Racismo no ambiente universitário (parte 2)
Redação DM
Publicado em 2 de janeiro de 2023 às 15:30 | Atualizado há 4 anosEste exemplo, num ambiente onde se presume exista um profundo anseio pela reformulação porque passa toda a “aldeia global”, sobretudo no campo dos direitos humanos, onde evidentemente, se insere a luta pela igualdades dos povos, além de comprovar a tese de que o negro é recusado, conduz e reafirma no seu ventre a velha tendência das elites brasileira, realçados no tempo do Império, de se disfarçar a libertação dos escravos – inclusive através de decretos – para entrarem no Exército e em seguida serem mandados para a guerra, onde são geralmente fulminados. Melhor exemplo não se teria do que o verificado na Guerra do Paraguai, conforme a assertiva dos historiadores Nelson Werneck Sodré e Júlio José Chiavenato, em A História Militar do Brasil (1979) e O Negro no Brasil – Da Senzala à Guerra do Paraguai (1980).
Uma outra forma de se menosprezar e revelar o racismo contra o povo negro no ambiente universitário, que não e muito nova, ainda e frequente quando se consegue transforma-lo em experimento do mais puro interesse acadêmico. Os exemplos disso são contactados com certa facilidade quando os autores, ilustres que sejam, os tratam através de métodos que as ciências sociais produzidas pelo imperialismo ainda descarregam no Brasil. Embora de forma não sistemática, em A Sociologia Posta em Questão (1978), Clóvis Moura aborda o assunto de modo mais amplo. Em síntese, é tratado como tema ou objeto de estudo, onde não é gente sentimento, língua, expressão de vida, cultura. Nesse âmbito, aliás, o negro prossegue sendo visto, no ambiente acadêmico-universitário, com muita curiosidade.
Feitas as merecidas exceções, estamos vendo que virou muito mais o temário de eruditas abordagens “cientificas” do que o pano de fundo de analises e pesquisas realmente imparciais, capazes de conscientiza-lo e mostra-lo em sua existência terrível, o que significa vê-lo muito mais como uma “preocupação cientifica” do que como um ser humano, por bem dizer, pior ainda do que em passado recente, quando já era o modelo preferido dos vícios da erudição ou material etnográfico do exercício literário ou folclórico. A esse respeito, numa pagina curiosa, mas ilustrativa, escreve Guerreira Ramos “in “Diário de Notícias”, Rio, de 20/09/1953): “À parte certas demonstrações nominais de apoio à elevação econômica e social do negro, nossos estudiosos o têm visto como material etnográfico. Assim, focalizaram a religião, alimentação, a indumentaria, as tatuagens, as medidas antropométricas, a criminalidade, a composição do sangue (pasmem!), a música, a medicina popular e não sei mais que aspectos das chamadas culturas negras e da gente de cor.