Rodrigo Santos promete festona em show no PiriBier nesta sexta (5/6)
Redação
Publicado em 5 de junho de 2026 às 00:10 | Atualizado há 2 horas
Músico vai tocar na cidade histórica no festival PiriBier - Foto: Divulgação
Marcus Vinícius Beck
Rodrigo Santos promete uma festona em Pirenópolis. “A galera pode esperar os sucessos. É claro, tem um pouco mais de Barão Vermelho. Barão e Cazuza. Fui integrante do Barão por 25 anos, entre 1992 e 2017”, diz o artista, que toca e canta no PiriBier nesta sexta-feira (5/6).
Será um transe. Ou, se não for, é quase isso. Rodrigo chama esse tal de roquenrou às oito da noite com sua turnê… “A Festa Rock”! Irá pras picas, a tristeza. Sextamos. É feriado. Depois, Nando Reis manda ver um hit atrás do outro. Gabriel o Pensador, já no sábado, vem quente.
“Lancei três discos com o nome ‘A Festa Rock’ desde 2015”, conta Rodrigo. Era um projeto paralelo, extensão do show que fazia entre 2011 e 2012. Todos os volumes estão disponíveis nas plataformas digitais. “Nem tocava [naquela época] ‘Bete Balanço’, essas coisas”, declara.
Na ocasião, o público pedia sucessos de sua banda. Os rocks do Barão entraram no projeto. Pintaram também canções gravadas com Kid Abelha, com Léo Jaime, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados e Lobão. Até músicas da Blitz. Sua passagem por lá durou um ano.
“[É] eu contando a minha história, que completa 40 anos. Misturei tudo”, explica o músico. “Comecei a tocar coisas que, pô, eu gravei no disco ao vivo do Lobão no Hollywood Rock. Coisas que gravei com o Kid no ‘Acústico MTV’. Que gravei com Leo Jaime em 86”, afirma.
O show foi pegando uma cara diferente. Rodrigo achou maneiro. As pessoas começaram a contratá-lo. Queriam curtir essa festa de arromba, essa “Festa Rock”. O músico, íntimo da estrada, dava pinta aonde fosse requisitado: podia ser em festival, palco grande, pequeno.
Repertório
Sim, seu lance é tocar. Nisso, o artista ampliou o repertório. Botou Titãs, Rita Lee, Legião. Além disso, criou uma banda com o baterista João Barone, o Call The Police (há dez anos já), que toca Police e tem em sua formação o guitarrista Andy Summers, do power trio inglês.
“Eu coloquei também, em ‘A Festa Rock’, músicas do The Police”, diz o baixista e violonista, de 62 anos. “E, aproveitando que eu tô tocando com o Barone também, tem Paralamas do Sucesso no show. O espetáculo, então, se tornou uma celebração ao rock e ao pop rock.”
Rodrigo ainda introduziu ao repertório os anos 1990 — “pessoas que foram influenciadas pela gente, pelo Barão, pelos artistas com os quais eu toquei”. “É um show-DJ em que eu praticamente sou um DJ em formato banda e em formato power trio, às vezes quarteto.”
Nascido no Rio de Janeiro, em 1964, o músico se assume eclético. Ouve música desde os cinco, seis anos. Aos onze, apaixonado por Beatles e Bob Dylan, iniciou-se no violão. Pirou legal. Pouco tempo depois, passou a ter aulas com o compositor paraense Nilson Chaves.
“Sabia tudo de MPB”, atesta Rodrigo, cujo estudo o levou a tirar canções de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico, Milton Nascimento, Clube da Esquina, Novos Baianos, Secos e Molhados. “E assim foi com o violão e com o baixo. Mas, no baixo, eu fui autodidata.”
Rodrigo criou linhas de baixo que marcaram rock brasileiro

Foram cinco aulas com Nico Assumpção. Tratava-se de um músico respeitado: tocava com Milton. Rodrigo se recorda de vê-lo em shows instrumentais, de jazz. Tudo ao ar livre, suave, no Parque da Catacumba. Até o início dos anos 80, havia pouco espetáculo de rock no Rio.
Ao mesmo tempo em que enlouquecia ouvindo Led Zeppelin, sacava música brasileira. “Minhas influências de baixo, no Brasil, eram Liminha, Dadi, Didi Gomes, irmão do Pepeu, Arnaldo Brandão, que acompanhou o Caetano em A Outra Banda da Terra”, revela.
Rodrigo tinha um ouvido atento. Escutava de tudo: The Smiths, U2, The Cure, Men At Work, Police. Mas também Bill Haley, Chuck Berry, as orquestras de jazz, tal e qual Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, bem como a tropicália, o rock progressivo e os trovadores.
