Rock brasiliense invade Goiânia neste fim de semana de MotoGP
Redação
Publicado em 19 de março de 2026 às 22:01 | Atualizado há 3 meses
Philippe Seabra traz repertório consciente para Goiânia - Foto: Facebook/ Plebe Rude
Marcus Vinícius Beck
O plebeu rude Philippe Seabra vai fazer o concreto rachar, neste sábado (21), na Arena Goiás, em Goiânia, pelo MotoGP. Em show gratuito, o músico sobe ao palco por volta das 18h30. Ele irá se apresentar ao lado da banda Fuzo, que se destaca pela versatilidade.
Na adolescência, Seabra sacou a filosofia punk: não deixe suas limitações te definirem. “Sendo autodidata, moldei meu estilo no decorrer dos anos”, diz, em “O Cara da Plebe”, livro editado pela Belas Letras. “Do it yourself na mais pura definição do termo.”
Tal como o legionário Renato Russo, o roqueiro era filho do tédio e da fúria. Não havia nascido no DF: ele era de outra capital, Washington D.C., nos Estados Unidos. Formou a Plebe Rude quase ao mesmo tempo em que se formaram Legião Urbana e Capital Inicial.
A Plebe Rude se articulou no início dos anos 80, época de abertura política. Do Clash, recebeu sua grande característica — dois vocalistas-guitarristas (Seabra e Jander Bilaphra) opostos, a se deitarem sobre uma cozinha eficaz (André X Mueller e Gutje Woorthmann).
Como esses caras já no final dos anos 70 ouviam Joe Strummer e Mick Jones no LP “Give ‘Em Enough Rope”? Como essa galera tinha conseguido um exemplar de “Never Mind the Bollocks”, essa anarquia sonora do Sex Pistols, já na segunda metade daquela década?
Simples: o isolamento de Brasília se dava apenas por razões geográficas. Diplomatas ou professores traziam as novidades dos EUA e do Reino Unido para seus filhos punks. Aí a rapaziada se juntava, papeava. Lia os jornais “New Musical Express” e “Melody Maker”.
Inquietação
Philippe Seabra lembra daquele tempo: “Como filhos de pais acadêmicos, nossa curiosidade intelectual estava mais do que estimulada, mas nem todos estavam antenados. A maioria estava no esquema escola-cinema-clube-televisão. Nós sabíamos algo que eles não sabiam.”
Imagine: o cara adorava o cinema de Truffaut e Pasolini, curtia os filmes de Fellini e Buñuel, pensava demais. Por isso, ele e Renato faziam letras lúcidas, políticas. Queriam rebelar-se.
O jornalista Renato Russo, segundo Arthur Dapieve, assinou o release para a imprensa do LP “Rachando o Concreto”, da Plebe. Evocando um trecho da música “Minha Renda”, afirmava: “É a primeira vez que o rock tem coragem para fazer uma autocrítica honesta.”
Lançado em fevereiro de 86, o disco abria com a plebe se ajoelhando e esperando a ajuda de Deus. Seguia clamando por “Proteção”, com PMs armados e a tropa de choque mantendo o povo no poder. Depois vinha “Johnny Foi Pra Guerra” — só pra ficar nessas faixas.
A essa altura, a Plebe já estava no Rio de Janeiro. E melhor, com seu punk politizado. Era a terceira banda a chegar lá. A primeira tinha sido os Paralamas. Quer dizer, eles começaram a bater lata no Rio, mas sempre se ligaram ao rock de Brasília. O segundo grupo era Legião.
Com Capital e Raimundos, Fan Fest toma conta de Gyn

A Legião Urbana, que pena, não está em Goiânia. Mas o Paralamas do Sucesso vai fazer show na capital neste sábado (21), por volta das 18h30, na Fan Fest do MotoGP, no estádio Serra Dourada. “Ó”, soltará a voz Herbert Vianna, “mundo tão desigual, tudo é tão desigual”.
O cantor-guitarrista enfatiza versos duros. Contudo, ele vai se levar pela paixão? Vai, é claro. Na cozinha, Bi Ribeiro assume nas quatro cordas graves um amor correspondido com o reggae. Motor rítmico, João Barone enlouquece qualquer um mais ou menos sensível ao som percussivo.
Como o The Police, é um power trio. Ao vivo, porém, os três são acompanhados por João Fera (teclados), Monteiro Jr. (saxofone) e Bidu Cordeiro (trombone). “De lado esse carnaval, de outro a fome total”, entoa Vianna, em “A Novidade”, parceria sua com o imortal Gilberto Gil.
Pode crer: ver Paralamas ao vivo é arrebatador, fitar Paralamas em ação é ser trespassado pela arte, assistir Paralamas é experiência que alivia a vida. E, no entanto, os shows seguem.
Aborto Elétrico
“As ruas têm cheiro de gasolina e óleo diesel”, diz o vocalista Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial. Uma tradução roqueira dos barulhos e cheiros da vida urbana. É “Música Urbana”, que será tocada neste domingo (22), por volta das 21h, na Fan Fest do MotoGP, em Goiânia.
Embora popular e adepto de certas fórmulas (ouça os últimos discos), o Capital finca seus pés na raiz do rock brasiliense. Dinho sabe que a galera espera os hits do Aborto Elétrico, grupo pioneiro do punk no Planalto Central. E ele, inteligente, irá interpretá-los.
Um dia antes, no sábado (21), a zoeira corre solta pelo Serra Dourada. Ora, já viu um show do Raimundos comportadinho? Pois é, os caras botam o som altíssimo — no mesmo dia dos Paralamas, já se ligou? Cada qual com seu estilo, é claro. Goiânia virou a capital do rock.
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