Vitória de Lula provoca queda de ações brasileiras negociadas no exterior
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 26 de outubro de 2026 às 09:55 | Atualizado há 56 minutos
Fundos ligados ao mercado brasileiro recuaram após Lula vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições | Foto: Maxim Hopman/Unsplash
O resultado das eleições presidenciais de 2026 provocou uma reação negativa nos mercados internacionais, com quedas expressivas nos ativos ligados ao Brasil. Após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) neste domingo (26), fundos de investimento e ações de grandes empresas brasileiras registraram desvalorizações nas negociações realizadas fora do país.
Um dos movimentos mais acentuados foi observado em Nova York, onde um fundo negociado em bolsa (ETF) que acompanha o desempenho de ações brasileiras recuou 27% no pré-mercado. No Japão, um fundo com exposição semelhante ao mercado brasileiro perdeu 15% durante a madrugada. A queda foi apontada como a maior perda diária desde 2008.
O impacto também chegou a companhias com operações relevantes no Brasil. Os papéis da XP e do Itaú Unibanco chegaram a apresentar desvalorização de pelo menos 26% no início das negociações nos Estados Unidos. Já na Europa, as ações do Banco Santander e da Telefónica registraram recuos superiores a 5%.
Queda do Ibovespa pode provocar interrupção das negociações
Em períodos de turbulência financeira, a Bolsa de Valores brasileira dispõe de um mecanismo para interromper temporariamente as operações e conter oscilações acentuadas. Conhecido como circuit breaker, o recurso é acionado conforme a intensidade da desvalorização do Ibovespa, principal indicador do mercado acionário nacional.
A primeira suspensão acontece quando o índice cai 10% em relação ao fechamento do pregão anterior. Nessa situação, as negociações ficam paralisadas por 30 minutos. Se, depois da retomada, a queda alcançar 15%, a interrupção passa a ser de uma hora.
Quando a desvalorização chega a 20%, a B3 pode suspender novamente as operações e estabelecer o período de paralisação. O objetivo é conter movimentos extremos no mercado e dar aos participantes tempo para avaliar o cenário antes de voltar a negociar.
Lula conquista novo mandato
A vitória nas urnas garantiu a Lula mais quatro anos à frente da Presidência da República. O presidente superou Flávio Bolsonaro no segundo turno, apesar de o senador ter terminado a primeira etapa da disputa na liderança. O resultado representou uma virada em relação ao cenário registrado na votação inicial.
Segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 100% das urnas apuradas, Lula somou mais de 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. O desempenho também foi apontado como o maior número absoluto de votos recebido por um presidente na história do país.
Flávio Bolsonaro encerrou a disputa com cerca de 59,8 milhões de votos, correspondentes a 48,21% dos válidos. A diferença entre os dois candidatos ficou em aproximadamente 4,4 milhões de votos.
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