Folia balança ruas históricas da Cidade de Goiás neste fim de semana
Redação
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 21:11 | Atualizado há 4 meses
Bloco do Caçador toma conta da antiga Vila Boa
O Largo do Rosário, na Cidade de Goiás, recebe neste sábado (14/2) a 20ª edição de seu carnaval, apoiado pelo Fundo de Arte e Cultura (FAC). Com entrada gratuita, a folia se legitima desde os anos 2000 como manifestação cultural tradicional do interior goiano.
Desta vez, os foliões voltam-se às marchinhas, bem como à necessidade de se guardar a memória e garantir a participação comunitária no Centro Histórico. A ideia é afiançar a música e, com o louvor de Momo, manter o alarido ecoando por entre ruas de pedra.
“Escola de samba é cultura”, afirmava o cronista mineiro Otto Lara Resende (1922-1992), no jornal “Folha de São Paulo”. Que rufem os tambores da Bateria da Escola de Samba União. Que ressoem os violões do Nóys é Nóys. Que soem os cavaquinhos do Clube do Samba.
Nas ruas históricas, ecoam os batuques: Bloco do Caçador. Segundo os foliões, o rolê parte do som, da rua e da caminhada coletiva. “Carnaval sempre é feito de muitas mãos, muitos corpos e muitas histórias. Essa é só uma pequena parte do que nos compõe”, afirmam.
Os corpos brandirão na Vila Boa, ai de mim, de nós dois. Saibas: será realizado concurso de fantasias aberto ao público, com escolha por aclamação. Logo, os organizadores querem festa participativa. Então viva o verão. E o carnaval que vem aí. Chega quente, como calha.
Neste ano, os festeiros celebram a memória do cartunista Jorge Braga, que trabalhou no DM e fez história em “O Popular”. Braga, morto no ano passado, aos 68 anos, era conhecido por sua participação ativa no evento, além de ser referência brasileira na charge e no humor.
Com seu traço e olhar sagazes, o chargista foi ligado ao cotidiano. Sensibilizou gerações de leitores para a cultura popular, sobretudo a que se ocupa do imaginário goiano. Mineiro, radicou-se na capital em 1972, onde atuou no semanário “Cinco de Março”.

Cultura musical
Além do artista, o Carnaval do Largo do Rosário tributa o maestro Tapúio, integrante da Banda da Polícia Militar de Goiás, reconhecido por sua contribuição à cultura musical e à história do carnaval vilaboense. Foi o primeiro da banda a tocar no Carnaval do Rosário.
Para a organizadora Rosana Jardim, a folia vilaboense se construiu “com participação de artistas, moradores e público”. “Chegar à 20ª edição reforça a importância de manter viva a tradição, valorizar quem constrói essa história e ampliar o acesso cultural”, atesta.
Fundado por Nádia Vellasco, Suely Caetano e Jardim, com ajuda de Alice Fleury e Selma Parreira no início, o evento mobiliza a população do estado. Para a edição de 2026, 3,5 mil pessoas são esperadas. Foram instalados, por isso, palco, tendas e banheiros químicos.
Ué, e a cerveja? Calma, leitor bebum. No reinado de Momo, o suco fermentado se faz sagrado. Não existe carnaval sem a birita popular, é uma lástima, não orna, não combina, fica parecendo namoro sem beijo, café sem cafeína, ou eu assim sem você, entende?
Mas, meu rapaz, se tranquilize: terá um bar a mil. De bebida a alimentos, a bodega suprirá os foliões e, segundo a organização, destinará à Igreja do Rosário a bufunfa arrecadada. A palavra, se molhada direito, instaura uma espécie de euforia. A gente se sente à vontade.
Foto de destaque: Maykon Ribeiro/ Bloco do Caçador/ Instagram