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Um novo trabalho e um novo vôo

Redação DM

Publicado em 19 de outubro de 2015 às 22:56 | Atualizado há 1 ano

Por Walacy Neto

O surgimento de uma nova banda em Goiânia não é algo tão surpreendente. A arte tem essa tendência meteórica de num estante ter um brilho imenso e depois nada mais que o vasto escuro fica. Às vezes sobra apenas a sombra das canções, dos passos no salão ou pequenos versos que não são de desprender de perto do osso tão fácil. Mas a insistência geral dos tendidos para a música na capital de Goiás criou um cenário, ou seja, aparece uma tendência nos adolescentes de aprender a tocar algo. A quantidade de bandas que nasciam e morriam deixavam de lastro a experiência musical que desemboca hoje nas novas formações. Boogarins é o melhor exemplo disso que apresento.

Hoje a banda se apresenta gratuitamente no Festival Gastronômico de Goiânia e deve ser uma das últimas apresentações antes de partir em direção a novos vôos. O novo CD da banda está pronto e a data de lançamento também. Além disto, logo depois da divulgação do álbum completo via internet, a banda vai em direção a uma nova turnê na Europa e deve demorar para sobrevoar nossas redondezas.

 

A banda surgiu no ano de 2012, mas teve maior reconhecimento com o lançamento de As Plantas que Curam em 2013. O disco foi sucesso de crítica e alavancou os músicos para além da Terra Brasilis. O quarteto formado por Benke Ferraz, Dinho, Hans Castro e Rafael Vaz chamaram a atenção do selo Other Music, que é parte da gravadora Fat Possum, que tem no seu catálogo (além da Boogarins) o músico Iggy Pop, Bando of Horses e Black Keys. O convite era para a gravação do próximo trabalho da banda. A produção do novo álbum seguiu enquanto eles viajavam pela Europa passando por festivais como o SXSW e o Prmavera Sound, na Espanha. O retorno da banda para o Brasil foi um tanto quanto difícil no começo: eles tinham grande divulgação fora do país, mas ainda faltava um pouco de atenção dos estados brasileiros.

Essa “dificuldade” parece ter sido transposta bem rápido, pois a banda emplacou diversos shows em cidades como Natal, São Carlos, Brasília e outras cidades fora do eixo Rio-São Paulo. Atualmente, boa parte do Brasil conhece quem é, o que fazem e de onde são. Também pelo fato da premiação no Prêmio Multishow de 2014 como banda que está dando certo (ao menos até agora) e deve produzir muita coisa interessante nos próximos anos. O motivo do sucesso ninguém sabe e não vale à pena debater sobre fatos pequenos, mas algo interessante pode ser falado: os membros da Boogarins participavam de bandas tão interessantes quanto.

Novidades

A primeira single que a banda divulgou é a Avalanche. A canção saiu na internet em conjunto com a divulgação do nome do CD, a data de lançamento e a arte de capa. Avalanche é uma música já conhecida pelo público que freqüenta as apresentações do Boogarins. A banda apresentou esta canção na abertura do show no Loolapalloza do último ano. A single divulgada se assemelha em diversos aspectos com o trabalho apresentado em As Plantas que Curam, algo que deve ser abandonado (aos poucos) nesse novo trabalho.

Outra música do novo CD já divulgada pela banda é 6000 Dias. A nova single, assim como Avalanche, também é conhecida pelos fãs que acompanham o show: foi apresentada durante turnê pela Califórnia, no início do ano passado e existem gravações ao vivo no YouTube. Porém, a composição apresenta algumas variantes tanto do que fora apresentado antes quanto ao teor das canções do Boogarins. Sites especializados em música afirma que foram acrescentadas nuances de shoegaze e post-rock e também os ruídos cortantes (característica já presente nas composições do grupo).

Manual e nova turnê

O novo trabalho da banda Boogarins é esperado acho que desde o lançamento do As Plantas Que Curam. A mistura entre tropicalismo (o calor de Goiânia, talvez) e a psicodelia foi uma grande novidade pro cenário musical. Apesar de algumas bandas estarem trabalhando nesta mesma linha, a Boogarins tem uma especificidade que difere o trabalho de todas as outras.

Não me arrisco afirmar o que seja, mas ouvindo algumas músicas da banda em relação às demais, consigo encontrar traços em comum, mas ao mesmo tempo é impossível traçar qualquer parâmetro entre estas. A Tame Impala, por exemplo, tida como uma das grandes influências da música psicodélica dos dias atuais, tem muito de igual, mas muito de diferente. A especificidade é tão grande que definir em estilo o que a Boogarins produz é cair no clichê do jornalismo.

O segundo disco da banda será lançado no dia 30 de outubro deste ano. O Manual é composto pelas músicas Truques, Avalanche, Tempo, 600 Dias, Mario de Andrade – Salvagem, Falsa Folha de Rosto, Benzin, San Lorenzo, Cuerdo, Sei lá e Auchma. Após o lançamento, a banda começa outra turnê pela Europa e deve se apresentar em diversos países. Em Londres, Amsterdam, Zurich, Bern, Vevy, Barcelona, Lisboa, Porto, Bordeaux, Paris e outros. A turnê tem inicio no dia 29 de outubro (pouco antes do lançamento) e o retorno ao Brasil está marcado para o dia 19 do mês que vem.

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