Marco Rubio visita papa Leão 14 após ataques públicos de Trump no Vaticano
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 7 de maio de 2026 às 14:59 | Atualizado há 2 meses
Marco Rubio se reuniu com o papa Leão 14 no Vaticano em encontro marcado por tensões entre Trump e o pontífice | Foto: Divulgação/Vaticano
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, visitou o Vaticano para um encontro com o papa Leão 14 nesta quinta-feira (7). O encontro acontece depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacar repetidamente o pontífice nas redes sociais e em declarações públicas.
A comitiva de Rubio percorreu a avenida central de Roma sob forte esquema de segurança, chegando às 11h10 (6h10 no horário de Brasília) para a primeira visita entre o papa e um membro do gabinete de Trump em quase um ano.
O americano passou duas horas e meia no Vaticano. Ele se reuniu inicialmente com o papa, antes de se encontrar com funcionários de alto escalão da Igreja, incluindo o cardeal Pietro Parolin, principal diplomata do país. Uma autoridade americana ouvida pela agência AFP relatou que as conversas de Rubio com o pontífice foram “amigáveis e construtivas”.
A audiência, que durou aproximadamente 45 minutos, “ressaltou a solidez das relações entre os Estados Unidos e a Santa Sé, bem como o compromisso mútuo com a paz e a dignidade humana”, afirmou o Departamento de Estado em comunicado.
“Eles analisaram os esforços humanitários em curso” nas Américas e “as iniciativas para estabelecer uma paz duradoura no Oriente Médio”, acrescentou. O diálogo testemunhou “a parceria forte e duradoura entre os Estados Unidos e a Santa Sé em apoio à liberdade religiosa”, segundo o texto.
O Vaticano afirmou, em nota, que houve “uma troca de opiniões sobre a situação regional e internacional, com particular atenção aos países marcados por guerras, tensões políticas e situações humanitárias difíceis, bem como sobre a necessidade de trabalhar incansavelmente pela paz”.
Relação entre Leão 14 e o governo Trump
Rubio já havia se encontrado com Leão, o primeiro papa dos EUA, em maio de 2025, ao lado do vice-presidente J. D. Vance. Os dois, ambos católicos, participaram da missa de posse do novo líder da Igreja Católica na praça São Pedro e tiveram uma reunião privada com o pontífice no dia seguinte.
O papa manteve um perfil discreto no cenário global nos primeiros meses de seu pontificado, mas emergiu nas últimas semanas como um crítico ferrenho da guerra liderada pelos EUA e Israel contra o Irã. Ele também passou a criticar de forma dura as políticas anti-imigração do governo Trump.
O pontífice afirmou que “Deus não abençoa nenhum conflito” e que quem segue Cristo não apoia o lançamento de bombas. Em reação, Trump criticou o papa nas redes sociais várias vezes, chegando a chamá-lo de terrível. Em uma publicação que virou meme ao redor do mundo, ele afirmou que Leão era “fraco contra o crime”.
Depois, afirmou que não pediria desculpas ao religioso. “O papa disse coisas que estão erradas e ele é contra o que estou fazendo no Irã, e não podemos ter um Irã nuclear”, afirmou em entrevista a jornalistas na Casa Branca.
Publicação com imagem gerada por IA gerou críticas
Em um momento que gerou críticas de seu eleitorado cristão, Trump publicou uma imagem produzida com inteligência artificial mostrando a si mesmo com vestes similares às de Jesus. Horas depois, a imagem foi tirada do ar. A jornalistas, o presidente disse que ele mesmo publicou a imagem.
“Achei que fosse eu como médico e que tivesse a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha lá, que nós apoiamos”, disse, atribuindo à imprensa a comparação com Jesus.
Leão disse não temer o governo do republicano e prometeu continuar falando sobre a guerra. Dias depois, ele minimizou a desavença com Trump. (FOLHAPRESS)