O impacto da pandemia na vida da mulher, um olhar em uma perspectiva negativa e positiva
Redação DM
Publicado em 22 de dezembro de 2020 às 11:39 | Atualizado há 6 anos
Por Franciara Rodrigues de Miranda Santos
Nos últimos meses, de um dia para o outro, nossas vidas viraram de pernas para o ar de forma muito repentina, até mesmo no nosso direito de ir e vir, expressamente protegido na nossa Constituição de 1988. Logo percebemos como é avassalador esse vírus que nos tirou pessoas que amamos, tão rápido e silenciosamente.
A rotina de trabalho, levar crianças a escola, ir à igreja aos domingos, tudo mudou. E então, pessoas que se viam apenas a noite, passaram a ficar 24 horas juntas, e o isolamento acarretou e agravou problemas psicológicos. Esse isolamento trouxe ainda mais evidência à violência contra a mulher e esse número aumentou, pois, as vítimas passaram a ficar mais tempo com seus agressores.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSPGO), no período da pandemia as estatísticas mostraram que o número de violência contra a mulher aumentou em relação ao ano passado, há ainda um percentual de mulheres que não denunciam seus agressores, tanto por medo do agressor, quanto da “justiça” ou falta dela, como pelo preconceito e descrédito advindo da sociedade, da família e até da autoridade que deveria lhe defender.
Mas não podemos falar dessas mulheres apenas como vítimas, não é mesmo? Precisamos enaltecer essas mulheres que desde sempre, buscam conquistar um espaço na sociedade e nunca fogem à luta, continuam ali, firmes e fortes. Hoje encontramos sororidade entre mulheres, uma apoiando a outra.
Durante esse período de pandemia, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), lançou campanha chamada de Sinal Vermelho na qual a mulher ao fazer um X vermelho na mão e sinalizando a alguém e alertariam que estaria sofrendo algum tipo de violência, e a campanha tem ajudado muitas mulheres.
E não foi o único ponto positivo, mulheres pesquisadoras, médicas e enfermeiras se destacaram na linha de frente no combate ao corona vírus; aquelas mães trabalhadoras puderam ter um tempo de qualidade com seus filhos, graças ao home office e puderam aproveitar mais seus pequenos; foram muitas as que empreenderam e se reinventaram.
Uma pesquisa realizada pelo Sebrae e Fundação Getúlio Vargas, demonstrou que as mulheres mostraram mais competência e agilidade ao lidar com a crise da pandemia que os homens, mesmo com as tarefas escolares dos filhos, com atenção ao esposo e o cuidado com o lar, enfrentando ainda críticas e cobranças sobre sua saúde e seu psicológico, podemos dizer que seu trabalho triplicou, e mesmo com todas essas adversidades conseguiram fazer com excelência seu trabalho.
Não devemos ver essas mulheres apenas como vítimas e sim como mulheres fortes e guerreiras, que nunca desistem, que se levantam e reerguem, e que ninguém consegue desempenhar tão bem seu papel como ela mesma, convivendo em pleno século 21 com violência e preconceito.
Mulheres são incríveis, imbatíveis, únicas e fortes. Celebremos suas conquistas, que não foram poucas, mas sem esquecer que há um grande caminho a percorrer. Dedicado a essas mulheres que nunca desistem.
Franciara Rodrigues de Miranda Santos
Acadêmica do Curso de Direito pela UniAraguaia. Texto Orientado pela Prof. MS Ivna Lauria