Crises com Paraguai e Argentina marcam semana da política externa de Lula
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 31 de julho de 2026 às 14:27 | Atualizado há 48 minutos
Declarações de Lula sobre a Guerra do Paraguai e críticas de Javier Milei ampliaram as tensões regionais | Foto: Ricardo Stuckert/PR
A política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou a semana sob pressão após o agravamento de impasses diplomáticos com Paraguai e Argentina, dois países cujos governos mantêm proximidade com a administração do presidente norte-americano Donald Trump. Os dois episódios envolveram declarações de chefes de Estado e motivaram reações formais no campo diplomático.
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O caso mais recente envolve o Paraguai. Nesta sexta-feira (31), o governo paraguaio deve entregar uma nota oficial ao embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, manifestando descontentamento com declarações feitas por Lula sobre a Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança.
A convocação do representante brasileiro pela chancelaria paraguaia é considerada um gesto diplomático de forte insatisfação entre os dois países e ocorre após o presidente brasileiro mencionar o conflito do século XIX durante um evento realizado no último fim de semana, em São Paulo.
Na ocasião, Lula utilizou a guerra como exemplo ao defender investimentos na área de defesa nacional. O presidente lembrou que, apesar do histórico brasileiro de participação limitada em conflitos armados, o país foi invadido pelo Paraguai em 1864, episódio que desencadeou uma guerra de cinco anos envolvendo também Argentina e Uruguai.
Governo paraguaio contesta declaração de Lula
A interpretação apresentada por Lula foi criticada pelo governo do Paraguai, que considera a fala uma simplificação dos acontecimentos históricos. Para as autoridades paraguaias, a ofensiva militar contra o Brasil ocorreu após a intervenção brasileira na política uruguaia, que resultou na queda do então presidente Atanasio Cruz Aguirre, aliado do governo de Assunção.
Essa versão dos acontecimentos é defendida por setores da historiografia paraguaia, que associam o conflito à influência do imperialismo britânico e apontam participação ativa de Brasil e Argentina na guerra contra o Paraguai.
Além da convocação do embaixador brasileiro, o episódio provocou reações no Parlamento paraguaio. Em uma declaração aprovada por unanimidade, o Congresso do país afirmou que as falas de Lula minimizaram o “profundo sofrimento humano” enfrentado pela população paraguaia durante o conflito.
Brasil também reage a declarações de Javier Milei
Enquanto tenta administrar o impasse com o Paraguai, o governo brasileiro enfrenta outra crise diplomática envolvendo a Argentina.
A tensão aumentou após o presidente argentino, Javier Milei, participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Durante o evento, além de declarar apoio ao parlamentar, Milei direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “presidiário” e afirmando que o petista conduz o Brasil para um cenário de endividamento.
Em resposta, o governo brasileiro convocou o embaixador da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos sobre as declarações do chefe de Estado argentino.
Como parte da reação diplomática, o Itamaraty também determinou o retorno temporário do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli. A medida foi interpretada como um sinal oficial de descontentamento diante das manifestações de Milei.
Após retornar ao Brasil, Bitelli participou de reuniões com o presidente Lula e com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Os encontros serviram para avaliar os impactos do episódio e discutir os próximos passos da relação bilateral entre os dois países.
De acordo com fontes do Itamaraty, a volta do embaixador à Argentina dependerá da evolução das negociações e dos desdobramentos diplomáticos nos próximos dias.