Dólar dispara após vitória de Lula e mercado prevê queda da Bolsa
Léo Carvalho
Publicado em 26 de outubro de 2026 às 09:49 | Atualizado há 43 minutos
Mercado financeiro reage à vitória de Lula com alta do dólar e expectativa de queda da Bolsa | Foto: IA
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais provocou forte reação no mercado financeiro nesta segunda-feira (26). O dólar abriu em alta de 8,71%, cotado a R$ 5,424, por volta das 9h10, enquanto os juros futuros também registraram avanços expressivos.
Lula venceu o segundo turno realizado no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário. O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro e na adoção de medidas mais rigorosas de ajuste fiscal.
A valorização da moeda americana no Brasil superava o movimento observado no exterior. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas, avançava 0,12%.
Os juros futuros também reagiram negativamente. A taxa dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu para 13,983%, alta de 52 pontos-base. Já a taxa para janeiro de 2031 avançou 182 pontos-base, alcançando 14,460%.
Bolsa pode acionar mecanismo de proteção
A expectativa de queda expressiva da Bolsa brasileira aumentou após a confirmação do resultado eleitoral. Analistas ouvidos pela Folha projetavam um recuo do Ibovespa, com possibilidade de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o índice cai 10% em relação ao fechamento anterior.
A reação pode reverter parte dos ganhos registrados após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou a votação na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula.
No pregão seguinte à primeira etapa da eleição, o Ibovespa avançou 7,70%, alcançando 206.911 pontos, recorde em termos nominais e reais, segundo os dados fornecidos. O dólar caiu 4,11%, fechando a R$ 5,001, no maior recuo diário desde 2018.
Desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro, em agosto, até o período anterior ao segundo turno, o dólar havia acumulado queda de aproximadamente 2%, enquanto a Bolsa brasileira registrava valorização de 15,3%.
Investidores temem cenário fiscal
A reação negativa dos ativos brasileiros está relacionada às expectativas dos investidores sobre a condução da política econômica no próximo mandato. Parte do mercado esperava que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro resultasse em medidas mais rigorosas de controle das contas públicas.
Com a continuidade de Lula na Presidência, investidores passaram a demonstrar preocupação com a possibilidade de insuficiência de medidas para conter o desequilíbrio fiscal.
A perspectiva de maior risco fiscal pode elevar os juros exigidos pelos investidores para financiar o governo. Taxas mais altas também podem encarecer o crédito para empresas, reduzir as perspectivas de lucro e pressionar as ações negociadas na Bolsa.
Um levantamento do Citibank com 73 gestores de fundos de ações e multimercado indicou que 80% esperavam uma queda superior a 5% do Ibovespa caso Lula vencesse a eleição. Outros 7% projetavam recuo entre 1% e 5%, enquanto 3% estimavam valorização na mesma faixa.
No mercado cambial, 63% dos gestores esperavam desvalorização superior a 5% do real, e 28% projetavam queda entre 2% e 5%. Outros 6% previam valorização superior a 5% da moeda brasileira.
Ações brasileiras caem no exterior
Os reflexos da eleição também apareceram nas negociações de ativos brasileiros no exterior. Por volta das 7h30, o fundo de índice EWZ, negociado nos Estados Unidos e composto por ações brasileiras, recuava mais de 26% no pré-mercado. Os contratos futuros do real com vencimentos em novembro e dezembro registravam perdas próximas de 10%.
Entre os recibos de ações de empresas brasileiras negociados em Nova York, os ADRs do Itaú caíam 28%, enquanto os do Bradesco recuavam 25%. Os papéis da Petrobras perdiam 23%.
As quedas eram menos acentuadas para Vale e Embraer, com recuos de 3,31% e 3,77%, respectivamente. As ações da XP registravam desvalorização superior a 45%, enquanto os papéis do Nubank caíam 20%. A JBS recuava aproximadamente 2%.
Na sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno, o dólar fechou em queda de 0,96%, cotado a R$ 4,989. O Ibovespa avançou 0,47%, aos 205.082 pontos, em um movimento associado às expectativas dos investidores em torno de uma possível vitória de Flávio Bolsonaro.