Trump registra 33% de aprovação e enfrenta pior avaliação do atual mandato
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 09:48 | Atualizado há 53 minutos
Trump enfrenta queda na aprovação meses antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos | Foto: Bloomberg/Bonnie Cash
A avaliação do governo de Donald Trump entre os eleitores norte-americanos atingiu um dos pontos mais baixos de sua trajetória política. Apenas 33% dos entrevistados aprovam a maneira como o presidente conduz o país, enquanto 64% desaprovam sua atuação. Os dados são da pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (17).
O resultado ocorre em um momento de pressão sobre diferentes áreas do governo e a poucos meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Apenas 3% dos participantes não souberam responder ou preferiram não opinar sobre a atuação do presidente.
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Realizado entre 14 e 17 de agosto, o levantamento ouviu 1.166 pessoas e possui margem de erro de três pontos percentuais. Na pesquisa anterior, Trump tinha 35% de aprovação e 63% de desaprovação. Portanto, em um intervalo entre os levantamentos, a avaliação positiva caiu dois pontos, enquanto a negativa aumentou um.
O índice de 33% também representa uma marca já conhecida pelo republicano. Em dezembro de 2017, ainda durante seu primeiro mandato, uma pesquisa Reuters/Ipsos havia registrado o mesmo percentual de aprovação.
Guerra com Irã amplia preocupação dos americanos
A duração do conflito entre Estados Unidos e Irã é um dos pontos que aparecem no cenário de insatisfação com o governo. A guerra começou em fevereiro e, apesar das declarações iniciais de Trump de que a operação deveria durar apenas algumas semanas, o confronto se aproxima de seis meses.
A percepção de que a guerra está longe de terminar é predominante entre os entrevistados. Oito em cada dez pessoas ouvidas pela Reuters/Ipsos, ou 80%, acreditam que o conflito continuará por bastante tempo.
A avaliação varia conforme a preferência partidária. Entre os democratas, 87% esperam uma duração prolongada da guerra. O percentual é menor entre os republicanos, mas ainda representa a maioria, chegando a 71%.
Somente 16% dos participantes acreditam que o confronto será encerrado nas próximas semanas.
Os efeitos do conflito também alcançaram o setor energético. O Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o transporte internacional de petróleo e combustíveis, teve seu fluxo severamente prejudicado.
A interrupção da circulação pela região contribuiu para elevar as cotações internacionais de energia e trouxe reflexos para os preços dos combustíveis nos Estados Unidos.
O custo de vida aparece justamente como o tema de pior desempenho para Trump na pesquisa. Em todas as áreas avaliadas, a parcela de norte-americanos que desaprova o presidente é maior do que a que aprova.
A diferença entre os dois grupos chega a 17 pontos negativos na área de imigração. Em política internacional, o saldo é de -26 pontos. A avaliação sobre a economia registra -35, enquanto o custo de vida apresenta a maior distância, de -47 pontos.
Quando os entrevistados avaliam o governo de maneira geral, a diferença entre aprovação e desaprovação fica em 31 pontos negativos.
Eleições podem mudar força de Trump no Congresso
A queda na popularidade ocorre em um período especialmente importante para o governo norte-americano. Em 3 de novembro, serão realizadas as eleições de meio de mandato, responsáveis por definir parte da composição do Congresso dos Estados Unidos.
A disputa envolve todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes. No Senado, 35 dos 100 assentos serão renovados. O eleitorado também escolherá 36 governadores, além de representantes de assembleias estaduais e ocupantes de outros cargos locais.
O Partido Republicano atualmente controla as duas Casas do Congresso. Essa maioria é importante para Trump avançar com propostas de interesse de seu governo e aprovar medidas que dependem do Legislativo.
Caso os republicanos percam parte desse domínio nas urnas, o presidente poderá encontrar maior resistência para colocar sua agenda em prática. O resultado da eleição, portanto, terá impacto direto sobre a capacidade de Trump de conduzir suas principais propostas durante o restante do mandato.
A pesquisa Reuters/Ipsos mostra, nesse contexto, um presidente entrando no período eleitoral com 33% de aprovação, enquanto a maioria dos norte-americanos manifesta avaliação negativa de sua administração.