Brasil

Rádio, TV e a “mulher da moeda”

Redação DM

Publicado em 22 de outubro de 2015 às 00:59 | Atualizado há 11 anos

Quando os primeiros empresários viram um protótipo duma TV concluíram: “Quem vai ficar parado na frente duma caixa com imagens e sons?” Naquela época os humanos estavam maravilhados com o rádio e a possibilidade de fazerem duas “coisas” ao mesmo tempo e, ainda melhor, pelo tempo que quisessem, ou, enquanto deixassem o “rádio” ligado, ou seja, até por todo o tempo. Trabalhar, passear, fazer sexo e até ler ouvindo música? Que maravilha, sim, porque antes, para se ouvir Mozart – utilizando o “maior de todos” como exemplo – muitos milionários, condes, duques e dignatários tinham que viajar, com suas carruagens, vestimentas e joias, centenas de quilômetros para chegarem a Roma – citando apenas um exemplo, novamente – muitas vezes, por estradas infestadas de ladrões assassinos, arriscando, lógico, sua vida e as dos seus criados, enfim, voltando, os empresários não quiseram, a princípio, investir na produção de televisores por acharem que as pessoas não iriam querer ficar sentadas na frente dum aparelho “sem fazer nada”, como diziam. Como estavam enganados! Eu estou mencionando isto porque outro dia o amigo de infância, o Carlos Roberto, carinhosamente chamado de Bel por todos, inclusive pela sua mãe, “dona Alcídia” – e eu fico sempre meio cabreiro porque ele sempre me apronta uma e anteontem, agora me lembrei, pediu para eu segurar uma ferramenta, uma grosa, com o cabo pintado, numa banda, dum lado, com um fio vermelho, o que me levou a crer, e acho que levou a maioria das pessoas que ele fez passar pela “pegadinha”, que era o meu sangue devido a um corte, e por aí vai as suas brincadeiras… – bem, então, o amigo, com um tom de gravidade na voz, enviesou: “Henrique do céu do jeito que as coisas andam como será que vai ser no futuro, a turminha já não se fala, é cada um com o seu celular, com os olhos fixos… o que será que eles vão inventar depois disso hein Henrique?” Eu olhei para ele e não respondi nada, entretanto pensei que durante muitos anos eu digo para os amigos que, do jeito que as descobertas se avolumam, logo, logo estaremos, todos, conectados através de sensores encostados em pontos estratégicos dos nossos crânios e membros e, do jeito que a pornografia “rola” solta na Internet, imagine a “zona” que vai virar. Lá será possível “incluir” pessoas de todo o planeta para com elas “interagir”. As pessoas não vão mais “precisar” sair de casa. O alimento, pão, arroz e até o vinho mais raro? Os drones levarão na porta sem risco, fresquinho, embaladinho… Filhos em escolas? Seria perda de tempo e risco, também. As escolas serão transformadas em museus, salas de reuniões, de esportes como o xadrez e, por falar em xadrez, gostaria que o misericordioso leitor lesse o artigo “O Papa Francisco, o Rei e o Cavalo”, publicado neste matutino vanguardista na semana passada, dia 1x. Ali defendo a “tese” de que o cavalo não é a única peça que “pula” as outras peças, como é ensinado de acordo com os manuais de xadrez do planeta. Eu afirmei que o rei, como qualquer principiante no esporte sabe, também pode pular por sobre as torres no roque menor ou maior instituído na Itália uns 500 anos atrás, na época, muito contestado, para alguns, uma “blasfêmia”, enfim, não importa, saio correndo e fecho a porta desse primeiro parágrafo. Como sempre repito parágrafos longos afugentam eventuais leitores, quanto mais o primeiro.

Não tem nada a ver um assunto com o outro, mas, o misericordioso leitor observou que já circulam moedas de 1 real sem a esfinge da Mariane ou Semirames, em comemoração aos 50 anos do Banco Central? Eu fui perguntar para o “Oráculo do Século XXI”, o Google, e constatei que foram cunhadas 50.000.000 de unidades. Ontem a Sophia Penellopy, a minha caçula de sete anos, me surpreendeu mostrando-me uma dessas moedas e dizendo: “Papai o senhor já viu essa moeda não tem a cara daquela mulher?” Não, eu não havia visto nem o Ari da pizzaria, o Roberto do Açougue, a Sonia e os funcionários da padaria, nem o Bel, que tem uma distribuidora de água, haviam visto a tal moeda com o prédio do Banco Central no lugar da esfinge. Eu acho que os meus amigos acharam um pouco exagerado o meu entusiasmo com a “descoberta” da Sophia, porque não sabem que eu escrevi um artigo sobre o assunto. Por incrível que pareça – mas a tara em sua cabeça já é um indício e muitos historiadores juram ser verdade – a esfinge que aparece em todas as notas, é a deusa babilônica, mãe e esposa de Ninrode, que segundo a Bíblia foi o primeiro a caçar os animais em oposição a Deus e comer carne e, pior, matou o seu pai, Cuxe, filho de Caim, que foi filho de Noé, aquele que construiu a arca, para se casar com sua mãe. Tiveram um filho, cujo nome foi Tamuz ou Baal. Ninrode teria sido morto pelo seu tio Sem, outro dos três filhos de Noé e avô do profeta Abraão. Quer dizer, tanta gente para homenagear e essa turminha fica insistindo com essa deusa babilônica, grega, francesa, sei lá e nem quero saber só sei que o Brasil é o único país que continua com essa besteira “republicana”. Até!

 

(Henrique Dias é jornalista)

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