Nepal ainda tem áreas isoladas após enchentes e ONU alerta para crise humanitária
Heloysa Camilo - Estágio DM
Publicado em 1 de setembro de 2026 às 12:07 | Atualizado há 14 minutos
Equipes de emergência enfrentam estradas destruídas e áreas isoladas no Nepal | Foto: Prakash Methema/AFP/Getty Images via CNN Newsource
Mais de mil pessoas morreram e outras milhares continuam desaparecidas após as enchentes repentinas e os deslizamentos de terra que atingiram o Nepal e a China na semana passada. No Nepal, a dimensão do desastre ainda é difícil de mensurar, já que equipes de emergência não conseguiram chegar a algumas das localidades mais afetadas.
Um relatório divulgado pelo Escritório do Coordenador Residente das Nações Unidas no Nepal aponta que estradas e pontes destruídas são alguns dos principais obstáculos para a chegada de ajuda. A reconstrução de parte dessa infraestrutura pode levar semanas.
Além dos danos nas vias de acesso, a população enfrenta interrupções no fornecimento de eletricidade e nas comunicações. A erosão das margens dos rios e a instabilidade do terreno também aumentam a dificuldade para os trabalhos de emergência.
Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis
A situação humanitária preocupa especialmente por causa do impacto sobre crianças e gestantes. Segundo a ONU, aproximadamente 22,1 mil crianças foram afetadas pelas enchentes, e cerca de 2,6 mil menores de cinco anos podem precisar de tratamento contra desnutrição aguda grave.
Milhares de gestantes também necessitam de suporte nutricional. Outro ponto de preocupação é a possibilidade de aumento de doenças provocadas pelas condições precárias deixadas pelo desastre. Entre as enfermidades que estão sendo monitoradas estão cólera, malária e febre tifoide.
Relatórios preliminares indicam ainda que mais de 100 crianças podem ter sido separadas de seus pais ou responsáveis. Pelo menos 19 escolas também sofreram danos causados pelas inundações.
Mais de 4,4 mil pessoas continuam desaparecidas
O número de mortos chegou a pelo menos 1.003, segundo a autoridade de gerenciamento de desastres do Nepal. As buscas, porém, continuam, com mais de 4.400 pessoas ainda desaparecidas.
A tragédia também atingiu turistas e estrangeiros que estavam na região. O Departamento de Turismo do Nepal identificou 583 estrangeiros desaparecidos, de 38 nacionalidades. No lado chinês da fronteira, autoridades informaram que pelo menos 461 estrangeiros, de 23 países, seguem desaparecidos.
Risco de geleiras ainda preocupa autoridades
Mesmo com a redução de alguns riscos relacionados às inundações, autoridades chinesas continuam em alerta para possíveis novos desastres na região do Himalaia.
Segundo a emissora estatal CCTV, o Ministério de Recursos Hídricos da China informou que geleiras próximas a uma cratera formada após um colapso glacial ainda podem ceder, representando uma ameaça para as áreas atingidas.
Imagens obtidas por drones na manhã desta terça-feira (1º) mostraram que a água acumulada na região do rio Chhochen Khola, no Nepal, praticamente escoou e que o curso do rio voltou a apresentar fluxo considerado normal. Apesar disso, o alerta sobre um possível colapso glacial permanece.
Lago que ameaçava provocar nova inundação esvaziou
Outro ponto de preocupação foi o lago de barragem Purepu Tsangpo, que chegou a transbordar e obrigou as autoridades a interromper temporariamente uma operação de resgate diante do risco de uma nova inundação repentina.
Nesta terça-feira, autoridades chinesas afirmaram que a água do lago escoou completamente e que a situação está sob controle. A avaliação foi feita com base em estações de monitoramento, câmeras de vigilância, radares para acompanhar as encostas e sistemas de alerta precoce.
A melhora, no entanto, não significa o fim dos riscos. Com comunidades ainda isoladas, infraestrutura destruída e milhares de pessoas sem notícias de familiares, as operações de busca e assistência devem continuar por dias.
A combinação de chuvas, encostas instáveis, rios alterados e possíveis movimentos de geleiras mantém a região em estado de atenção, enquanto Nepal e China tentam recuperar os acessos e ampliar a chegada de ajuda humanitária às áreas mais afetadas.
