Brasil

Educação em tempos de pandemia

Redação DM

Publicado em 18 de maio de 2020 às 18:18 | Atualizado há 6 anos

Vivemos um momento extremamente grave, no Brasil e no mundo, em função da pandemia do novo coronavírus, a Covid-19, que fechou escolas, universidades, shopping-centers, espetáculos culturais e esportivos, suspendendo, entre outras coisas, eventos como os Jogos Olímpicos e nossas tradicionais celebrações religiosas goianas, como a Procissão do Fogaréu, na Cidade de Goiás, e a Festa do Divino Pai Eterno, em Trindade.

Os efeitos da paralisia decorrente do vírus já se fazem notar em todas as áreas, não só na saúde e na economia, mas ainda temos falado pouco do impacto negativo na educação. O Brasil tem uma história de equívocos na condução das políticas públicas de educação. Historicamente, o país investiu no ensino superior, abandonando o alicerce de tudo, que é a educação básica.

Nos anos de 1930, houve um movimento importante nesse sentido, mas foi só na década de 1990 que o MEC declarou que o ensino fundamental seria prioritário e instituiu um mecanismo de financiamento para a etapa da educação básica, que é o nome que se dá às 3 etapas de escolaridade que antecedem a educação superior: a educação infantil, o ensino fundamental e o médio.

Em decorrência desse viés, entramos no século XXI, com demandas não atendidas dos séculos XIX e XX, como universalização do ensino fundamental, e ainda ampliadas pelas demandas do século XXI, da Revolução Tecnológica e do Conhecimento, que requer de professores e alunos competências e habilidades que eles não têm, como capacidade de inovar, se adaptar, criar, cooperar, trabalhar em equipe, bem como usar tecnologias digitais para fins pedagógicos, ou seja, voltadas para a aprendizagem.

A Covid-19 escancarou as desigualdades entre famílias de nível socioeconômico médio e alto, cujos filhos têm bons equipamentos em casa (computador, smartphones, tablets), permitindo às boas escolas chegarem ao aluno com planejamento de conteúdo estruturado, e famílias que lutam por sobrevivência, sem condições de oferecer a seus filhos nem equipamentos adequados, nem acesso à internet.

No momento em que nos preparamos para eleições municipais, não há como não exigir dos candidatos compromisso com a qualidade da educação e com a equidade, ou seja, o direito de todos terem acesso a ela, independente de suas condições socioeconômicas. A educação infantil assumiu o topo das prioridades educacionais, desde que foi cientificamente provado que essa faixa etária é a maior janela de oportunidade para o pleno desenvolvimento do ser humano.

É quando a criança mais aprende, porque seu cérebro está no auge da sua capacidade e as pesquisas mostram que crianças que frequentam pré-escola, avançam na escolaridade, conseguem empregos melhores, envolvem-se menos com criminalidade e drogas, estabelecem relações afetivas mais sólidas, e são melhores cidadãos.

Às etapas do ensino fundamental e médio cabem preparar o aluno para compreender as linguagens (verbal, corporal, visual, sonora e digital), bem como o raciocínio matemático, lógico e abstrato, que preparará o jovem para trabalhar seu projeto de vida, seja na universidade seja no mundo do trabalho.

Se quisermos superar o trauma da Covid-19, precisamos nos engajar mais que antes na luta por educação de qualidade, único caminho para o desenvolvimento das pessoas e das nações.

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