Mundial de Surfe começa com mudanças, volta de Medina e etapa inédita
Giovanna Gonçalves - Estágio DM
Publicado em 31 de março de 2026 às 13:29 | Atualizado há 4 meses
Nova temporada da WSL estreia com mudanças no formato e retorno de Gabriel Medina | Foto: Reprodução
A World Surf League abre a temporada do Circuito Mundial de 2026 nesta semana com mudanças dentro e fora d’água. Com novo calendário, formato mais direto, alterações estruturais e o retorno de nomes de peso, o tour entra em uma de suas fases mais interessantes dos últimos anos.
A primeira etapa acontece em Bells Beach e pode começar já nesta terça-feira, com janela aberta até 11 de abril. A temporada volta a decidir o título mundial no ranking geral, nos chamados pontos corridos, com a final em Pipeline.
O Brasil terá dez representantes no CT, sendo nove no masculino e um no feminino. A lista reúne nomes consolidados e uma novidade.
Entre os homens, o país conta com um quarteto de peso formado por quatro campeões mundiais: Yago Dora, atual campeão, Filipe Toledo, Italo Ferreira e Gabriel Medina, que retorna ao circuito após mais de um ano afastado.
Completam a delegação Miguel Pupo, João Chianca, Alejo Muniz, Samuel Pupo e Mateus Herdy, único estreante brasileiro na temporada.
No feminino, a representante brasileira será Luana Silva.
Medina em clima de recomeço
O retorno de Gabriel Medina é um dos grandes destaques da temporada. Fora do circuito por mais de um ano, o tricampeão mundial volta como wildcard em um momento que ele mesmo define como um “novo começo”.
A volta vem acompanhada de uma mudança importante fora d’água: Medina terá como treinador o também campeão mundial Adriano de Souza. A parceria marca uma nova fase na carreira do brasileiro, que busca o quarto título mundial.

Etapa inédita
Uma das principais novidades do calendário é a saída de Jeffreys Bay, substituída por uma etapa na Nova Zelândia.
O novo evento acontece em Raglan, com disputas concentradas em Manu Bay, uma das esquerdas mais longas e consistentes do mundo.
A mudança atende a um pedido antigo dos atletas por mais ondas de performance para a esquerda no tour e altera de forma relevante o equilíbrio técnico da temporada.
Dentro d’água, a WSL adotou um formato mais direto, aumentando a pressão desde a primeira bateria.
As tradicionais baterias com três atletas deixaram de existir. A partir de 2026, todos os confrontos são diretos, no formato mata-mata.
No masculino, o evento começa com uma fase eliminatória envolvendo os surfistas de ranking mais baixo e convidados. Eles disputam baterias logo de início, e apenas os vencedores avançam para enfrentar os principais cabeças de chave na fase seguinte.
Ou seja: parte do tour já entra sob risco de eliminação imediata, sem a segunda chance da repescagem, que existia nos anos anteriores.
No feminino, com o aumento do número de atletas, as oito mais bem colocadas do ranking avançam diretamente para a segunda fase, enquanto as demais disputam a primeira rodada.
Corte diferente
O tradicional corte de meio de temporada foi reformulado. Ninguém será eliminado do circuito, mas apenas os mais bem colocados avançam para as duas últimas etapas antes da decisão — em Abu Dhabi e Peniche. Para isso, serão considerados os sete melhores resultados de cada atleta nas nove primeiras etapas do ano.
Já a disputa pelo título mundial volta a ser definida no ranking geral, nos pontos corridos.
E com um detalhe importante: todos os atletas retornam para a etapa final em Pipeline, que terá peso maior. A vitória no evento vale 15 mil pontos, contra 10 mil das demais etapas, mantendo a disputa pelo título aberta até o fim.
Além dos brasileiros, alguns nomes estrangeiros chegam como fortes candidatos ao título.
O norte-americano Griffin Colapinto segue como um dos mais completos do circuito, enquanto o australiano Jack Robinson é sempre uma ameaça em ondas mais pesadas.
Outro destaque é Ethan Ewing, dono de um surfe técnico e consistente, especialmente em ondas de linha mais limpa.
Choque de gerações
No feminino, o cenário também promete um choque de gerações. A atual campeã mundial Molly Picklum chega como principal nome a ser batido após uma temporada dominante e extremamente consistente.
Logo atrás, a jovem Caitlin Simmers, campeã em 2024, segue como uma das surfistas mais talentosas da nova geração, capaz de vencer em qualquer condição.
Outro nome que cresce cada vez mais é Gabriela Bryan, já com vitórias importantes no tour e cada vez mais sólida entre as melhores.
E, claro, dois retornos que elevam ainda mais o nível: as lendas Stephanie Gilmore e Carissa Moore estão de volta em tempo integral, trazendo experiência e peso histórico para um circuito em transição de gerações.
(Folhapress/Guilherme Dorini)