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A cantoria sertaneja

Redação DM

Publicado em 21 de dezembro de 2015 às 22:53 | Atualizado há 1 ano

Na história da música brasileira encontramos alguns artistas que presam pela estrutura. Esse tratamento delicado (quase o trabalho de um ouvires) na composição dos acordes é chamado atualmente de erudito. O termo é difícil de ser definido, pois serve tanto para definir aquelas canções clássica que celebram à fundo a cultura de uma região ou também pode significar aquelas músicas consideradas clássicas. A palavra erudito provém do latim ‘eruditus’, significando ‘educado’ ou ‘instruído’.

A música elaborada neste estilo desenvolveu-se segundo os moldes da música secular e da liturgia ocidental, em uma escala temporal ampla que vai do século IX até os nossos dias. Suas regras essenciais foram estruturadas entre 1550 e 1900. Esta música engloba várias modalidades, desde as complexas fugas até as operetas, criadas para entreter os ouvintes.

Apesar da música clássica ou erudita ter referência com o mundo europeu e séculos passados, no Brasil alguns músicos prezaram por esse lado, como fora dito. Haja vista a criação da Bossa Nova e a influência que Tom Jobim teve sobre a mesma. Sendo um dos melhores compositores do país, Tom inseriu no samba diversas tonalidades da música erudita, fato que transformou o estilo musical brasileiro em um dos mais conhecidos do mundo. Mas falaremos nessa matéria de um músico sertanejo que experimentou do pé às ideias de uma música profunda não só nas letras, mas também nos arranjos. Elomar Figueiras, violeiro e cantor de Vitória da Conquista, na Bahia, trabalha a tradição tanto do povo brasileiro sertanejo como a cultura ibérica e árabe que a colonização portuguesa trouxe ao Brasil.

Elomar Figueiras Mello nasceu no dia 21 de dezembro de 1937 na Fazenda Boa Vista de propriedade dos avós Sr. Vírgilio Figueira e Sra. Dona Maricota Gusmão Figueira. Teve a formação protestante desde pequeno o que influenciou na sua obra sendo que em diversas músicas Elomar utiliza passagens do Velho Testamento (em Ecos de uma Estrofe de Abacuc, por exemplo).  Dos três até os sete anos de idade viveu na cidade onde nascera, mudando para fazenda de alguns parentes como a Fazenda São Joaquim, frequente nas suas canções, e as Fazendas Brejo, Coatis e Palmeira. Formado em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia, acredita-se que a faculdade pode ter influenciado na sua produção musical devido ao trabalho construtivo dos arranjos.

Confira a discografia completa de Elomar:

Parcelada Malunga

Elomar, Arthur Moreira Lima, Xangai, Heraldo do Monte, José Gomes

Gravado ao Vivo no Teatro Pixinguinha (SP).

Na Quadrada das Águas Perdidas

Elomar, Elena Rodrigues, Dércio Marques, Xangai e Carlos Pita

Gravado no Seminário de Música da UFBA.

Fantasia Leiga para um Rio Sêco

Elomar e Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Bahia

Gravado no Auditório do Centro de Convenções da Bahia.

…Das Barrancas do Rio Gavião

Elomar.

Auto da Catingueira

Elomar, Jacques Morelembaum, Marcelo Bernardes, Andrea Daltro, Sônia Penido, Xangai e Dércio Marques

Gravado na Sala de Visitas da Casa dos Carneiros em Gameleira (Vitória da Conquista, BA).

Elomar em Concerto

Elomar, Jacques Morelembaum, Quarteto Bessler-Reis, Paulo Sérgio Santos, Marcelo Bernardes, Antônio Augusto e Octeto Coral de Muri Costa

Gravado ao Vivo na Sala Cecília Meireles (RJ).

ConSertão

Elomar, Arthur Moreira Lima, Paulo Moura e Heraldo do Monte

Gravado na Sala Cecília Meireles (RJ).

Xangai Canta Elomar

Xangai, Elomar, João Omar, Jacques Morelembaum, Eduardo Morelembaum, Eduardo Pereira.

Cantoria 1

Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias, Xangai

Gravado ao Vivo no Teatro Castro Alves (Salvador, BA).

Cantoria 2

Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias, Xangai

Gravado ao Vivo no Teatro Castro Alves (Salvador, BA).

Cantoria 3 Canto e Solo

Elomar

Gravado ao Vivo no Teatro Castro Alves (Salvador, BA).

Árias Sertânicas

Elomar e João Omar

Gravado no Estúdio Cacalieri — BA.

Cartas Catingueiras

Elomar

Gravado no “Nosso Estúdio” — SP.

Concerto Sertanez

Elomar, Turíbio Santos, Xangai e João Omar (part. especial)

Gravado ao vivo no Teatro Castro Alves dias 7, 8, 9 e 10 de janeiro de 1.988 em Salvador, BA.

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