Internacional

Sucessão no Irã começa sob ameaça direta de assassinato por Israel

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 4 de março de 2026 às 16:47 | Atualizado há 3 meses

Assembleia inicia escolha de novo líder iraniano em meio à guerra | Foto: Reprodução
Assembleia inicia escolha de novo líder iraniano em meio à guerra | Foto: Reprodução

Nesta quarta-feira (4), a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel completa cinco dias de ataques, com centenas de mortos, feridos, desabrigados, direitos violados e ameaças constantes.

A morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no dia 28 de fevereiro, foi o estopim para o início do conflito, após ataques partindo dos Estados Unidos e de Israel contra alvos nucleares e militares no país.

Agora, a Assembleia de Peritos do Irã dá início ao processo de escolha do sucessor de Ali Khamenei. Para isso, foi eleito um aiatolá interino, Alireza Arafi, para conduzir esse processo. Devido aos bombardeios direcionados ao prédio onde ocorreriam as reuniões, os encontros estão sendo realizados em formato online. A condução dos EUA e de Israel quanto aos ataques já antecipa a intenção de destruir as principais lideranças do Irã.

Como funciona a estrutura de poder iraniana

A República Islâmica do Irã se baseia em um regime teocrático, portanto, existem dois líderes: um presidente, no caso o Masoud Pezeshkian, e uma liderança religiosa (Líder Supremo), antes ocupada por Ali Khamenei, cargo tradicionalmente exercido por um aiatolá.

Ali Khamenei e Masoud Pezeshkian | Foto: Reprodução

No Irã, o presidente é eleito pelo voto popular para um mandato de quatro anos, após ser aprovado pelo Líder Supremo, que tem a palavra final. 

Já o aiatolá é escolhido por clérigos de renome que integram a Assembleia de Peritos do Irã. Entre as funções do Líder Supremo estão o comando das Forças Armadas, o direito de nomear a mídia estatal e os chefes do Judiciário, além do poder de veto sobre decisões do presidente e do Parlamento.

Enquanto isso, o presidente lida com a representação diplomática do país, a economia e a administração do governo.

Sucessor de Ali Khamenei 

A escolha do novo líder religioso tende a recair sobre Mojtaba Khamenei, o segundo filho de Ali Khamenei. Recentemente, o jornal americano The New York Times afirmou ter ouvido três autoridades iranianas que integram a Assembleia de Peritos e adiantou que a possível nomeação de Mojtaba vem cercada de precauções devido às ameaças dos Estados Unidos e de Israel. Ao mesmo tempo, o Irã se prepara para homenagear Khamenei com um funeral de três dias de duração.

Mojtaba Khamenei, possível sucessor para cargo de Líder Supremo do Irã | Foto: Reprodução

Ameaças

No contexto da sucessão de Ali Khamenei, Israel declarou de forma clara sua intenção:

“Qualquer líder escolhido pelo regime terrorista iraniano para continuar liderando o plano de destruição de Israel, ameaçando os Estados Unidos, o mundo livre e os países da região, e reprimindo o povo iraniano, será um alvo certo para assassinato, não importa seu nome ou onde se esconda”, declarou o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, nesta quarta-feira.

Israel Katz | Foto: Reprodução

Katz esclareceu ainda que o Estado judeu continuará a intensificar a onda de ataques contra a República Islâmica do Irã.

No mesmo sentido, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que outros 48 líderes iranianos foram mortos por ataques desde o fim de semana.

Enquanto isso, Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, considera os ataques de Trump uma “traição à diplomacia”, por terem sido realizados durante as negociações.

“Quando negociações nucleares complexas são tratadas como uma transação imobiliária, e quando grandes mentiras obscurecem a realidade, expectativas irreais jamais serão atendidas. O resultado? Bombardear a mesa de negociações por puro despeito. O Sr. Trump traiu a diplomacia e os americanos que o elegeram”, afirmou.

Ataques

Ainda nesta quarta-feira, a mídia iraniana divulgou que o número de mortos em decorrência dos ataques estadunidenses e israelenses chegou a 1.045. No mesmo dia, Israel aumentou os bombardeios direcionados a Teerã.

A resposta do Irã aos ataques se traduziu na ampliação de suas ofensivas, principalmente direcionadas a países do Oriente Médio, que abrigam bases militares americanas. Além de Israel, mísseis e drones também foram lançados contra países do Golfo, como Catar e Kuwait.

Mísseis iranianos também foram identificados no espaço aéreo turco, no entanto, segundo o Ministério da Defesa da Turquia, foram interceptados pelo sistema de defesa da OTAN.

A guerra, intensificada neste quinto dia, passou a abalar as rotas globais de energia e abastecimento do mundo. A imprensa mundial também reporta que, após a morte do Líder Supremo, o presidente do Irã ameaça se “vingar” e lançar a ofensiva mais intensa da história.


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