGram, a música escolhida para gravar a demo foi “Por Enquanto” de Renato Russo.

Na sua carreira até fez uma ponta em um grupo de forró. Ela já era conhecida na época mas em visita a um amigo na cidade fluminense de São Pedro da Serra, entraram na brincadeira de se apresentar como o “Trio Come Água”. Sem dar satisfações ao empresário e anunciando com cartazes feitos a mão tocou para um pequeno clube na cidade interiorana. Eles ainda repetiram essa apresentação em outros lugarejos perdidos em 99 e 2000.

Um dos seus maiores parceiros musicais foi Nando Reis. O compositor lhe cedeu diversas canções, o vocal de Nando não agrada a maioria como o de Cássia e suas músicas muitas vezes fizeram mais sucesso na voz dela. Muitas composições de Nando nem passaram por sua voz e foram diretamente presenteadas a Cássia.

A sua música símbolo “Malandragem” é de uma parceria entre Cazuza que fez a letra e Frejat que fez a melodia. Porém como pensar nessa canção desvencilhada de Cássia, ela sabia colocar muito dela mesmo quando interpretava uma canção de outra pessoa.

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