Economia

Dólar sobe com tensão entre EUA e Irã após fracasso em negociações

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 13 de abril de 2026 às 13:33 | Atualizado há 3 meses

Fracasso nas negociações e bloqueio de Hormuz elevam aversão ao risco global | Foto: Reprodução
Fracasso nas negociações e bloqueio de Hormuz elevam aversão ao risco global | Foto: Reprodução

O dólar opera em alta nesta segunda-feira (13), com investidores reagindo ao fracasso das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã no fim de semana.

A ausência de um acordo entre representantes dos dois países levou a novas ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, a Teerã. Nesta manhã, ele ordenou o bloqueio do Estreito de Hormuz, rota que, antes do conflito, era responsável por cerca de 20% do tráfego global de petróleo e gás natural liquefeito.

Às 11h52, a moeda avançava 0,35%, cotada a R$ 5,028. O movimento de valorização é global: o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis outras divisas fortes, registrava alta de 0,2%. Já a Bolsa caía 0,34%, aos 196.636 pontos.

O bloqueio em Hormuz teve início às 11h (horário de Brasília). Antes disso, segundo monitores de tráfego marítimo, apenas dois navios ligados ao Irã tentaram transitar pela região, ante quatro na véspera e até 140 antes do conflito, que vive um cessar-fogo incerto desde a última terça-feira (7).

Trump determinou a medida no domingo (12), após três rodadas de negociações sem acordo — a última delas encerrada na noite de sábado, no Brasil.

Segundo a emissora estatal iraniana, a delegação de Teerã apresentou demandas relacionadas ao Estreito de Hormuz, à liberação de ativos iranianos bloqueados, ao pagamento de reparações pelos danos da guerra e a um cessar-fogo que abranja toda a região.

A última negociação direta entre Estados Unidos e Irã havia ocorrido no acordo nuclear de 2015, que previa a suspensão de sanções em troca de restrições ao programa nuclear iraniano, com o objetivo de limitar o enriquecimento de urânio por 15 anos.

O bloqueio de Hormuz também surge em meio à cobrança de pedágio para embarcações. Em vez de reabrir a passagem conforme previsto na trégua, Teerã estabeleceu uma rota alternativa, que afirma evitar minas na região e passa por suas águas territoriais. Um petroleiro precisaria pagar US$ 1 em criptomoedas por barril transportado.

“O bloqueio será realizado de maneira imparcial contra embarcações de todos os países que entrem ou partam de portos e áreas costeiras do Irã”, disseram militares americanos, acrescentando que não impedirão a navegação de embarcações com origem ou destino a portos não iranianos.

Diante desse cenário, os mercados globais operam sob aversão ao risco. O petróleo Brent voltou a superar US$ 100 por barril, com alta superior a 5%. Bolsas ao redor do mundo registram queda, com exceção dos índices S&P 500 e Nasdaq Composite, nos Estados Unidos, que apresentam leves ganhos de até 0,15%.

A possibilidade de retomada dos ataques também aumenta a cautela entre investidores.

“Os mercados estão tentando filtrar o turbilhão de manchetes, mas parece que os EUA consideram retomar ataques limitados contra o Irã. Até agora, ao menos, os mercados têm reagido de forma relativamente moderada, já que não houve retorno aos níveis anteriores ao cessar-fogo”, afirmou Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado global da Ebury.

“Isso sugere que investidores podem ver a ruptura nas negociações mais como um obstáculo momentâneo do que como um impedimento definitivo para a paz.”

Na semana passada, as expectativas em torno do cessar-fogo e de um possível acordo impulsionaram os mercados, levando o Ibovespa a renovar recordes históricos por três dias consecutivos.

O dólar chegou a registrar, na sexta-feira, o menor valor em dois anos, fechando cotado a R$ 5,010 — próximo de romper o piso de R$ 5 pela primeira vez desde que atingiu esse patamar.

“Houve uma desaceleração no conflito, mas a escala desse movimento e a incerteza sobre a retomada dos fluxos comerciais ainda mantêm o cenário indefinido”, afirmou Benjamin Jones, chefe global de pesquisa da Invesco.

“Esperamos uma nova pressão sobre ativos de risco e valorização do petróleo no início desta semana.”

(Folhapress)


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia