Economia

Governo descarta socorro direto ao BRB e cobra solução do DF

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 1 de abril de 2026 às 15:20 | Atualizado há 4 meses

| Foto: Gabriela Biló
| Foto: Gabriela Biló

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), pediu ajuda ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para resolver a crise financeira do Banco de Brasília. O tema foi debatido com o ministro Dario Durigan, por telefone, na última segunda-feira (30), segundo pessoas com conhecimento das conversas.

O banco adiou a divulgação do balanço de 2025, desrespeitando o prazo legal para companhias de capital aberto. É a partir dessas informações financeiras que investidores em ações e títulos de renda fixa tomam suas decisões.

Crise e rombo bilionário

Sem as demonstrações financeiras, o tamanho do rombo deixado pelas operações feitas com o banco Master continua desconhecido. Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos fraudulentos da instituição ligada a Daniel Vorcaro. O prejuízo teve apenas uma parcela recuperada

Acionista controlador do BRB, o governo do Distrito Federal não tem recursos suficientes em caixa para fazer um aporte no banco. Por isso, em março, foi sancionada uma lei que autoriza a atual gestão a contratar até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito com o Fundo Garantidor de Créditos ou instituições financeiras.

Possibilidades de socorro

Segundo interlocutores, a salvação do BRB por meio de intervenção direta do governo federal ou ajuda específica de bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, não está no radar. Uma possibilidade seria a compra de carteiras do banco por essas instituições, desde que considerem o negócio viável.

A avaliação no governo federal é que o problema deve ser resolvido pelo próprio Distrito Federal. Poucos dias antes de deixar o cargo, o então governador Ibaneis Rocha (MDB) formalizou um pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões ao FGC como parte da tentativa de capitalização.

O fundo indicou disposição para negociar a liberação do crédito, mas solicitou documentos adicionais para avançar nas tratativas. O Distrito Federal, porém, não tem capacidade de pagamento suficiente para obter garantia do Tesouro Nacional, o que permitiria condições mais favoráveis, como juros menores.

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Garantias e impasses ambientais

Como garantias para o empréstimo, o governo apresentou participações acionárias de empresas públicas, como Caesb, CEB e o próprio BRB, além de imóveis pertencentes ao Distrito Federal.

Entre os ativos, estava a área da Serrinha do Paranoá, avaliada em R$ 2,3 bilhões. No entanto, Celina Leão decidiu retirar o terreno de qualquer proposta vinculada ao plano de capitalização, após pressão de ambientalistas. Segundo o governo, a decisão visa preservar um importante manancial hídrico da região.

A governadora também determinou ao Instituto Brasília Ambiental e à Secretaria de Meio Ambiente a adoção de medidas para transformar a área em parque ambiental.

Outro ponto de controvérsia é o Centro Administrativo do Distrito Federal, que será mantido no plano de socorro ao banco. O complexo, construído para sediar o governo local, está há 12 anos sem uso e enfrenta entraves jurídicos.

O BRB convocou para o dia 22 uma assembleia extraordinária de acionistas para deliberar sobre a proposta de aumento de capital social.

Contexto político

Pré-candidata ao governo do Distrito Federal, Celina Leão integra uma chapa ao lado de Michelle Bolsonaro (PL), pré-candidata ao Senado. Apesar do alinhamento político à direita, a governadora sinalizou ao Ministério da Fazenda interesse em manter diálogo com o governo federal.

Na conversa, segundo relatos, ela também indicou que pretende aderir ao subsídio do diesel importado.

(Folhapress/Nathalia Garcia e Thaísa Oliveira)


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