O livro físico está perdendo o seu papel
Redação DM
Publicado em 2 de janeiro de 2023 às 15:31 | Atualizado há 4 anosO ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete. Aristóteles
Fechamento de bibliotecas e livrarias é algo que vem acontecendo em decorrência da tecnologia. Não existem mais locadoras de filmes, e até o cinema perdeu um considerável espaço às empresas de streaming. Os matusalêmicos discos de vinil (conhecidos como bolachões), fitas cassete, CDs tornaram-se obsoletos. São inúmeros os objetos que ficaram nas páginas passadas. Foi-se o tempo do glamour de assistir a filmes e comer pipocas no cinema, principalmente acompanhado da pessoa amada.
Foi a tecnologia que fez com que a escrita passasse por vários estágios ao longo da história da humanidade. Antes de os sumérios inventarem a escrita cuneiforme, por volta de 3500 a.C., havia a pintura rupestre em paredes de cavernas, que é um estágio anterior à escrita. Nesse andar célere da carruagem da história, a veiculação da escrita sistematizada passou pelo barro, couro de animais, plantas…
Disso resultou o papiro, criado pelos egípcios e feito de uma planta de mesmo nome, bem como o pergaminho, que era feito da pele de bezerro, carneiro. Esses dois processos foram os mais próximos da invenção do papel, criado na China no ano 105 d.C. Isso permitiu que se fosse fabricado os livros com páginas iguais aos que existem hoje. Após 600 anos de uso apenas pelos seus inventores, o papel esparramou pelo mundo afora. Faz-se necessário ressaltar que o papel também anda perdendo espaço para mundo o digital. Algo, portanto, benéfico em vários aspectos tanto econômicos como ambientais.
Dias atrás a Prefeitura de Goiânia divulgou a intenção de fechar as salas de leitura de algumas escolas municipais. Isso, portanto, resultou, nas redes sociais, em inúmeras críticas ao prefeito do Rogério Cruz, muitas enviesadas de coloração política, e assim explicitando nenhuma preocupação com o fechamento das respectivas salas de leitura. Até o Tribunal de Contas do Município (o famoso TCM, cuja extinção foi pedida pelo deputado Henrique Arantes, mas que foi salvo pela aposentadoria antecipada de um conselheiro no intuito de agasalhar o deputado Humberto Aidar, que agora integra aquela egrégia corte), entrou no circuito. O TCM, atendendo ao pedido do vereador petista Mauro Rubem, proibiu o fechamento. Se querem Rogério na cruz, é preciso buscar fatos e isso deve guiado pela sensatez.
Fechamento de bibliotecas não é fato só em Goiânia. Conforme matéria do G1, cerca de 800 bibliotecas públicas foram fechadas de 2015 a 2020 no Brasil. Por aqui as livrarias Saraiva e Fnac fecharam as portas. A saída para tirar os alunos de salas apertadas e fazê-los ler é tomar o caminho da tecnologia. É fazer como o governador Ronaldo Caiado agiu: investiu aproximadamente R$ 145 milhões na compra de 60 mil chromebooks (notebook) para estudantes. O uso da tecnologia é a ação inteligente. O livro, infelizmente, vem perdendo o seu papel.
O essencial é promover incentivo dos alunos tomarem gosto pela leitura, e isso não precisa ocorrer exatamente pela leitura de livros físicos, muitas vezes empoeirados até danosos à saúde dos estudantes. Precisamos cair na real e fugir da onda dessa vibe saudosista de muitos, alguns que, certamente, nem leem a bula dos remédios que tomam, nem muito menos a Revista Bula.