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Gratuito: Frejat leva hits para Goiás Gastronomia, no Parque Mutirama

Redação Online

Publicado em 14 de maio de 2026 às 20:15 | Atualizado há 2 meses

O cantor, compositor e guitarrista Roberto Frejat - Foto: Leo Aversa/ Divulgação
O cantor, compositor e guitarrista Roberto Frejat - Foto: Leo Aversa/ Divulgação

Marcus Vinícius Beck

Roberto Frejat, que se apresenta hoje, às 21h, no Parque Mutirama, em Goiânia, andava na praia pela manhã. Tinha 39 anos. Nesse momento, o músico sentiu a necessidade de fazer algo que fosse seu. Não iria impor nada ao Barão Vermelho. A emoção, sabia, se acabaria.

Foi o que disse o artista à cineasta Mini Kerti durante o filme “Por Que A Gente É Assim”, de 2017, disponível na Prime Video. Frejat observou os Rolling Stones: Mick Jagger já estava com a carreira em crise (altas tretas nos Stones) quando lançou um disco solo, nos anos 1980.

O Barão havia construído uma história vitoriosa, iniciada com Cazuza nos vocais, em 1981. No começo, era um puta barulho. O primeiro LP, intitulado “Barão Vermelho”, saiu no ano seguinte. Cru, gritado. Junto do cantor, Frejat descobriu uma sensibilidade pra composição.

Lançado em 1983, “Barão Vermelho 2” tinha tudo pra vingar. Não vingou. Ainda assim, o disco foi elogiado por jornalistas. Era esporro lapidado, gasolina a incendiar a fogueira dos caretas, a largar-se no mundo e a eletrificar manhãs sem sono. Só 15 mil cópias vendidas.

Em seguida, Frejat compôs com Cazuza o hit dançante “Bete Balanço”. A música foi a canção-tema do filme de mesmo nome, dirigido por Lael Rodrigues. Ainda em 1984, o LP “Maior Abandonado” chegou às lojas do país. O Barão, com essa obra, alcançou o estrelato.

Frejat posa para ensaio com a guitarra N.Zaganin – Foto: Leo Aversa

Vocais

Mas o cenário não demorou a mudar. Em 1985, Cazuza deixou o Barão, que se via sem seu letrista. Apesar disso, a história seguiu em frente, dessa vez com Frejat nos vocais. Até o fim dos anos 1980, a banda adicionou mais power ao seu som. Foi preciso garra, superação.

Até 2001, o grupo mudou de cara muitas vezes. Soou pesado em “Carnaval” (1988), sutil em “Na Calada da Noite” (1990), distorcido em “Supermercados da Vida” (1992). Foi pancada em “Carne Crua” (1994), intérprete no “Álbum” (1996), pop com “Puro Êxtase” (1998).

A essa altura, Frejat já acumulava vivência como músico, compositor e produtor. Seria natural alçar novos voos. Então, lançou-se em carreira solo. Botou a cara na rua. Quando intuía o desejo de tocar com músicos jovens, ligou-se a Max de Castro e Tom Capone.

No primeiro disco, “Amor Pra Recomeçar” (2001), o compositor também fortaleceu sua parceria com o poeta Mauro Santa Cecília. Além da faixa-título, os dois assinaram outras três canções juntos: “Quando o Amor Era Medo”, “Mão-De-Obra Ilegal” e “Mais Que Perfeito”.

Em entrevistas para divulgar o CD, Frejat fazia um balanço de sua carreira até ali. Quando ingressou no Barão Vermelho, tendo Cazuza como líder, o guitarrista dizia que nunca tinha se imaginado chegar onde chegou. Só que, inquieto e atento, ele buscava texturas atuais.

Uma parte da obra foi produzida por Tom Capone e a outra, por Max de Castro. Morto em setembro de 2004, aos 37 anos, nos EUA, Capone ajudou Frejat durante a descoberta de sua identidade como artista solo. O compositor coleciona momentos com o produtor em estúdio.

Em 2001, músico fisgou ouvidos com “Som e Fúria”

‘Amora Pra Recomeçar’ inaugurou carreira solo do cantor e compositor – Foto: Divulgação

Tom Capone toca em “Amor Pra Recomeçar”. À “Noize”, Frejat lembra que ele e o barão Maurício Barros a executavam em formato violão-piano. Ficavam nisso. O produtor, então, avisou sobre a falta de um riff para música, criado de madrugada. É a guitarra dele no início.

Recém-editado em vinil pela Três Selos Rocinante, “Amor Pra Recomeçar” revela uma inclinação à soul music nas faixas “Mais Que Perfeito” e “Sol de Domingo”. O guitarrista, apesar disso, fisga geral com “Som e Fúria”, feita por ele, Maurício Barros e Bruno Levinson.

Frejat conta que, antes de sair seu primeiro disco solo, percebeu o papel que a obra teria em sua vida e trajetória. Segundo depoimento transcrito do doc “Por Que A Gente É Assim”, o músico informou ao Barão que gravaria outro CD para consolidar sua carreira individual.

Mais maduro, o guitarrista publicou “Sobre Nós Dois e o Resto do Mundo”, em 2003. Na obra, há uma parceria com Erasmo Carlos, o gigante gentil, que criou versos sensuais — tais como “o seu corpo era o pão que a mão de Deus amassou” e “seu corpo era o nirvana, onde morava o prazer”. É aquele delicioso desfrute, sabe?, que vai do céu da boca ao ponto G.

Outra preciosidade é “Trapaça da Dor”, cujas frases à guitarra evocam Carlos Santana, referência de Frejat. Bela parceria com Cazuza, falecido precocemente em 1990, aos 32 anos. O eu lírico se recorda do silêncio daquele rosto e “das pernas sempre cruzadas pra vida”.

Além dessas canções, “Sobre Nós Dois” se destacou pela faixa-título, bem como por “Eu Preciso Te Tirar do Sério” e seu riff espesso. E havia ainda a delicada “Túnel do Tempo”. Só coisa fina. Depois disso, Frejat voltou ao Barão Vermelho, que publicou um disco de estúdio.

Lançados o álbum de 2004 e o “MTV Ao Vivo”, de 2005, o guitarrista pegou a estrada para mostrar ao público brasileiro o repertório acoplado no primeiro DVD do Barão. Apenas hits. Regressou à carreira individual em 2007 e, no ano seguinte, saiu o CD “Intimidade entre Estranhos”, no qual o artista reflete sobre a incomunicabilidade das pessoas nas metrópoles.

Em 2017, o jornal “O Globo” surpreendeu os fãs ao noticiar: “Barão sem Frejat”. Durante a pandemia, em 2020, lançou “Ao Redor do Precipício” e, recentemente, o show “Frejat em Blues”, em que relê clássicos da MPB sob um viés blusey. Neste ano, retornou à antiga banda para a turnê “Encontro”, que estreou no Rio em 30 de abril e chega a São Paulo no sábado (23).


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