Desativada 2

Consagrando o reinado do rap

Redação DM

Publicado em 23 de fevereiro de 2016 às 22:24 | Atualizado há 1 ano

 

O bonde do rap não para na Gyn city e ele saiu dos fundões da cidade para dominar cada dia mais o espaço urbano. O mais novo rolê do rap, partindo das periferias para as casas e shows dos bairros nobres de Goiânia, é o King Size Rap Sessions. Em locais confortáveis e preço acessível, o King Size chegou para movimentar e dar visibilidade a cena.

O foco do evento é o rap regional. Juntando o rap de todos os cantos da cidade em um mesmo espaço. Todo domingo em um ambiente descontraído para quem curte a cena hip hop. A ideia é valorizar grupos e  que constroem o rap goiano de qualidade. A ideia e organização partiram do Mc Fabones do grupo “Boca Seca”.

A primeira edição, nesse domingo, rolou no setor Marista, na casa de show “Altezza”. A organização do evento escolheu esse espaço visando um maior conforto para o público e os grupos. O ambiente estruturado fortaleceu as apresentações. Afinal o rap é expressão legítima e forte da cultura goiana e merece ocupar todos os cantos, desde os ginásios da periferia até as boates.

As atrações do fim de semana que passou foram os grupos “Soldados Suburbanos” representando a linha gangsta  do rap. A “Tropa H2” fazendo às vezes do rap com levada reggae. E o grupo “Ápice”, grande nome do rap underground goiano, que ainda adiciona a sua música o reggae e a roda de coco.

Além das atrações marcadas ainda teve espaço para os presentes mostrarem seu trabalho. Aquele momento de palco aberto, boa chance de mostrar seu som e começar sua caminhada até o reconhecimento. Como a Mc Karen e a galera do seu grupo “YFC” que aproveitaram o público e deram uma amostra de sua música. Mulheres representando no rap.

A galera da cena

Léo do grupo “Apice”, do Riviera, zona leste, diz que esse tipo de evento representa a maturidade do rap goiano como expressão artística. O Mc ressalta que o recado do rap sempre será o mesmo, relatos da periferia sob a visão de quem habita os fundões da cidade. Léo diz “Esse evento possibilita a união do rap de todas as regiões de Goiânia. É o rap tamanho família, pra todo mundo”.

Léo também observa que apesar do local do evento se tratar de um bairro nobre de Goiânia, em palcos que não estão acostumados ao rap local mas que abrigam vários shows de rap de fora, a maioria do público é da galera que sempre acompanha as bandas e muita gente das periferias. Mc Gênesis do grupo “Efeito” concorda com Léo que mesmo naquele espaço a maior parte do público era da “quebrada” apesar do espaço trazer outras galeras ao show.

Tio Boy, que mora no bairro Santa Fé, que fica a mais de 20 Km do centro da cidade, é um Mc da velha guarda do rap dessas bandas. Ele ressalta que há 15 anos atrás quando ele começou com seu grupo “Soldados Suburbanos” , a cena era mais fraca, mais rala, porém muito unida para quebrar os preconceitos e resistência causada por essa expressão que era relativamente nova na cidade. O grupo ainda conta com o Mc Costela e o Dj Berimbau.

Boy diz que apesar de já ter um certo tempo de estrada, antes dele tinha uma galera muito firmeza aqui mesmo da grande Goiânia que inspirou seu som. Como o grupo “Conexão Suburbana” de Aparecida ao qual ele homenageia no nome do seu bonde “Soldados Suburbanos”. Boy ainda fala que “soldados” é uma ironia por causa da diária violência policial sofrida pela galera da periferia.

A Batalha do Rei

Uma batalha inédita de rap também partiu da cabeça de Fabones, a Batalha do Rei. O esquema é o seguinte, o primeiro vencedor será coroado rei por sete dias e a cada edição ele será desafiado na final. Os gladiadores vão passar por uma seleção eliminatória até chegar ao Mc que vai encarar o rei e tentar ficar com a coroa. A cada edição só um rapper  poderá desafiar o rei.

Neste domingo o primeiro rei já foi coroado, o nome da fera é Kaique Sabotinha, de Aparecida de Goiânia. O garoto que mandou melhor no freestyle ganhou como premiação, além da coroa de rei do rap, uma tatuagem no valor de R$ 500,00 .

 Até o próximo domingo Kaique reina absoluto, mas ele vai ter que continuar mandando muito bem porque o mundo gira e a coroa pode ir pra outra cabeça. Mas por enquanto ele aproveita a glória do reinado.

O King Size é agora um rumo certo pra quem gosta de rap e não aguenta aquela melancolia de domingo. Pra espantar o medo da semana, da vida, do ônibus lotado da segunda nada melhor que o bom e velho rap. Nesse domingo, dia 28, quem vai colocar pra quebrar serão os grupos Sã-Conciência , Familia Pobre Loko e o S.C.A.

Além das atrações anunciadas, ainda tem um convidado de honra, um nome que é divulgado toda sexta antes do evento. O local continua sendo a boate Altezza e o ingresso custa apenas R$ 10,00.  Conforto e preço acessível só quem corre com a humildade do rap pode oferecer.

Lembrando as palavras do idealizador Fabones em uma entrevista ao DM “A gente gasta muito com ensaios, produções e gravações, precisamos da grande mídia para fazer eventos em lugares que tenham pessoas que possam pagam nossa arte. Se não vamos ser mais um grupo pra estatística. Mas o rap é do gueto e nunca vai sair de lá”.

 O King Size é uma dessas chances do rap goiano decolar e a galera que luta e trabalha por essa expressão alcançar reconhecimento e ter seu som valorizado.

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