Casa das Relíquias (parte 2)
Redação DM
Publicado em 19 de agosto de 2021 às 17:39 | Atualizado há 5 anos
Devem ter lido que encerrei o texto anterior no Dia Nacional da Arte, 13 de agosto, quando certamente estava entusiasmado com o que escrevia sobre a Casa das Delícias, cá de mim mesmo, vendo e apreciando a 4ª idade, com destaque dos dicionários especiais da Biblioteca em nome dos meus pais reverenciados, léxicos ou tira-teimas dos quais prossigo recordando. Agora lembrando o extraordinário Dicionário Universal de Citações, de Paulo Rónai, Editora Nova Fronteira (1985), ensinando no prefácio (…) que muita citação não passa do comentário de alguma outra, anterior: “Dizem que a História é mestra da vida. Mas está precisando agora de um curso de aperfeiçoamento.” – observa ainda o mesmo autor, doutrinando:
“Pode-se dizer que as citações, discutidas, entrelaçadas, superpostas, constituem um cipoal a exigir um guia de manuseio fácil”.
Por acreditar que todas as atividades humanas estão só começando, imagino que o Dicionário citado não pode ser completo, particular que Karl Marx deve explicar. O que estaria completo e acabado neste mundo? Notem que até a “existência divina” vem sendo questionada. Aqui na Casa das Relíquias não consigo ter resposta. Como sair dessa? Vou consultar meus orixás, talismãs, demiurgos e outros sábios da aldeia global, ora quase toda negativista e enferma. Nunca a vi mais doente e próxima da tragédia climática causada pela desídia humana, tentando desviar meu foco na defesa de minha Casa de Relíquias, recanto de lembranças ou refúgio das minhas utopias intelectuais.
Já imaginaram os prováveis leitores se, de alguma forma, a bonita cidade de Mineiros virasse lugar símbolo da arte e da cultura (que importa se chamada urbana), compreendendo todas as criações feitas pelos humanos em sua luta incontida em busca de uma visão de mundo!? Ainda mais: com o adjutório de sua Academia de Letras e Artes, presidida por mulher poeta Marta, a sua Casa das Relíquias e a Biblioteca com seus Dicionários especiais raros, como realço aqui dois, o Dicionário do Folclore Brasileiro, em dois volumes, do consagrado Luís da Câmara Cascudo e o emblemático Dicionário Analógico da Língua Portuguesa (Idéias Afins), do inolvidável professor goiano Francisco Ferreira dos Santos Azevedo!?
O espaço de jornal me impede continuar mostrando a vasta riqueza desses dicionários, assim como prosseguir lembrando e difundindo minha Casinha das Relíquias, isto mesmo, com C e R maiúsculos, oxalá, testemunhando o meu tempo.