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Bienal de São Paulo ocupa Museu de Arte Contemporânea (MAG)

Redação

Publicado em 1 de março de 2026 às 19:11 | Atualizado há 3 meses

Mostra permanece em cartaz no Oscar Niemeyer até abril
Mostra permanece em cartaz no Oscar Niemeyer até abril

Marcus Vinícius Beck

Quando chegar ao Museu de Arte Contemporânea (MAC), nesta terça (3/3), em Goiânia, a 36ª Bienal de São Paulo enfatizará o território goiano. A exposição, gratuita, estará aberta para visitação de terça a sexta, das 9 às 16h. Aos sábados e domingos, das 14h às 19h.

A Bienal se finca na capital goiana diante das curvas sinuosas traçadas por Oscar Niemeyer, morto em dezembro de 2012, aos 104 anos. O arquiteto dá nome ao centro cultural onde se acha o MAC, que recebe até o dia 19 de abril a primeira etapa do programa itinerante.

Sob o tema “Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática”, o recorte curatorial inclui artistas locais, como Sallisa Rosa e o coletivo Sertão Negro, projeto artístico comandado por Dalton Paula. Segundo Dalton, o nome de sua iniciativa se origina no livro de Guimarães Rosa, “Grande Sertão: Veredas”, mas há preocupação com a diáspora afro.

Em Goiânia, a Bienal reúne obras de 15 participantes. Tais criações, situadas no que se entende por arte contemporânea, evocam o poeta Oswald de Andrade, símbolo do modernismo: “Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.”

Registro de obra criada pela artista Márcia Falcão – Foto: Levi Fanan/ 36ª Bienal de São Paulo

Oswald, autor do “Manifesto Antropofágico”, de 1928, sugeria o canibalismo da cultura “do outro” para se formar a nova estética brasileira. A fala do povo, dizia, é mais importante do que fatos que a história teima em reunir, categorizar e, sobretudo, chamar de verdadeiros.

Isso serve, como se vê, para compreender o que se verá na Bienal. Segundo Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal, a edição goianiense é um passo importante. A cada edição, o curador diz reverberar em outras cidades do Brasil aquilo que foi mostrado no Pavilhão.

Fundada em 1962, a instituição realiza a maior exposição do hemisfério Sul, bem como suas mostras itinerantes. É, além de tudo, guardiã de dois patrimônios artísticos: o Arquivo Histórico Wanda Svevo, referência na América Latina, e o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, sede da Fundação. Foi projetado por Oscar Niemeyer e tombado pelo Patrimônio Histórico.

“[A ideia é] expandir o programa itinerante que compõe parte do nosso compromisso com a descentralização do circuito artístico brasileiro”, afirma o presidente. “[Queremos] criar mais possibilidades de encontro com públicos diversos e, além disso, fortalecer o acesso, em diferentes regiões, às obras, debates e experiências que fazem a Bienal ser o que ela é.”

Poema de Conceição Evaristo guia exposição 

Curadoria se inspirou em ‘Da Calma ao Silêncio’, publicado em 1990 – Foto: Natt Fejfar

Desta vez, a Bienal se inspira no poema “Da Calma ao Silêncio”, da escritora Conceição Evaristo. No texto, publicado nos “Cadernos Negros – Vol. 13”, de 1990, a autora escreve: “Quando eu morder/ a palavra,/ por favor,/ não me apressem,/ quero mascar,/ rasgar entre os dentes,/ a pele, os ossos, o tutano/ do verbo,/ para assim versejar/ o âmago das coisas.”

Evaristo falou à “Quatro Cinco Um” sobre a interação entre literatura e artes plásticas. “Como esse homem [o Bonaventure Soh Bejeng Ndikung] lá de longe achou que esse texto dizia alguma coisa para ser a mola mestra para pensar a Bienal de Arte de São Paulo?”, espantou-se a escritora. “É um reconhecimento da arte, da estética que esse texto carrega.”

Na capital paulista, a mostra revelou novas formas de humanidade. Todas elas pautadas no encontro e no diálogo entre diferentes grupos sociais, como disse o curador Bonaventure Soh Bejeng Ndikung. “É nesse contexto marcado por tragédias, com precariedade econômica e social, que criamos esta Bienal”, declarou o camaronês, durante coletiva de imprensa.

Registro da obra ‘A Song To a Tearful Garden”, do artista Oscar Murillo – Foto: Levi Fanan/ 36ª Bienal de São Paulo

Ndikung liberou a equipe de curadores, constituída por Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Keyna Eleison e Thiago de Paula Souza. Thiago, que deve estar em Goiânia na abertura, explica que iniciar a itinerância por Goiás evidencia deslocamentos imprescindíveis.

Para ele, ao deixarem o Pavilhão, no Parque do Ibirapuera, as obras passaram a conviver com “outras temporalidades, paisagens e modos de ver”. No MAC, informa, o programa não será mera réplica do que se viu em São Paulo entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.

“Ele se reconfigura a partir do espaço, do diálogo entre os participantes selecionados para a mostra e práticas locais que atravessam o museu. E é justamente nesse encontro que o sentido de humanidade como prática ganha novas camadas”, diz Thiago de Paula Souza.

Reconhecido há mais de uma década, o programa itinerâncias tira a Bienal de São Paulo da pauliceia. Parceria com o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da Secretaria da Retomada, o projeto descentraliza o acesso à arte.

36ª Bienal de São Paulo

Visitação: 3 de março a 19 de abril de 2026

Local: Museu de Arte Contemporânea de Goiás (MAC Goiás)

Onde: Centro Cultural Oscar Niemeyer

Endereço: Av. Deputado Jamel Cecílio, Qd. Gleba, nº 4.490 – Setor Fazenda Gameleira

Entrada gratuita

Foto de destaque: Centro Cultural Oscar Niemeyer/ Facebook


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