“No meio dos anos 70 pro final, começou a aparecer uma outra galera, que é a galera do punk, do gótico. New wave era uma mistura de tudo um pouco”, contextualiza. “Você via uma coisa no The Cure, no Smiths outra, New Order, Joy Division, Echo & the Bunnymen.”
Tudo isso se via na geração 80. Rodrigo chegou ao João Penca e Seus Miquinhos Amestrados tendo uma sólida escola de new wave. “Foi muito bacana tocar com os Miquinhos”, afirma, destacando a diversão e o humor inteligente característicos do grupo liderado por Leo Jaime.
De miquinho amestrado a rock estrela — tocou com Leo —, Rodrigo acabou no Lobão. “Ele me chamou quando o Léo Jaime parou e tirou férias. Tinha visto um show meu com o Leo no Maracanãzinho, no Festival Alternativa Nativa, em 88. Gravei quatro discos”, revela.
Sob o sol de Parador
Um deles em Los Angeles (EUA): “Sob o Sol de Parador”, de 1989. Produzido por Liminha, a obra traz “Essa Noite, Não (Marcha a Ré em Paquetá)”. Rodrigo recorda que Lobão e a banda tocavam essa música nos aeroportos: “A gente levava sempre um violão a tiracolo.”
Os artistas costumavam levar um som no saguão do aeroporto às três da manhã, esperando o voo da madrugada: “Tinha muito voo madrugadão antigamente.” De acordo com o baixista, ficava mais barato fazer uma turnê dessa forma, ir para o Nordeste e Norte.
Quando se iniciaram os ensaios, Rodrigo estava com a ideia da linha de baixo em sua cabeça. “É meio que um reggae sem ser reggae, né? Ela não tinha uma estrutura de reggae e ela tinha uma parte B que caía como se fosse um Neil Young e tal. Aí eu fui no meu instinto mesmo, criei um baixo que soasse junto com a divisão do violão. Foi meio isso.”
No Hollywood Rock, em São Paulo, os artistas do Barão Vermelho viram a apresentação de Rodrigo Santos com Lobão. Após o show, numa festa no Hotel Hilton, o empresário Duda Ordunha convida o músico para se juntar aos barões. Dé Palmeira estava pra deixar o baixo.
Rodrigo, contudo, hesitou: “pô, Duda, não dá pra sair.” Dadi Carvalho, que tocara com Mick Jagger, ex-A Cor do Som e Novos Baianos, substituiu Dé no Barão. Gravou “Na Calada da Noite”, mas recebeu convite de Caetano para acompanhá-lo em turnê, ao qual disse “sim”.
Músico virou membro do Barão Vermelho em 1992

Às oito da manhã, o telefone tocou. Rodrigo atendeu: era o baterista Guto Goffi. À tarde, foi ensaiar para o repertório do LP “Supermercados da Vida”, lançado em 1992. O Barão, nesta época, rodava o país com a turnê — uma porrada! — em que celebrava seus 10 anos de vida.
“Umas duas semanas depois do primeiro ensaio, tinha show do Barão marcado no interior de Minas, se não me engano”, lembra o artista. “Eram os shows que o Dadi não poderia fazer. Foi antes do Imperator, no Rio.” Rodrigo tirou o repertório a partir de uma fita cassete.
De cara, houve sintonia entre ele e os barões. A banda começou a ter backing vocals, pois a voz do baixista combinava com a do vocalista e guitarrista Roberto Frejat. No disco “Carne Crua”, de 1994, o músico assinou, junto de Frejat e Dulce Quental, a faixa “Vida Frágil”.
“Ela tinha me mandado a letra e eu tinha feito um rock’n’roll. Um rock com riff. E tinha mostrado isso pro Frejat. Eu falei: ‘Pô, quer fazer comigo?’ E aí, beleza. Eu tava com outras canções que não mereciam entrar, não quis mostrá-las. Aí eu mostrei essa, ele gostou”, diz.
Rodrigo foi ao estúdio de Frejat. Lá, levaram um som. Quando chegou a hora do ensaio, os seis barões juntos trouxeram a música para um outro lado. Segundo o baixista, a composição estava indo para uma direção mais Doobie Brothers, com guitarras dobradas em terças.
Entrou a percussão, um suingue a mais. “Eu também fui participando disso e achando legal, criei um baixo diferente, porque eu e o Frejat, a gente tinha criado a música, parte A, B e C.” Os músicos mantiveram a estrutura melódica e harmônica, mas mudaram o arranjo rítmico.
No estúdio com os barões
“Ficou sensacional”, avalia Rodrigo Santos. “Criei um baixo do qual gosto muito. O diálogo da gente sempre foi apresentar a canção e, no estúdio, ela criar a própria vida com a soma dos seis. Cara, nós seis tínhamos uma química muito boa de composição e de arranjo.”
