Do bairro de Santa Fé a milhares de visualizações no Youtube
Redação DM
Publicado em 1 de março de 2016 às 21:50 | Atualizado há 1 ano
Nome de um grande rapper ele já tem, Eduardo. Hoje a história de um garoto que encontrou no rap a vontade de representar a periferia e se dedicar a música. Na contramão da moda de ostentação uma galera se dedica ao rap repleto de relatos de humildade e luta, como Eduardo Genuíno de 18 anos.
Eduardo já colocou seu trabalho pra rodar pela rede. O clipe de sua música “Só Deus pode me parar” já tem mais de 10.600 visualizações no Youtube, desde que foi publicado em dezembro do ano passado. O clipe foi produzido pela
Demorô Films, com produção de Daniel Sousa e direção e fotografia de Rafael Araújo. A qualidade do videoclipe, com cenas de vários locais da cidade, completa a música de Eduardo que fala sobre a correria e dificuldade de construir um bom rap.
Morador de Aparecida de Goiânia, do conjunto Estrela do Sul, foi na escola pública onde estuda, o Colégio Estadual Santa Fé, que descobriu que seu destino era o rap. Eduardo conta: “
Bom, comecei a minha caminhada em 2014. Tudo começou por conta de um show de talentos que ia acontecer no meu colégio. A turma tinha recebido um livro e cada um iria desenvolver algo encima daquela historia, eu escolhi fazer um rap. Fiz uma letra e cantei no dia, fiquei surpreso pela aceitação do pessoal. Então a partir daí foi que comecei a pesquisar e ter mais curiosidade sobre o rap e toda a cultura que envolve o hip hop.
Em todo canto da grande Goiânia acontecem batalhas de Mc’s que são um impulso na vida de muitos garotos ao mundo do rap, com Eduardo não foi diferente. “Foi muito importante as batalhas de Mc’s. Até mesmo antes de ter gravado meu primeiro rap. Um amigo, Matheus Oliveira, me levou pra um evento que acontecia toda sexta na praça matriz, no centro de Aparecida, o “Rimanação”. A partir dessa batalha eu pude conhecer de perto o movimento, sentir de perto aquela adrenalina. Foi um dia muito especial pra mim, logo na minha primeira participação eu consegui ser campeão da batalha naquele dia. Foi ali que despertou dentro de mim o desejo de contribuir de alguma forma pra cena”.
Sobre as influências musicais e da vida de Eduardo, ele responde: “As minhas influências…Sempre quis responder um pergunta assim (risos)”. Ele continua: “A minha maior influencia, dentro de tudo que eu desenvolvo, primeiramente é minha família, minha base vem daí. Minhas referências dentro do rap aqui em Goiás são o Renachong, Léo apice e Dmic. São três caras que realmente me identifico e admiro muito o trabalho de cada um. E Tenho um grande respeito pelos meus irmãos do grupo Tese (Daniel, Manassés e Felix) que também são representantes do rap em Aparecida de Goiânia”.

Ninguém consegue caminhar sozinho, ainda mais no mundo do rap que é significado de união, Genuíno lista suas parcerias. “O meu trabalho é solo, não tenho uma galera definida, uma equipe. Mas trabalho muito com o Daniel Souza do Estudio do Beco, todos os meu trabalhos saem de lá. Também trabalho com o Rafael Araújo que foi quem dirigiu o clip ”Só Deus pode me parar”. o Ariel Cassio é um grande parceiro também, que me ajuda com a página do facebook e as divulgações do meu trabalho”.
As letras de Eduardo são construídas no sentido de transmitir positividades às pessoas, como ele relata “O conteúdo das minhas letras é a vida. Eu tento passar uma mensagem positiva pro público, o quanto é bom viver e não se entregar as provações que o dia-a-dia nos oferece. Tento ser o mais sincero possível com minhas letras, transmitir o amor e a paz”.
O rap não é um só e tem inúmeras linhas e vertentes, como o gangsta, o underground e outros. Genuíno explica sua linha “Não é coisa simples mesmo. É quem tem o underground que faz uma mistura envolvendo diversos assuntos. A minha linha de raciocínio é o amor, o respeito com o próximo”.
Eduardo Genuíno dá o recado sobre suas expectativas: “Tenho boas expectativas do rap em geral. Temos grandes artistas na cena nacional, com trabalhos excelentes. Espero que continue assim, com mais grupos de destacando, mais artistas de carreira solo também. Isso tudo é muito importante acontecer, o rap vive um bom momento. E em Aparecida e Goiânia acredito que estamos no caminho certo.
O rap por tempos marginalizado e visto com olhos cheio de preconceito tem movimentado e organizado os jovens de periferia, tirando da criminalidade e mandando pra luta e pra arte. Um salve para o Eduardo e todos os garotos de todas as quebradas que correm junto com o rap.
