Herança maldita de tucanos ou presente de grego
Redação DM
Publicado em 21 de agosto de 2020 às 16:29 | Atualizado há 2 anos
Divino Olávio
A informação sobre a punição aplicada a Goiás pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), com impacto superior a R$ 1 bilhão nas contas do Estado, a partir de janeiro do ano que vem, em decorrência da perda de benefícios legais que permitiriam o alongamento de prazo para pagamento de dívidas, foi um “presente de grego” do governo anterior, que pelo menos no seu último ano – 2018 – parece não ter medido consequências de suas ações.

Tomando por outros exemplos, foram ainda motivados provavelmente pelo receio de perder a eleição para Ronaldo Caiado. Pelo menos nesse aspecto, eles tinham razão considerando o “tsunami” que parecia lhes estar reservados, após quando as urnas de outubro fossem abertas. Perderam tudo: o governo, as duas vagas para o Senado e a redução drástica do número de vagas na Câmara Federal. Sem contar os efeitos colaterais da derrota sofrida.
Para os goianos, o não cumprimento de obrigações do governo anterior junto à STN pode causar danos, porque amplia o grau de dificuldades já vividas. Qualquer piora ou estrangulamento das finanças públicas estaduais pode ter como consequência o atraso de investimentos em projetos de desenvolvimento. Obras importantes correm o risco de serem proteladas, dentre outros problemas.
A situação das finanças encontrada pelo governo de Ronaldo Caiado, ao assumir em janeiro de 2019, só não teve consequências mais danosas para a administração graças à determinação de cortes de gastos de custeio, redução do número de cargos comissionados superior a 30% e a renegociação de contratos com prestadores e fornecedores.
Diferentemente do governo anterior, que deu a sorte de ter a boa vontade da então presidente Dilma Rousseff (PT), que liberou recursos solicitados pelo governo tucano, a ponto de criar crise de ciúmes com os petistas goianos. E diferentemente do governo de Ronaldo Caiado, os governos tucanos não tiveram que enfrentar as consequências de crise econômica mundial, como a que estamos atravessando, provocada pela pandemia da Covid-19.
Goiás teve dois governos em sua história [contando o de Ronaldo Caiado], que enfrentaram as piores dificuldades provocadas por crise na área da Saúde. O primeiro foi o de Henrique Santillo, que na época era filiado no antigo PMDB (1987 a 1990) e o atual. Santillo teve a infelicidade de logo no 1º ano do mandato, ter que administrar a crise eclodida com o acidente radiológico do Césio-137, iniciada em setembro de 1987.
Porém, com uma diferença importante, em que pesem as dificuldades vividas pelo estado na ocasião, como a dor das famílias das vítimas e a discriminação contra Goiás pelo restante do País, que passaram a refugar produtos goianos temendo a contaminação, não havia crise nacional ou mundial.
Embora de grande repercussão nacional e até mundial, a crise do acidente com o Césio-137 era localizada em Goiás. Já a crise da pandemia da Covid-19 está presente em todos os lugares.
Divino Olávio é bacharel em direito e jornalista