Brasil

Ainda há esperança?

Redação DM

Publicado em 9 de março de 2017 às 02:21 | Atualizado há 9 anos

Quando reflito sobre a vida de menino que tive em Buriti Alegre e a comparo com a realidade dos nossos jovens hoje em dia, não tenho dúvidas de que algo está errado. Os valores e os princípios éticos que me foram repassados por meus pais, seu Dionísio e dona Rosinha serviram como importantes ferramentas para que pudesse construir minha própria história com dignidade, respeito ao próximo, disciplina, honestidade e humildade.

Naquele tempo, os pais tinham condições de ensinar aos filhos conhecimentos básicos sobre a vida. Havia uma cultura familiar tradicional repassada de geração a geração. Meus pais aprenderam com meus avós. Minha responsabilidade era transmitir esse legado aos meus filhos, que repassariam aos meus netos. Esse conjunto de experiências acumuladas tem se esvaziado aos poucos.

A família era a principal referência, uma célula pequena, que junto com as demais, forma a estrutura da sociedade. Nas últimas décadas, o modelo familiar tradicional tem passado por transformações intensas. Há um desequilíbrio evidente no relacionamento de pais e filhos, fruto da desunião e da falta de diálogo entre as gerações.

A falta de perspectivas de futuro, acentuada pelo ambiente social cada vez mais competitivo, tem limitado as oportunidades para os jovens. Com menores chances de igualdade para competir, os sonhos da juventude são esvaziados com o tempo. Os jovens são potenciais vítimas de uma realidade em que a conjuntura é cada vez mais limitada. O ódio, a violência e o ressentimento encontram neles espaço para florescer por meio do caminho do crime e da dor.

A triste estatística de crimes tem algo em comum: jovens e famílias desestruturados. No tocante à Segurança Pública, o aparato policial tem limites e, portanto, precisa de apoio. Felizmente, nem tudo está perdido. Há programas e ações em andamento que podem amenizar o problema. Devemos combater a violência, sim, mas se quisermos vencê-la, precisamos eliminar suas causas. Isso é possível.

Acompanhei de perto um caso assim. Conheço uma mulher com dois filhos adolescentes, com pais distintos. A estrutura familiar desagregada poderia ter resultado em uma história triste. A oportunidade criada pelos programas sociais de inserção ao trabalho permitiu que os dois jovens pudesse encontrar um caminho de compromisso e responsabilidade. Eles sentiram que é possível sonhar.

Programas e ações sociais dessa natureza funcionam porque alcançam pessoas que precisam de oportunidade. Também são menos onerosos. O jovem que se insere no mercado de trabalho aprende a desenvolver um senso de responsabilidade e realização pessoal que o acompanhará por toda a vida. Isso evita que a juventude siga pela dolorosa e triste realidade do crime e das drogas.

A universalização desses sistemas de apoio familiar é ponto elementar para que a paz social volte a reinar entre nós. Jovens com oportunidades iguais somente não seguem por esse caminho se realmente não quiserem. O livre arbítrio somente existe quando é possível escolher o próprio destino.

Entendo que a ampliação das parcerias dos entes públicos – sejam federais, estaduais ou municipais – com as entidades civis e empresas poderão ampliar em muito a oferta de oportunidades para nossos jovens. As Prefeituras, em razão de sua capilaridade, quase sempre oferecem as primeiras chances. Temos, sem sombra de dúvida, de formar uma grande coalização de esperança para todos.

 

(Helio de Sousa, médico e deputado estadual pelo PSDB)


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