Durante as sessões de “Carne Crua”, Rodrigo teve a ideia do backing vocal para a canção “Meus Bons Amigos”. “O amor sem fim…. Aquela terça não tinha. E eu escutava vocais na minha cabeça em algumas músicas. Aí cheguei para o Paulo Junqueira, que produzia o disco. Falei: ‘Cara, eu posso experimentar um negócio lá no estúdio?’”, recorda-se o músico.
Junqueira rebateu: “Não, a música tá pronta, tá pronta.” Rodrigo, então, argumentou: “Cara, eu fico escutando uns backing vocals na minha cabeça. Deixa eu testar um negócio aqui.” O produtor, por fim, cedeu: “Vai lá.” “Quando eu botei o ‘amor sem fim’, que a música subiu, ele apertou o talkback, eu de fone ainda, e falou: ‘Mais 100 mil cópias vendidas.’ Todo mundo que tinha ideia no Barão era assim: vai lá, cara, executa a tua ideia aí, a gente vê.”
No CD “Puro Êxtase”, de 1998, o baixista escreveu a canção “O Sono Vem”. Ele a criou quando conhecera a sua esposa. “Eu a conheci e tal e eu queria encontrá-la, eu não conseguia parar de pensar nela. E depois não conseguia dormir por causa disso também, apaixonado.”
“E eu falei: ‘pô, se eu parar de pensar em você, o sono vem.’ Escrevi essa frase. Tava ouvindo muito U2 na época. Aí eu compus essa música e botei na minha secretária eletrônica para não esquecer. Deixava ali no violão pra lembrar. Não tinha gravadorzinho”, revela Rodrigo.
Foi gravada numa demo de voz e violão. Rodrigo apresentou a música para Frejat, que já chegava com guitarra e uma bateria eletrônica. “Cada um fazia do seu jeito”, conta. O cantor gostou. Levaram-na ao Barão: “cara, o repertório era votação, né?”. Suave, todos gostaram.
Na década de 90, o Barão explodiu. Duplo platina. Houve ainda o “Álbum”, de 96, bem como o ‘Balada MTV’, de 99. “Foi uma coisa espetacular. Teve ainda o lance dos Stones [o Barão abriu os cinco shows do grupo londrino no Brasil, em 1995]”, rememora o baixista.
Em São Paulo, os cariocas tocaram sob uma chuva torrencial no estádio Pacaembu. “A gente foi tocando, chovendo. Os instrumentos todos pararam”, relata Rodrigo. E ainda faltavam duas músicas. E todo mundo gritando debaixo de uma ducha gigante. “Porra, a plateia inteira dizendo: ‘Barão, Barão.’ Por conta da nossa ali raça tocando”, revive Rodrigo.
Barão tirou férias para Frejat se dedicar à carreira solo

A partir de 2001, o Barão Vermelho tirou férias. Frejat queria se dedicar à carreira solo. “Vira um outro Barão, outro momento da vida, uma coisa mais esporádica, para, volta e tal”, comenta Rodrigo Santos. O grupo se juntou em 2004. Foi quando o CD “Barão Vermelho”.
“Neste disco, a gente chegou com umas 30 músicas”, conta. “Cada um chegou com, sei lá, 10 músicas, muitos parceiros, todo mundo compondo com todo mundo.” Rodrigo é autor de três faixas. “Tinha uma quarta, ‘O Estrangeiro’, que eu havia feito com Maurício Barros e Mauro Santa Cecília e que acabou indo para o meu disco solo, meu primeiro disco solo.”
Na volta do Barão em 2017 — sem Frejat nos vocais —, Rodrigo também compôs com os barões. “Eu compus várias músicas também, todo mundo, eu, Suricato, o Maurício, o Guto e tal, já sem o Frejat, né?”, diz. Rodrigo Suricato virou frontman, além de assumir a guitarra.
“E acabou que eu saí do Barão em novembro, né? Antes de sair qualquer disco autoral do Barão, eu lancei no meu disco de 2019 uma música minha com o Suricato. ‘Um de Nós’, o nome da música. E ficou bem bonita”, afirma. “Ela ia para o disco do Barão, que foi lançado autoral depois que eu já tinha saído. É o ‘Viva’. Talvez essa música estivesse nele, não sei.”
Rodrigo decolou como artista solo. Hoje, ele percorre o Brasil. Onde passa, leva “A Festa Rock”. Além disso, anda pelo mundo com o Call The Police, interpretando o repertório da banda inglesa ao lado do guitarrista Andy Summers e do baterista João Barone. Superou o vício em álcool e drogas. Dá palestras, conselhos. Nunca se esqueceu de seus bons amigos.
Em breve, o artista lança “Rodrigo Santos Canta Nelson Motta”, com direção musical do compositor e produtor. No PiriBier, Rodrigo estará acompanhado de dois músicos goianos: Ingrid Lobo, guitarra e backing vocal, e Pedro Brito, bateria. Pode anotar: será uma festona.