Isaac Karabtchevsky brilha ao lado da Orquestra Filarmônica de Goiás
Redação DM
Publicado em 11 de dezembro de 2015 às 03:28 | Atualizado há 11 anosWelliton Carlos
Apesar do barulho do sistema de ar do Centro de Cultura Oscar Niemeyer, a Orquestra Filarmônica de Goiás marcou pontos positivos em sua apresentação na noite desta quinta-feira. Primeiro fez história com a presença do maestro Isaac Karabtchevsky, considerado uma lenda da regência brasileira.
Segundo, ousou em um repertório mais maduro, que uniu o nacionalismo modernista de Villa Lobos e o nacionalismo romântico de Tchaikovsky. Apresentar a “Bachiana Brasileira nº4” é ousado, pois Villa Lobos não é uma especialidade da orquestra goiana e sua linguagem exige maior dedicação para fugir do pastiche interpretativo – e a orquestra de Goiás se saiu bem, lembrando a interpretação da Sinfônica de Porto Alegre para a mesma peça, registrada em 1986.
A leitura da “Sinfonia de nº 5”, de Tchaikovsky, foi delicada, com grande valorização dos silêncios, dos ralentandos e da sensibilidade do andante intermediário que encanta toda a música. Os violinos soaram perfeitos no contraste dos metais e arranjos graves.
Mais uma vez a plateia se hipnotizou com a música séria – apresentada por escrito em um painel – e pelos sons. As semifusas cativam o ouvinte pela mecânica e dinâmica da velocidade. O golpe de cada instrumentista em arpejos é um atestado de que a liberdade é a disciplina. Sem vigor, a música esvanece.
A escolha da apresentação de Isac Karabtchevsky foi providencial sob o efeito midiático: o Governo de Goiás pretende patrocinar um show do cantor Leonardo batizado de “Cabaré”.
Orçado em quase R$ 1 milhão, o evento sertanejo tem atraído a crítica de diversos setores da cultura, principalmente pelo fato de Leonardo não emplacar um hit nas paradas de sucesso há mais de uma década.
Assim, a apresentação da orquestra com um grande maestro foi um agrado ao setor que lotou o Centro Cultural Oscar Niemeyer, qual seja, quem procura cultura.
CONVIDADO
O evento desta quinta-feira não deixa de ser importante, mas na música de concerto a junção de uma orquestra com um maestro convidado costuma ser uma jogada para atrair atenção: o maestro convidado não tem o domínio da orquestra, pois não a conhece. Apenas leigos em música imaginam que é possível substituir um maestro que estudou com a orquestra por outro convidado, que acabou de chegar de outra realidade artística.
Para a maioria, todavia, o que importa é o resultado. Ao fim, a orquestra de Goiás fez muito bem: tocou a peça ensaiada exaustivamente com seu maestro genético e deixou que Isac Karabtchevsky viajasse em seus movimentos .
Se ele errasse um movimento, já estava tudo perfeito, pois a orquestra não erraria.
Por isso a apresentação desta noite, 10/12, foi a ideal união do teatro com a música. Ganhamos todos.