Brasil

Política criminal

Redação DM

Publicado em 18 de novembro de 2015 às 22:13 | Atualizado há 11 anos

Nossa política criminal e de exclusão, todo o sistema trabalha como se fosse uma linha de produção, e quem não se encaixa ou não se adéqua ao modelo capitalista fica fora do mercado.

As principais vitimas são os jovens e pobres, pois estão sujeitos à mídia e à adaptação forçada ante ao sistema, e apos o cometimento de crimes ficam a margem da sociedade, estigmatizados, invisíveis.

A mídia a musica, a falta de qualificação, fazem com que o cidadão somente exista se estiver encaixado em determinado padrão, a desevolução faz com que um tênis, um celular possam rotular um individuo a ponto de exclusão social.

A exclusão faz com que o indivíduo busque por uma forma de adaptação que o leva para o mundo do crime, pois para manter a imagem ele e capaz de qualquer ato, mesmo que esteja colocando sua vida em risco.

A imagem do indivíduo deve partir de uma imagem já existente no mercado, a individualidade passa a não existir, passa a ser um mundo de cópias, o cabelo tem que seguir um padrão, o jeito de vestir, de falar.

O ser nunca vai se completar, pois os novos modelos se ultrapassam em uma velocidade muito acima do que pode ser seguido, o nível cultural passa a não ter valor, a aparência e o que conta.

Os poderes constituídos tentam se adequar, mas não conseguem, pois a lei que deveria acompanhar a sociedade não faz seu papel, e na hora da aplicação de sanções punitivas o Estado se vê de mãos atadas, pois os dogmas não resolvem.

O modelo vigente prova-se falho, pois não consegue reprimir as condutas delituosas, a prisão sempre foi um depósito dos rejeitos sociais, temos que buscar formas alternativas, que se encaixem aos padrões sociais vigentes.

Para que a política criminal possa surtir efeito temos que buscar uma forma de aproximação entre o sistema econômico e político, pois estamos em um limite de uma nova era.

Com a globalização, o Estado deveria se reestruturar, pois a iniciativa privada está tomando o controle estatal, procurando privatizar a energia, a água, os transportes e todos os meios que são de vital importância para a produção e circulação de mercadorias.

O Estado acabou se tornando dependente das forças econômicas dominantes, e sendo dessa forma a política criminal não consegue se afastar dos detentores dos meios de produção.

Isso faz com que a política do medo tome conta de todo um sistema, onde a exaltação do poder punitivo arrasta toda a população, onde passamos a criar deuses e mártires.

O ladrão passa a ser plataforma política, a crise vira moeda de troca, e assim a vítima passa a ser toda a comunidade, e os que estão no poder vão se mantendo, passando a não existir mais a linha divisória entre o publico e o privado.

E nessa jornada evolutiva vai surgindo um novo Estado, onde a nova política criminal vem no sentido de assegurar as desigualdades sociais e sistêmicas, provocadas pelos detentores do poder e os detentores do sistema de produção.

A nova ferramenta de ascensão deixa de ser o conhecimento, e passa a ser o dinheiro, e quem não tem passa a ser estatística social, apenas um numero de CPF no sistema financeiro.

Enquanto não criarmos formas de equilíbrio social, estaremos criando novos combustíveis para o aumento da criminalidade, as redes sociais se transformam em um novo mundo. Um mundo de felicidades passageiras que trazem um custo muito alto a todo sistema penal.

Chega de ostentação e exibicionismo, vamos resgatar o que hoje é estatística do sistema para os nossos lares, vamos investir em cultura, não aquela do mundo digital, e sim aquela que está mofando em livrarias e sebos.

 

(Paulo César de Castro Gomes, formado em Direito pela Universidade Salgado de Oliveira Goiânia, pós-graduado em docência universitária pela Universidade Salgado de Oliveira Goiânia, pós-graduando em Criminologia e Segurança Pública UFG)


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