Cuba confirma negociações com EUA em meio a crise de combustível e apagões
Léo Carvalho
Publicado em 13 de março de 2026 às 11:43 | Atualizado há 4 meses
Miguel Díaz-Canel afirmou que Cuba busca diálogo com os Estados Unidos para tentar resolver o bloqueio energético que afeta o país | Foto: Share América
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta sexta-feira (13), em um raro pronunciamento transmitido pela televisão estatal, que autoridades cubanas mantiveram conversas com representantes do governo dos Estados Unidos em busca de uma solução para o bloqueio petrolífero imposto por Washington.
Segundo ele, nenhum combustível entrou na ilha nos últimos três meses.
O país enfrenta uma das mais graves crises econômicas e humanitárias desde a revolução de 1959. A situação foi agravada após o veto ao comércio de petróleo venezuelano com Cuba e a interrupção de remessas de outros fornecedores, o que provocou escassez de combustível e dificuldades no fornecimento de energia.
“Essas conversas tiveram como objetivo encontrar soluções por meio do diálogo para as diferenças bilaterais que temos entre as duas nações”, afirmou Díaz-Canel. O presidente disse ainda que Cuba pretende continuar as negociações e avaliar se existe disposição de ambos os lados para chegar a um acordo.
A crise energética tem causado angústia na população e instabilidade em serviços básicos. De acordo com o líder cubano, apagões prolongados e a escassez de combustível estão afetando o funcionamento da economia e do sistema elétrico.
“Me pergunto que países teriam a capacidade de manter a geração elétrica em meio a um bloqueio como esse? Isso só foi possível porque fizemos um uso racional — e até criativo — dos recursos disponíveis”, declarou.
Crise energética e serviços afetados
Cuba convive com apagões que podem durar até 20 horas em algumas regiões. A falta de combustível também tem provocado fechamento de hotéis, cancelamento de voos e interrupções em serviços públicos, como coleta de lixo e transporte.
Díaz-Canel afirmou que a escassez de energia está afetando o sistema de saúde e gerando filas de milhares de pessoas à espera de cirurgias. Segundo ele, padarias em algumas regiões passaram a utilizar lenha e carvão para manter a produção.
O governo cubano também anunciou medidas para tentar amenizar a crise, incluindo o aumento da produção doméstica de petróleo e gás.
Pressão dos Estados Unidos
O governo dos Estados Unidos tem endurecido as sanções contra Cuba e pressionado outros países a interromper o envio de petróleo à ilha. Washington também ameaçou aplicar tarifas a nações que vendam combustível ao país caribenho.
Além disso, o presidente Donald Trump declarou recentemente que os Estados Unidos devem voltar sua atenção para Cuba após a conclusão de outros conflitos internacionais.
Como gesto de boa vontade em meio às tensões, Cuba anunciou a libertação antecipada de 51 prisioneiros nos próximos dias, medida relacionada a negociações mediadas pelo Vaticano.
Turismo e economia em queda
A crise energética também ameaça o setor turístico, uma das principais fontes de receita do país. A falta de combustível de aviação levou companhias aéreas a anunciar suspensão de voos para a ilha.
Com a escassez de petróleo, o governo passou a impor racionamentos de energia que chegam a 15 horas diárias em Havana e podem ser ainda mais longos nas províncias.