Itaqui porto potência do Maranhão
Redação DM
Publicado em 11 de janeiro de 2023 às 17:56 | Atualizado há 4 anos
Uma semente pode vir a ser uma árvore. Um canal profundo no Golfão de São Luís tornou-se um porto sem igual no Brasil e no mundo. Estive lá aos nove anos de idade, quando começaram as obras e estou aqui nesta maravilha de engenharia portuária e logística.
Aristóteles perguntaria qual o ato que levou aos nove berços que recebem navios de carga de grande calado. Eu calado, já sei. Não é só a natureza pródiga do Maranhão e suas marés de mais de seis metros de altura. É sim o desejo de um povo instruído e orgulhoso de suas origens. Talvez por isso os franceses se encantaram com a região e suas potencialidades e fundaram a capital. Única no Brasil de origem estrangeira e depois – de tão bela e cobiçada- invadida pelos holandeses.
Podemos crescer em amplas direções. Aumentar nosso cabedal de conhecimentos. Aumentar nossas capacidades. Depende da matéria, a vontade. Um porto cresce de acordo com a vazão de produtos que importa e exporta. Os grãos que ali correm irão se transformar em alimento, forragem, plantas. Cada navio tem uma bandeira diferente, de países diversos. O saber é múltiplo. O que mantém um homem vivo é a curiosidade, seus sonhos, suas metas a longo prazo. Que ele transforma em realidade, realizações.
Nós todos somos um grande porto de entrada e vazão. De sentimentos múltiplos. E usamos flâmulas, artifícios que nos cobrem menor responsabilidade – como paraísos fiscais e portuários – de deveres. Encontramos o caminho mais fácil. Mas não existe uma prática do viver. Só há o viver, puro e simples. Entretanto no Itaqui coexistem 33 práticos que coordenam o trânsito das embarcações. Eles são os mestres dos locais ermos, dos canais fugidios. O prático das nossas vidas é a nossa consciência. Bem treinada, mas pouco acionada.
Não tem essa de valor agregado em portos de petróleo, grãos, ferro e celulose. Gosto muito da tonelagem. Do peso. Brasil é país exportador de “commodities”. Fomos recebidos por dois homens de grande peso e valor agregado: o cearense Paulo Ricardo, que é apaixonado pelo Maranhão e sabe que a lagosta deles vem daqui. E o lendário professor Afrânio Weber, com sua voz tonitruante e sabedoria enciclopédica. Cada um deles mais encantador do que o outro. As sutilezas e pontuações de Paulo e a verve de Afrânio.
Cada pessoa é uma ampla margem de atracação. Um cais que carrega naufrágios e velas enfunadas. De cabotagem. Um vai-e-vem de marés. De cargas. Umas boas outras más. Mas em fluxo constante. Olhando a proa, a popa, a estibordo e a bombordo. Sortido.
Minha família recebeu com amor e interesse vívido as múltiplas informações ali recebidas. A potência de cada um deles ainda cresce. São esteiras carregadas de vivências correndo para os navios de carga de nossas vidas. Eu tento ser um porto para eles. Não tão imenso, icônico e talvez desconhecido da grande maioria dos brasileiros, como o Itaqui.
Mas “tô” aqui.