Mercado externo mantém instabilidade nos ativos brasileiros após vitória de Lula
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 27 de outubro de 2026 às 09:37 | Atualizado há 2 horas
Mercado financeiro registra instabilidade nos ativos brasileiros negociados no exterior após a vitória de Lula | Foto: Reprodução/ Bruna Martins
Os investidores iniciaram esta terça-feira (27) acompanhando os efeitos da turbulência registrada nos mercados brasileiros após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). A reação negativa observada na sessão anterior se estendeu aos ativos negociados no exterior, enquanto o mercado busca avaliar as perspectivas econômicas e fiscais para o novo mandato presidencial.
Um dos indicadores que refletem esse movimento é o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), fundo negociado na Bolsa de Nova York que reúne ações brasileiras. Durante as operações de pré-mercado desta terça-feira, o ativo chegou a US$ 31,71, recuo de aproximadamente 7,14% em relação ao fechamento anterior. Ao longo da manhã, recuperou parte do valor e passou a ser negociado perto de US$ 34,24, alta de cerca de 0,26% sobre o encerramento de segunda-feira, quando terminou a US$ 34,15.
A movimentação ocorreu depois de uma desvalorização de 19,82% do EWZ na segunda-feira (26). O fundo havia encerrado a sexta-feira (23) cotado a US$ 42,59 e perdeu valor até fechar a sessão seguinte a US$ 34,15, acompanhando a reação dos investidores internacionais ao resultado eleitoral brasileiro.
Ibovespa enfrenta queda acentuada e tem negociações interrompidas
A pressão sobre os ativos também atingiu a bolsa brasileira. O Ibovespa encerrou a segunda-feira aos 177.608 pontos, com recuo de 13,88%. A dimensão da queda provocou a ativação do circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações quando as perdas atingem determinados limites, com o objetivo de reduzir movimentos abruptos no mercado.
A interrupção aconteceu no início do pregão, diante da forte desvalorização dos contratos futuros do Ibovespa, negociados antes da abertura regular da bolsa, prevista para as 10h. As operações foram retomadas às 10h40, mas a instabilidade continuou nos minutos seguintes.
Às 10h46, o índice chegou a 170.340,70 pontos, o equivalente a uma retração de 16,94%. Mais tarde, às 11h34, o indicador marcava 170.693,37 pontos, ainda com perda de 16,77%.
Uma recuperação parcial ocorreu durante o fim da manhã. Às 12h27, o Ibovespa havia avançado para 174.316,73 pontos, reduzindo a queda para cerca de 15%. A melhora, entretanto, não foi suficiente para reverter o movimento negativo. Às 15h10, o indicador estava em 174.964,11 pontos, com baixa de 14,69%, antes de fechar o dia aos 177.608 pontos.
No mercado de câmbio, o dólar comercial também registrou valorização expressiva. A moeda norte-americana terminou a segunda-feira cotada a R$ 5,40, às 17h, avanço de 8,22% em comparação com o fechamento da sexta-feira.
Empresas brasileiras acompanham cautela dos investidores
A volatilidade também se refletiu nos recibos de ações de companhias brasileiras negociados nas bolsas dos Estados Unidos, conhecidos como ADRs. O comportamento desses papéis é acompanhado por investidores que buscam avaliar os efeitos das mudanças nas expectativas econômicas sobre empresas com atuação relevante no país.
Entre os ativos observados estão os da Petrobras, negociados sob o código PBR. As perspectivas para os investimentos da companhia e para a distribuição de dividendos estão entre os fatores considerados pelo mercado. No caso da Vale, os preços do minério de ferro e o desempenho da demanda chinesa seguem como referências importantes para a avaliação das ações.
Instituições financeiras como Itaú, Bradesco e Nu Holdings também estão no radar dos investidores. Nesse segmento, as expectativas sobre juros, atividade econômica e política fiscal ajudam a orientar as decisões de compra e venda.
A movimentação dos ativos brasileiros ocorre em meio a diferentes avaliações sobre os riscos e as oportunidades no mercado internacional. Parte dos investidores considera a diversificação de aplicações em um cenário de oscilações nas bolsas dos Estados Unidos, especialmente no setor de tecnologia. Ao mesmo tempo, permanecem as dúvidas sobre a condução das contas públicas e as diretrizes econômicas do governo Lula.
As próximas sessões devem mostrar se a recuperação parcial observada em alguns ativos conseguirá ganhar força ou se a instabilidade continuará predominando. O comportamento da bolsa brasileira, a cotação do dólar e as negociações dos papéis nacionais no exterior permanecem entre os principais indicadores acompanhados pelo mercado.
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