Internacional

FBI indica ausência de provas de rede de tráfico sexual ligada a Epstein

Léo Carvalho

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 14:19 | Atualizado há 4 meses

Arquivos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram que investigações não encontraram evidências suficientes para acusar outras pessoas influentes | Foto: Reprodução
Arquivos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram que investigações não encontraram evidências suficientes para acusar outras pessoas influentes | Foto: Reprodução

Memorandos do FBI e outros arquivos policiais e de procuradores dos Estados Unidos, que integram a base de documentos liberada pelo Departamento de Justiça sobre o caso Jeffrey Epstein, indicam que a polícia federal americana concluiu que o financista não geria uma rede de tráfico sexual para atender pessoas poderosas.

A agência de notícias Associated Press analisou parte desse material para reconstituir o percurso das investigações conduzidas pelo FBI. Segundo os documentos, não foram encontradas evidências suficientes para apresentar acusações adicionais contra Epstein, seus associados ou pessoas influentes que tiveram relação com ele.

Início das investigações e condenação

A investigação teve início em 2005, após os pais de uma adolescente de 14 anos denunciarem abuso ocorrido na casa de Epstein em Palm Beach, na Flórida. Ao menos 35 relatos semelhantes foram registrados.

Com base nesses casos, procuradores federais processaram o financista e alguns de seus assistentes pessoais. Epstein firmou um acordo judicial, declarou-se culpado e teve a pena reduzida. Cumpriu 18 meses de prisão e deixou o sistema penitenciário em 2009.

Em julho de 2019, após novas reportagens na imprensa americana, promotores federais de Nova York reabriram o caso e prenderam novamente Epstein. Ele morreu na prisão em agosto daquele ano. Ghislaine Maxwell, ex-companheira do financista, foi acusada em 2020 por recrutar vítimas e presa em 2021.

Depoimentos de vítimas e limites das provas

Os documentos analisados pela AP mostram que o FBI examinou detalhadamente indícios sobre possíveis suspeitos, incluindo denúncias feitas por telefone consideradas inconsistentes ou de difícil compreensão.

A polícia federal também realizou entrevistas com diversas vítimas. Um dos casos citados é o de Virginia Giuffre. Investigadores concluíram que ela foi abusada sexualmente por Epstein, mas afirmaram não ter conseguido confirmar outras partes de suas acusações, entre elas a de abuso cometido pelo então príncipe Andrew, da família real britânica.

Segundo um memorando interno do FBI de 2019, duas outras vítimas citadas por Giuffre afirmaram não ter vivenciado situações semelhantes. O documento registra que nenhuma outra vítima descreveu ter sido direcionada por Maxwell ou Epstein para manter relações sexuais com outros homens.

Os investigadores também apontaram divergências em declarações prestadas por Giuffre ao longo do tempo. Ela defendeu a veracidade de suas acusações em um livro de memórias publicado posteriormente. Giuffre morreu em 2025.

Pessoas investigadas e ausência de acusações

Um email da ex-procuradora assistente Maurene Comey ao FBI informou que fotos e vídeos apreendidos não indicavam envolvimento sexual de outros adultos além de Epstein e Maxwell. Procuradores também relataram que, embora registros financeiros mostrassem pagamentos a mais de 25 mulheres que aparentavam ser modelos, não havia evidências de que Epstein as estivesse prostituindo.

Pessoas próximas ao financista não foram acusadas por falta de provas suficientes. Em um dos casos, investigadores concluíram que uma assistente de Epstein foi vítima de abuso e manipulação, apesar de possivelmente ter conhecimento de outros abusos. Ela não foi denunciada criminalmente.

Pilotos dos aviões de Epstein e antigos amigos e clientes, como o bilionário Les Wexner, também foram investigados após a prisão de 2019. Um agente do FBI escreveu, em agosto daquele ano, que havia evidência limitada sobre o envolvimento de Wexner.

Uma suposta lista de clientes de Epstein, amplamente discutida nas redes sociais, não foi localizada pelo FBI. Em fevereiro de 2025, a então secretária de Justiça do governo Trump, Pam Bondi, afirmou em entrevista que a lista estaria em sua posse. Dois dias antes, porém, um agente do FBI registrou em documento que investigadores não haviam encontrado material desse tipo durante as apurações. (Com informações da Folhapress)


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