PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025 e desacelera com juros altos, diz IBGE
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 3 de março de 2026 às 10:34 | Atualizado há 5 meses
PIB cresce 2,3% em 2025, mas atividade perde ritmo no segundo semestre | Foto: Reprodução
A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento acumulado de 2,3%, segundo dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro coletadas pela Bloomberg, que também apontava expansão de 2,3%, dentro de um intervalo de 2,2% a 2,5%.
Com o desempenho, o país registra o quinto ano consecutivo de alta do PIB. Ainda assim, o ritmo foi inferior ao observado entre 2021 e 2024, quando a expansão anual ficou em 3% ou mais. Em 2024, por exemplo, o avanço foi de 3,4%. Analistas classificam a desaceleração como suave e já esperada, diante do cenário de juros elevados para conter a inflação.
O crescimento ficou mais concentrado no início de 2025, impulsionado por uma safra recorde de grãos. A produção agrícola, aliada à recuperação do emprego e da renda e ao desempenho de atividades como a indústria extrativa, ajudou a sustentar a economia. Com o fim da safra e a manutenção de juros altos, o PIB perdeu força ao longo do ano.
No quarto trimestre, a atividade praticamente estagnou: houve alta de 0,1% frente aos três meses anteriores, repetindo a expectativa do mercado. No terceiro trimestre, a variação foi nula (0%), segundo revisão do IBGE — inicialmente, havia sido divulgada alta de 0,1%.
O Banco Central do Brasil iniciou em setembro de 2024 um ciclo de aumento da Selic, que alcançou 15% ao ano em junho de 2025 e permanece nesse patamar. Juros elevados encarecem o crédito, desestimulam consumo e investimentos e tendem a reduzir a pressão sobre os preços.

Guerra no Irã e crise interna no IBGE
A divulgação do PIB ocorre em meio a incertezas no cenário internacional, especialmente devido à guerra no Irã. O conflito já pressionou as cotações do petróleo e pode favorecer exportadores como o Brasil, mas também traz riscos inflacionários, já que a commodity impacta diretamente os preços dos combustíveis.
Para 2026, o mercado projeta crescimento mais moderado. Segundo o boletim Focus do Banco Central, a mediana das estimativas indica alta de 1,82%. A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda prevê expansão de 2,3%. Economistas avaliam que o estímulo da safra será menor e que os efeitos restritivos dos juros continuarão afetando consumo e investimentos, embora haja expectativa de início do corte da Selic ainda neste mês. A taxa deve encerrar o ano em torno de 12%.
Em ano eleitoral, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta em medidas de estímulo ao consumo, como a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 e a manutenção da política de valorização do salário mínimo.
Os dados também foram divulgados após novo episódio de tensão interna no IBGE. A retirada da pesquisadora Rebeca Palis da coordenação de contas nacionais, área responsável pelo cálculo do PIB, gerou reação entre servidores. O presidente do instituto, Marcio Pochmann, defendeu sua gestão nas redes sociais e afirmou que o órgão “vai muito bem”, contestando críticas e citando a existência de informações falsas sobre a administração.
(Leonardo Vieceli/Eduardo Cucolo/Folhapress)