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Documentário mostra turnê do Oasis e trégua entre irmãos Gallagher

Redação Online

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 21:04 | Atualizado há 42 minutos

Sorridentes: Liam e Noel Gallagher fazem as pazes em filme | Fotos: Disney+/Divulgação
Sorridentes: Liam e Noel Gallagher fazem as pazes em filme | Fotos: Disney+/Divulgação

Marcus Vinícius Beck

O Oasis sai da toca com um filmaço, “Don’t Look Back in Anger”, dirigido pelos cineastas Will Lovelace e Dylan Southern. Em relação à banda dos irmãos Gallagher, aplaudida no Festival de Veneza, neste sábado (5), só posso dizer o seguinte: você vai viver pra sempre.

Lovelace e Southern filmam a explosão de guitarras que enlouqueceu os fãs em 2025. Foi quando Liam e Noel Gallagher deixaram as tretas no passado e meteram o pé na estrada, like a rolling stone. O doc, que estreia em Goiânia na quinta-feira (10), tem início em uma montagem dos anos 1990, alcançando a década seguinte — aí rolou briga e a emoção se foi.

Era uma carne crua, vivíssima, rosnando ao mágico. Não, melhor, era um som garageiro, meio operário e caótico, tal qual aquele caos dos Stones em “Exile on Main St.”. Nos vocais, Liam solta seu timbre áspero: “Is it my imagination / Or have I finally found something worth living for?”. Começa o primeiro CD do Oasis, intitulado “Definitely Maybe”, de 94.

Você está no ponto para despirocar, cair naquele rockão e ser livre. Porque, conforme o vocalista, os sonhos agora são reais. Esta noite, meu bem, somos estrelas do rock’n’roll.

A sinopse informa que o doc “narra a triunfante turnê de reunião de Liam e Noel Gallagher, Oasis Live ’25, um dos retornos do rock ‘n’ roll mais aguardados de nossa época”. Durante 122 minutos, o filme revela imagens da banda nos bastidores e nos palcos, além da primeira entrevista conjunta dos irmãos, que viveram (ou vivem, difícil saber) em conflito há décadas.

O sucesso de Oasis Live ’25 provocou rumores de que os irmãos se reuniriam no próximo ano. À Talksport, emissora de rádio britânica, Noel disse: “Vamos colocar desta forma: não haverá torneio de futebol no ano que vem, então temos que fazer alguma coisa no verão.”

Regresso

No jornal Visão, de Portugal, o jornalista José Vieira Mendes colocou os pingos nos is. Ele disse que, sem dúvida, “Don’t Look Back in Anger” fala sobre o regresso do Oasis. Todavia, a obra é, sobretudo, a respeito de dois irmãos que passaram anos sem conseguir permanecer no mesmo espaço e eles agora precisam reaprender algo simples: estar um do lado do outro.

Contudo, nem sempre é fácil. O grupo foi implodido em 2009 por uma espécie de guerra fria entre Liam e Noel. Naquele ano, um diretor do festival Rock en Seine, realizado em Paris, declarou pro público: “Liam e Noel Gallagher se desentenderam. A banda não existe mais.”

O rock’n’roll atrai baixarias, isso é fato. No caso dos irmãos, o bate-boca evoluiu rápido e, então, uma guitarra de 385 mil euros acabou destruída. Um relato da Agence France-Presse (AFP), publicado em 2024, indica que o diretor Salomon Hazot, lá em 2009, subiu ao palco e pegou o microfone, de forma a fazer “um dos anúncios mais surreais da história do rock”.

Naquele dia 28 de agosto de 2009, Hazot disse: “Vocês podem acessar o site do Oasis e Noel explicará sobre a briga e o fim de sua história com Liam.” A voz do organizador passou a ser entrecortada por protestos sincronizados, como “só pode ser piada”, o que, todavia, não era.

Filme reconstrói a maturidade dos astros britânicos

Bastidores: Liam e Noel Gallagher fazem as pazes em filme | Foto: Disney+/Divulgação

E lá vêm Liam e Noel Gallagher. A coletiva de imprensa já vai começar, é difícil esses caras darem pra trás e furarem uma solenidade dessas, mas nem tudo sai como planejado — e os irmãos, cadê eles?, sumiram. O diretor Will Lovelace se acha em uma situação embaraçosa. “Eles estavam aqui há pouco tirando foto”, declarou o cineasta à revista “Variety”, dos EUA.

Com sessão fora da competição oficial em Veneza, o filme, revivendo os hits “Wonderwall” e “Champagne Supernova”, mostra que a digressão não se limita à mera reconciliação. Parece querer arquitetá-la. Alguma coisa há de mudar: os irmãos tocam, se olham, sorriem. Então, em meio a abraços, a linguagem corporal deles traz o cessar-fogo. Oito minutos de aplausos.

A Sala Grande do Palazzo del Cinema, mesmo que por poucos minutos, virou uma arena — talvez o mais perto que o Festival de Veneza chegou da energia roqueira. O crítico luso José Vieira, no jornal Visão, constata que “Live Forever” sintetiza a passagem do tempo. Para ele, a letra, em 94, resumia o espírito jovem — hoje, porém, é cantada por quem chega aos 50.

Reflexões

Reflexões além-mar à parte, o Oasis hedonizou o rock, como na faixa “Rock’n’Roll Star”, e caiu na farra etílica-sexual de “Cigarettes And Alcohol”. A devoção pelos Beatles vive nas baladas, a exemplo de “Wonderwall”, essa do CD “[(What’s the Story) Morning Glory?]”, de 95. A banda, como poucas, retratou a classe trabalhadora tentando progredir e se divertir.

Basta olhar para a cena dos irmãos Gallagher aparecendo na sereníssima cidade italiana: num barco, insolentes e queridos. Depois disso, já no Palazzo del Cinema, Noel até chorou, enquanto Liam animava a galera. Fãs disputaram autógrafos. Um deles, aliás, trouxe uma bandeira do Manchester City, clube do qual o guitarrista e o vocalista são torcedores.

Liam, em certa altura do filme, pede que a multidão lhe dê as costas e faça o Poznań, coreografia inventada pelo clube polonês Lech Poznań e popularizada por fãs do City. O técnico Pep Guardiola, ex-treinador do time inglês, apareceu durante o doc. Ao fim da exibição, os irmãos fugiram da imprensa. O filme, ainda neste ano, estreará no Disney+.


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