Ele ainda vive!
Redação DM
Publicado em 23 de dezembro de 2015 às 21:14 | Atualizado há 11 anosRecife, 20 de dezembro de 2013. O dia amanheceu mais triste não só para o nordeste brasileiro, mas também para todos os fãs do gênero brega em todo o país. Reginaldo Rodrigues dos Santos, ou apenas Reginaldo Rossi, havia falecido naquela manhã de sexta-feira em decorrência de um câncer de pulmão, descoberto cerca de vinte dias antes. O cantor estava internado desde o dia 27 de novembro, quando deu entrada na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Memorial São José, após sentir fortes dores no abdômen e costas.
O cantor passou por um procedimento conhecido como toracocentese, que drenou cerca de dois litros de liquido de seu pulmão. Dias depois, um tumor foi retirado da axila de Reginaldo, após a biopsia veio o diagnóstico de tumor maligno em estágio primário. Portais de noticias em todo o país acompanhavam o caso de Reginaldo, que declarou estar otimista e que acreditava que venceria a batalha contra a doença. Mas uma piora no quadro clínico do cantor fez com que ele precisasse de aparelhos respiratórios, e dias depois veio a óbito.
O Rei do Brega, como ficou conhecido é autor da música “Garçom”, e de muitas outras do estilo que o consagrou, o brega-romântico, que trata de amor e traição. Mas sua carreira como cantor começou ao som do bom e velho rock’n’roll, no comando da banda The Silver Jets, uma das primeiras bandas de rock do Pernambuco. Influenciado por Elvis Presley e The Beatles, Rossi lançou pelo The Silver Jets três álbuns: O Pão (1966); A Festa dos Pães (1967); e O Quente (1968). ). Em 1970, com o disco À Procura de Você, Reginaldo Rossi marca sua inserção no mundo do brega e na Jovem Guarda. No inicio de sua carreira ele também fez aberturas de shows de Roberto Carlos.
O disco Teu Melhor Amigo, de 1987, traz em uma de suas faixas o maior sucesso de sua carreira. A música “Garçom” só chegou no eixo Rio-São Paulo no final da década de 1990, Reginaldo então estoura para todo o Brasil, quase trinta anos após o inicio de sua carreira. Seu ultimo trabalho foi o disco “Cabaret do Rossi” (2010), que lhe rendeu o Prêmio da Música Brasileira em 2011. Ao todo, Reginaldo conquistou ao longo de sua carreira catorze discos de ouro, dois de platina, um de platina duplo e um de diamante. Um ano após sua morte, a viúva do cantor, Cleide Neves também faleceu, de infarto aos 67 anos.
Cabaré
O último disco do cantor, intitulado Cabaret de Rossi, foi inspiração para a atual turnê dos sertanejos Leonardo e Eduardo Costa. Esta é a primeira vez que Leonardo canta em dupla deste a morte de seu irmão Leandro. O álbum e turnê Cabaré dos sertanejos embalam em nova roupagem canções de Amado Batista, Reginaldo Rossi e Waldick Soriano e tem arrastado multidões em todo o país.
O clima burlesco está presente não apenas nas músicas, mas no figurino das dançarinas, e na rica decoração dos palcos em que se apresentam. Uma apresentação do Cabaré está marcada para a virada de ano em Goiânia. Show que está causando uma polêmica nas redes sociais, pelo custo que o estado vai pagar para o cantor Leonardo, que chega a 850 mil reais.
Em agosto deste ano a Prefeitura de Recife anunciou que batizará a Praça Largo dos Coelhos, setor central da cidade onde Reginaldo Rossi passou a infância, com o nome do cantor. A proposta é do vereador Marco Aurélio Medreiros, que foi aprovada por unanimidade na Câmara de Vereadores. O vereador Marco Aurélio disse que a reinauguração da praça está marcada para acontecer no aniversário de dois anos da morte do cantor, e que serão vários dias de festa. Esta também é uma forma vista pelo vereador não só de manter viva a memória do Rei do Brega, mas também de resgatar e valorizar outros nomes ma música pernambucana.
O vereador espera que o nome de Reginaldo Rossi seja lembrado nas programações das rádios locais ao longo do dia, bem como em jornais da região. Cantores recifenses como Nena Queiroga, Gustavo Travassos, André Rio e o Conde do Brega estão cotados para se apresentar durante a celebração.
No ano 2000 foi lançado o álbum ReiGinaldo Rossi, um tributo ao artista com releituras de seus maiores sucessos, nas vozes de nomes consagrados da música popular brasileira como Lenine e Zé Ramalho. A banda Sir Rossi, do pernambucano Paulo Silvério também traz a proposta da releitura das musicas do saudoso Rei do Brega.