Desativada 2

“Andei pisando pelas ruas do passado…”

Redação DM

Publicado em 17 de agosto de 2015 às 17:49 | Atualizado há 1 ano

Nasser Najar

 De fato o FICA 2015 não foi muito badalado. Com pouquíssimas atrações e quase nenhum artista famoso, o evento desse ano atraiu poucos turistas. Eu acompanho o festival desde 2011 e já tivemos estrelas como Manu Chao, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Nando Reis, Gal Costa e até mesmo o maracatu atômico do Nação Zumbi.

Não contar com músicos de fora, fez a cidade menos atraente no imaginário dos turistas, mas mesmo assim, a Cidade de Goiás não deixa nunca de surpreender e encantar.

Este ano quem veio curtir o evento pode se locomover pelas ruas sem o estresse das multidões e apreciar as belezas e sutilezas que cada esquina tem para oferecer.

Os restaurantes e bares finalmente ofereceram um serviço mais agilizado e até mesmo o famigerado Morro do Macaco, conhecido pelo forró que toca a noite inteira e por desafiar a lei da física que diz que dois corpos não ocupam um mesmo lugar no mesmo tempo, foi bom de dançar sem pisar nos pés dos outros casais.

O FICA continuou oferecendo bons shows paralelos na Praça do Coreto, e dessa vez as pessoas conseguiam lugar para sentar, conversar e beber uma cerveja sem sofrimento.

Cidade compartilhada

Goiás tem muito a oferecer, as ruas de pedras, os postes retrô e as encruzilhadas místicas são encantadoras a cada passo. A cidade finalmente encontrou um público que não a deixa ser caótica e também não a torna monótona.

Todos os eventos foram bem organizados e não houve tumulto em nenhum show. Com a cidade mais vazia, os filmes, palestras e eventos em geral foram mais agradáveis de acompanhar.

Conversando com “Morena”, vila-boense de 43 anos, ela diz que em todos os festivais ela sentia a cidade emprestada para um público que ela não se identificava e que excluía a comunidade local. “A cidade só voltava a ser minha na terça-feira”, frisa Morena. Esse ano ela comentou que Goiás pode ser “compartilhada” entre os turistas e os moradores

Na opinião de Morena, somente os moradores que são comerciantes se beneficiam diretamente do FICA e também conta que em 2011 presenciou um caso de exclusão e preconceito com um morador da cidade na Praça do Coreto por parte de policiais. “Esse ano que está parado todo mundo é bem-vindo”.

Outro ponto de qualidade esse ano são as ruas limpas. Apesar de todo ano ter campanhas de conscientização contra poluição, somente em 2015 se viu uma cidade limpa, sem lixos espalhados por todo canto.

Aprendizado

No próximo ano, o FICA não pode faltar com nomes de artistas mais populares e um cenário musical forte. Este ano fica o aprendizado de como organizar um festival sem deixar a cidade bagunçada. Todos os anos o turista festeja e a ressaca fica para o vila-boense. Que a partir de 2016 tenhamos uma cidade novamente convidativa e com melhor programação cultural.

O DM Revista fez uma cobertura do evento e da cidade ao longo da semana.

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