Faltam 28 dias: Copa do Mundo de 2026 pode ter jogos em condições de calor extremo
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 14 de maio de 2026 às 17:06 | Atualizado há 2 meses
Final do torneio, marcada para o MetLife Stadium, também aparece entre as partidas com risco de calor intenso | Foto: GE/Camilo Pinheiro Machado
Faltam 28 dias para a Copa do Mundo de 2026, e o DM Online segue com sua série especial de contagem regressiva para o maior torneio de futebol do planeta. Nesta edição, o destaque é o alerta de estudos internacionais sobre o risco de calor extremo durante o Mundial, que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá, e pode afetar o desempenho e a segurança de jogadores e torcedores.
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A análise se baseia no índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT), que considera fatores como temperatura, umidade, vento e radiação solar para medir o estresse térmico durante atividades ao ar livre. O indicador é utilizado como referência para avaliar condições consideradas adequadas ou críticas para a prática esportiva.
Com base nesses parâmetros, o estudo aponta que parte dos jogos pode ocorrer em níveis acima do recomendado, o que acende o alerta para possíveis impactos físicos aos atletas e também riscos adicionais para torcedores e profissionais envolvidos na competição.
Estudo estima jogos acima do limite de segurança
De acordo com a análise, cerca de um quarto dos 104 jogos previstos para o Mundial pode ser disputado sob condições acima dos parâmetros de segurança considerados pela FIFPRO. O percentual é quase o dobro do registrado na Copa do Mundo de 1994, também realizada nos Estados Unidos.
O levantamento estima ainda que aproximadamente cinco partidas podem ocorrer em níveis classificados como inseguros, cenário em que a própria entidade recomenda o adiamento dos confrontos.
Para a projeção, os pesquisadores consideraram variações climáticas e horários das partidas, além da aplicação do índice WBGT como referência de risco.
Segundo o diretor médico da FIFPRO, Vincent Gouttebarge, os resultados reforçam alertas já feitos pela entidade em 2023 e evidenciam a necessidade de protocolos mais rigorosos para proteger atletas e demais envolvidos na competição.
Protocolos preveem pausas e possibilidade de adiamento
A FIFPRO recomenda a adoção de medidas de resfriamento sempre que o WBGT ultrapassar 26°C. Quando o índice supera 28°C, a entidade considera que há risco elevado para a prática esportiva de alta intensidade e defende o adiamento das partidas.
A FIFA informou que elaborou um plano específico para lidar com as altas temperaturas durante o torneio. Entre as ações previstas estão pausas de três minutos para hidratação em cada tempo, áreas de resfriamento para jogadores e torcedores, ajustes nas rotinas de trabalho e descanso e reforço das equipes médicas.
Apesar disso, o estudo indica que mais de um terço das partidas com pelo menos 10% de probabilidade de ultrapassar o limite de 26°C de WBGT está marcado para estádios sem sistema de ar-condicionado.
Entre as cidades citadas no levantamento estão Miami, Kansas City, Nova York e Filadélfia.
Final no MetLife Stadium também preocupa
A final da Copa do Mundo de 2026, programada para o MetLife Stadium, também aparece entre os jogos sob atenção.
Segundo o estudo, o estádio tem uma chance de uma em oito de registrar temperaturas acima de 26°C de WBGT e cerca de 3% de probabilidade de atingir níveis considerados ainda mais perigosos.
A climatologista Friederike Otto afirmou que os resultados reforçam a necessidade de a FIFA reconsiderar o período de realização de futuras edições do torneio, especialmente em regiões sujeitas a calor extremo durante o verão.
Na avaliação da pesquisadora, a competição poderia ser disputada em meses mais amenos, reduzindo os riscos à saúde de jogadores, torcedores e trabalhadores envolvidos no evento.