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Mariana Candeias “Piky” analisa discografia da Legião Urbana pelo viés da astrologia

Redação Online

Publicado em 12 de outubro de 2026 às 20:36 | Atualizado há 1 hora

Renato Russo desenhado em ilustração da capa de ‘“Renato Manfredini ‘Júpiter’ – As revoluções solares do líder legionário” | Foto: Garota FM Books
Renato Russo desenhado em ilustração da capa de ‘“Renato Manfredini ‘Júpiter’ – As revoluções solares do líder legionário” | Foto: Garota FM Books

Marcus Vinícius Beck

Morto há três décadas, aos 36 anos, o cantor Renato Russo volta a ter sua trajetória artística examinada. Dessa vez, a obra legionária é objeto do livro “Renato Manfredini ‘Júpiter’ – As Revoluções Solares do Líder Legionário”, da jornalista e astróloga Mariana Candeias “Piky”.

No texto, editado pela Garota FM Books, Piky diz que Renato era ariano com ascendente no signo de Peixes. Quando a Legião Urbana lançou seu primeiro disco, em 85, o artista vivia um tipo de “renascimento”, porque estava em seu segundo retorno de Júpiter. Ao pôr para rodar “A Tempestade ou O Livro dos Dias”, em 96, começava seu terceiro ciclo jupiteriano.

Em 135 páginas, a autora investiga a discografia da Legião e também fatos a respeito de seu vocalista. A pesquisa, conforme o jornalista e astrólogo Bruno Yutaka Saito, parte do mapa astral de Renato Manfredini Júnior. Piky salienta que o compositor se mostrava atento aos mistérios da vida, com referências aos astros e signos de forma abundante nas suas canções.

Para a escritora, Renato Russo foi um entusiasta desse tema. “Dá para dizer que a astrologia atravessava a trajetória do cantor e compositor da Legião, que citava conceitos astrológicos algumas vezes, tanto em entrevistas como em suas letras, utilizando seus termos técnicos para ilustrar situações ou personagens. Há vários exemplos”, sustenta a autora, ex-MTV.

Renato, em “Perdidos no Espaço”, vocalizou: “Anotei seu telefone num pedaço de papel/ E calculei seu ascendente no recibo do aluguel.” Só rindo mesmo — e de identificação, claro. No disco “Dois”, de 1986, o cantor fala do fato de ela ser leonina e ele ter 16 anos, revelando quem de fato mandava na tal relação. No entanto, Eduardo e Mônica se encontraram.

Já em “Faroeste Caboclo”, de “Que País é Este?”, a astrologia aparece quando João de Santo Cristo se posiciona: “Não boto bomba em banca de jornal, nem em colégio de criança isso eu não faço não/ E não protejo general de 10 estrelas que fica atrás da mesa com o cu na mão.” O narrador, então, sapeca: “Nunca brinque com um Peixes de ascendente em Escorpião.”

Piky analisa outra composição. Em “Vinte Nove”, de “O Descobrimento do Brasil”, de 93, Renato utiliza a metáfora do retorno de Saturno como um renascimento, em uma possível referência aos 29 dias que ficou internado: “Passei vinte nove meses num navio/ E vinte e nove dias na prisão/ E aos vinte e nove, com retorno de Saturno, decidi começar a viver.”

Obra associa trajetória artística de Renato com a astrologia: artista deixou uma legião de fãs ao morrer há 30 anos

A astrologia é, nas palavras de Piky, uma linguagem simbólica, complexa em seus detalhes técnicos. “Fala também sobre o trivial, sobre o que vemos naquele dia, como enxergamos e, sobretudo, sobre o ‘humor do mundo’, como diz João Acuio, astrólogo e fundador da escola de astrologia tradicional Saturnália”, assinala a autora de “Renato Manfredini Júpiter”.

Ao pesquisar o mapa astral dos filmes “Lavoura Arcaica”, de Luiz Fernando Carvalho, e “O Invasor”, de Beto Brant, a escritora-astróloga encafifou-se: “Se tem mapa astral de filme, dá para ter mapa astral de disco.” Com a facilidade dos dias de hoje, diz ela, fez um estudo de “Matriz”, de Pitty, e de “Nó na Orelha”, de Criolo. Seus comentários estão no Instagram.

O legionário, no entanto, era um caso sério. Piky queria investigar se no mapa de Renato havia algo referente à data de lançamento de Legião Urbana, que saiu em 2 de janeiro de 85 sob a produção de José Emilio Rondeau. Ou se encontraria elementos astrológicos que lhe permitissem compreender a natureza do LP — seja em matéria de sonoridade ou temática.

“Quem conhece os álbuns, as canções e a vida de Renato Russo certamente vai se encantar com as informações que este livro tem”, sublinha a autora, acrescentando que a obra traz análises acerca dos álbuns com passagens entrelaçadas aos mapas anuais. “Quem conhece essa discografia provavelmente irá ouvir de um jeito inteiramente novo a partir deste livro.”

Conforme a escritora-astróloga, a “conversa” entre os signos de Peixes e Capricórnio no mapa astral de Renato diz muito a respeito de suas composições. A pesquisadora cita, em “Renato Manfredini ‘Júpiter’ – As Revoluções Solares do Líder Legionário”, uma entrevista publicada no livro “Música e Outras Conversas”, lançado em 1995 pelo músico Leoni.

Nela, Renato dá uma pista sobre os personagens de suas músicas: “É um jovem que acredita na virtude, em fazer as coisas corretamente, de acordo com as regras e fica batendo contra a parede porque esse mundo não funciona.” “Andrea Dória”, diz o artista, colocaria bem “a questão de ter um sonho” e “esbarrar” na mentira e no capitalismo. Ler é, sim, uma boa opção.


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