Desativada 2

Piano com samba, só pode ser Benito

Redação DM

Publicado em 27 de novembro de 2015 às 21:33 | Atualizado há 1 ano

Ninguém está isento de se apaixonar por uma encantadora cabrocha. Cabrocha? Sim, as lindas “mulatas” que brilham no carnaval, esse é o significado. O cara que se apaixonou por uma dessas moças é o músico Benito di Paula ou Uday para a família (esse é seu nome verdadeiro, Uday Vellozo). Benito completa hoje 74 anos de vida, boa parte deles dedicado a música.

Voltando a cabrocha, essa palavra e o som de Benito já se encontram meio distantes da realidade dessa geração. Mas vamos relembrar um pequeno trecho dessa “sofrência” carnavalesca “Mas chegou o carnaval e ela não desfilou. Eu chorei na avenida, eu chorei. Não pensei que mentia a cabrocha, que eu tanto amei”. Estes são versos do clássico “Retalhos de cetim” música do seu álbum “Um novo samba” de 1973.

Uma pausa pra dar saudade

Sucesso nos anos 70 no cenário da música nacional, Benito se afastou do estrelato nos anos 90. O motivo das suas férias do mundo da música, que duraram mais de uma década, seria o “boom” da música sertaneja no país nessa época. A febre do sertanejo não acabou com sua carreira, mas ele desanimou em gravar novos discos, porém fazia shows para seu público fiel.

Até o ano de 1996 foram dezesseis discos, aquela paradinha e voltou a regravar em 2009. Seu último disco na década de 90 foi “Que brote enfim o rouxinol que existe em mim”. Na sua volta gravou um ao vivo relembrando muitos de seus sucessos como “Mulher Brasileira”.

Outra música inesquecível é “Meu amigo Charlie Brown” referência ao garotinho cabeçudo dos quadrinhos do Snnopy. Benito gostava desse cartum e fez a canção como se recebesse o garoto no Brasil e tivesse que apresentar ao pequeno norte-americano as coisas boas de seu país “

Se você quiser, vou lhe mostrar torcida do Flamengo, coisa igual não tem”.

Sambão joia

Sabe o que é “sambão joia”? Seria mais ou menos o pai do nosso querido “pagodão”. É aquele mesmo que fala de sofrimento por amor na jukebox do boteco. A questão do samba joia é que ele era um pouco desprezado porque o som da época era mais do tipo culto, politizado, requintado. Mas aí veio Benito e a galera do sambão pra falar de choro e amores perdidos. Letras repetitivas também são características do estilo, repetir pra machucar o coração.

Ele até regravou músicas dos considerados músicos requintados da época. Como a música “Apesar de você” do Chico Buarque, “Madalena” de Ivan Lins, composições do Tim Maia, Vinícius de Moraes. Mas se ele ainda é reconhecido é pelas suas canções autorais, como “Meu amigo Charlie Brown”.

Benito não é de uma educação musical clássica, seu aprendizado foi independente, um autodidata. Mas o músico conseguiu casar a levada do samba com um piano. Ele mesmo diz que não é um sambista propriamente dito “Sambista é o Paulinho da Viola, eu sou sambeiro”.

 

O disco nação de 1985

O último disco da década de 90, Baileiro

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